Representando 52,65% do eleitorado apto a votar nestas eleições, as mulheres têm crescido em números entre os eleitos, mas ainda são minoria. Em cargos do Executivo, a participação histórica de mulheres chega a ser nula em algumas cidades, como o caso de Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, que até 2022 não elegeu nenhuma prefeita, por exemplo.
No segundo turno em Santa Catarina duas mulheres estão na disputa para o cargo no Executivo, mas como vice, são elas Bia Vargas (PT), como vice de Décio Lima e Marilisa, vice de Jorginho Melo (PL). No cenário nacional nenhuma mulher concorre nesta segunda etapa da corrida eleitoral.
Cresce número de mulheres eleitas, mas no comparativo entre os gêneros ainda somos minoria – Foto: Divulgação/Pexels/NDOlhando para o Legislativo catarinense eleito em 2022, as mulheres representam apenas 7,5% dos políticos eleitos para o cargo.
SeguirTrês deputadas estaduais em exercício na Alesc conseguiram a reeleição no domingo (2). Apenas Ana Campagnolo (PL), Luciane Carminatti (PT) e Paulinha (Podemos) serão as representantes do gênero feminino no Legislativo estadual a partir do ano que vem.
Já com relação às vagas na Câmara dos Deputados, Santa Catarina elegeu cinco deputadas federais. As mulheres ocuparão 31,25% dos 16 lugares reservados aos políticos catarinenses em Brasília (DF). Mesmo em minoria, o número é maior do que em 2018, quando quatro deputadas catarinenses estiveram entre as 77 mulheres eleitas para o Legislativo Federal.
Anna Carolina (PSDB), é vereadora em Itajaí e concorreu ao cargo de deputada estadual nestas eleições, mas não garantiu votos suficientes por 1%. Anna é uma das vozes ativas por direitos das mulheres e equidade entre os gêneros, mas por ser mulher enfrenta a luta contra o machismo e precisa constantemente falar um tom mais alto, para se fazer ouvida.
Por 1% dos votos Anna Carolina não foi eleita deputada estadual em SC pelo PSDB – Foto: Arquivo Pessoal/DivulgaçãoEla chegou a concorrer ao Executivo de Itajaí, mas não venceu as eleições e decidiu voltar ao Legislativo. “Sou primeira suplente de deputada estadual e quando optei não concorrer como prefeita para voltar ao Legislativo, fui questionada por estar ‘descendo de patamar’, mas não penso assim. Para mim mais importante que a ‘altura do cargo’ é exercer com excelência o que eu estiver ocupando. Sou desprovida de ego, apesar de reconhecer que seria uma honra e um grande prazer provar que tenho capacidade de melhorar a vida dos itajaienses como Prefeita”, defende Anna.
Por que Itajaí ainda não elegeu sua primeira prefeita?
Olhando para os resultados das últimas eleições municipais, em 2016, 31,5% dos candidatos em Santa Catarina eram mulheres. Dentre elas, 436 foram eleitas, resultando em 24 prefeitas, 22 vice-prefeitas e 390 vereadoras no Estado, segundo dados do TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina).
Já no pleito municipal de 2020, o número de mulheres candidatas chegou a 34% das candidaturas, e o de eleitas somou 577. Das vitoriosas, 28 foram escolhidas prefeitas, 25 vice-prefeitas e 524 vereadoras.
Ano após ano mulheres têm crescido em número de eleitoras e eleitas em Santa Catarina – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/NDApesar do aumento registrado ao longo dos últimos anos, a presença de mulheres na política em geral ainda está bem abaixo do número de homens, mesmo elas representando a maioria do eleitorado no Estado, sendo 51,84%.
Para Anna, em Itajaí, por décadas a administração da cidade é revezada apenas por dois grupos políticos, liderados por homens, o que por si só, desencoraja muitos outros postulantes.
“Além disso, tivemos poucas mulheres com passagem marcante no Legislativo itajaiense e para o Executivo elas eram cortejadas para o posto de vice-prefeita, na estratégia de ganhar a simpatia popular. Lógico que é preciso considerar o cenário eleitoral da época, mas se essas lideranças tivessem ousado voos maiores, provavelmente Itajaí já teria eleito uma mulher prefeita”, destaca.
Quando concorreu à prefeitura, Anna interrompeu um período de 30 anos sem uma candidata mulher para o cargo. “Foi preciso muita coragem e sabedoria para enfrentar preconceitos e lidar com a dificuldade de mudar comportamentos”, defende a parlamentar.
Ser mulher interfere em qualquer carreira, incluindo a política
Para Anna, o simples fato de ser mulher interfere não só na carreira dela, como nas de todas as mulheres.
“A política tradicional é masculinizada. As dificuldades aumentam quando a disputa é para o cargo de prefeita, já que homens passariam a ser comandados por uma mulher”, destaca.
Anna lembra que na época em que concorreu, a condição dela ser mulher foi muito discutida em todos os âmbitos.
“Na época em que concorri à Prefeitura, essa condição foi muito reforçada até em algumas igrejas, sob o pretexto de que mulheres devem ser submissas às ordens masculinas”, relembra.
Anna Carolina fala sobre os desafios de ser mulher na política e a busca por espaço no Executivo – Foto: Arquivo Pessoal/DivulgaçãoCom os anos, a parlamentar concorda que as lideranças femininas são mais aceitas, já que diariamente observamos mulheres se sobressaindo nas mais diversas profissões, sendo chefes de família, provedoras do lar e tendo liderança de destaque inclusive nas igrejas.
“Ser mulher não pode ser visto como um limitador e mulheres instruídas sabem da necessidade da atenção feminina no meio político, especialmente seu olhar mais apurado para as causas sociais”, finaliza.