Daniela Reinehr acredita que não será afastada: “não há fundamento jurídico”

Em entrevista, vice falou sobre o processo de impeachment que pode tirá-la, junto com Moisés, do cargo por 180 dias e a possibilidade de ser a primeira mulher a governar Santa Catarina

Redação ND Florianópolis

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Na manhã de um dia histórico para a política catarinense, a vice-governadora Daniela Reinehr (Sem Partido) falou sobre a votação que ocorre no Plenário da Alesc, em Florianópolis, na manhã desta sexta-feira (23), que decide sobre o seu afastamento do cargo, junto com o governador Carlos Moisés (PSL), por até 180 dias.

A vice afirmou que acredita na justiça e que “não há fundamentação jurídica” para ser afastada do cargo. Daniela pode se tornar a primeira mulher a assumir o governo de Santa Catarina.

Vice-governadora Daniela Reinehr fala sobre votação do processo de impeachment – Foto: Reprodução/NDVice-governadora Daniela Reinehr fala sobre votação do processo de impeachment – Foto: Reprodução/ND

“Não há nos autos absolutamente nada que justifique o meu nome estar no processo. Até pela minha formação de advogada não tem como eu acreditar em algo diferente da Justiça. Os desembargadores, os deputados e o presidente do Tribunal de Justiça têm hoje uma missão histórica, e tenho fé em Deus, tenho fé na justiça e tenho fé nos homens”, disse a vice-governadora.

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Questionada sobre os pontos em que é citada no processo, Daniela Reinehr afirmou que não acredita em complicações no caso.

“Não há fundamento jurídico, é um processo inédito na história do país, não existe nenhum ato meu no processo. A acusação é omissão dolosa, e eu tomei as providências necessárias, eu iniciei um processo de acusação de contas, isso está nos autos”, completou.

A vice-governadora ressaltou que aguarda a decisão confiando no poder judiciário: “a gente precisa respeitar as instituições e os poderes constituídos, em quem tem competência pra avaliar”.

Daniela espera, portanto, resultado positivo na votação de hoje, pelo menos do ponto de vista pessoal.

“Espero que o processo seja arquivado em relação a mim, as defesas foram feitas à parte, eu reservei um tempo inteiro para falar da minha defesa, então acho que não me cabe falar da defesa dos demais, cada um esta fazendo a sua e dando seu melhor. Eu volto a dizer, tudo que eu peço, acredito e vejo é que houve uma união de esforços do Estado inteiro, não necessariamente defendendo a Daniela, esse ou aquele, mas defendendo a justiça”, relata.

Possibilidades de se tornar a primeira mulher a assumir o Estado

Caso apenas o governador Carlos Moisés seja afastado do cargo, Daniela passará a governar Santa Catarina, tornando-se a primeira mulher nesta posição.

Além disso, há um segundo processo de impeachment, aprovado por 36 deputados na terça-feira (20), que pode resultar no afastamento de Moisés e exclui a participação da vice.

O processo focado no caso dos respiradores e da tentativa de construir um hospital de campanha em Itajaí ainda deve levar algumas semanas para chegar a uma decisão mais drástica, como o afastamento de Moisés.

A vice-governadora falou sobre as chances de assumir o governo e o que deve mudar assim que estiver no cargo.

“A partir do término dessa sessão, independente do que acontecer, a gente precisa sentar e fazer um planejamento de estratégias. Mas o foco é o bem de Santa Catarina, formar uma comunicação eficiente, todos os poderes instituídos com toda a sociedade  catarinense, e seguir os preceitos que a gente assumiu lá na campanha, acho que esse é o grande resgate que precisamos.”

Moisés diz que não há “justa causa” para sair do cargo

O governador Carlos Moisés (PSL) declarou em vídeo na manhã desta sexta-feira (23)  que “não há justa causa” para que ele e a vice, Daniela Reinehr, deixem seus cargos.

Em vídeo, Moisés disse ainda acreditar na Justiça, exaltou o próprio governo e disse estar entregando aos catarinenses “a melhor gestão do Brasil”.

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