Se a disputa pela prefeitura vinha mais comportada do que em outras cidades catarinenses até agora, o debate em Blumenau promovido pelo Grupo ND deve marcar uma virada de chave. O formato de duelos no púlpito estabelecido nos encontros transmitidos no ND Mais ajudaram a colocar os candidatos em confronto.
Debate entre os candidatos a prefeito de Blumenau do ND Mais aconteceu nesta quarta-feira (4) – Foto: Larissa da Silva/NDTVPelo menos dois duelos ficaram caracterizados. Sorteado duas vezes para abrir os blocos e escolher qualquer um dos adversários para o confronto, o ex-deputado estadual Ricardo Alba (Podemos) não titubeou em chamar nas duas vezes o deputado estadual Delegado Egídio (PL).
Debate em Blumenau teve “Alba Marçal” contra Egídio
Nas falas e no comportamento de Alba ficaram claras duas estratégias. A primeira, colar no candidato do PL as críticas que faz à gestão do prefeito Mario Hildebrant (PL), apoiador de Delegado Egídio. A segunda e mais aparente, imitar os trejeitos que deram visibilidade nacional a candidatura do influencer Pablo Marçal (PRTB) à prefeitura de São Paulo.
SeguirA postura fez com que Alba fosse diversas vezes repreendido pelo mediador Rodrigo Vieira pelos gestos que fazia enquanto durante o tempo de fala dos demais candidatos. E também conseguiu tirar do sério o candidato do PL, que confrontou Alba nos bastidores.
Curiosamente, Alba despiu o figurino Marçal quando escolhido pelo promotor aposentado Odair Tramontin (Novo) para falar sobre corrupção. O candidato do Novo também faz oposição à atual gestão.
Tramontin recusa “convite” de Ana Paula no debate em Blumenau
O duelo de Tramontin aconteceu com a deputada federal Ana Paula Lima (PT). Ao falarem sobre segurança pública, o candidato do Novo prometeu ser ele mesmo o secretário da pasta caso seja eleito prefeito. A petista brincou que convidaria Tramontin para a vaga em caso de vitória, mas recebeu como resposta uma negativa dura, dizendo que nunca integraria um governo do PT, que “dialoga muito amistosamente com o mundo do crime”.
Ana Paula Lima mostrou indignação com a fala de Tramontin e pediu direito de resposta, negado. A petista prometeu processar o promotor aposentado pela declaração. Foi o único momento em que a deputada federal subiu o tom. Na maior parte do debate em Blumenau, ela manteve uma postura de falar sobre a cidade, quase se referências ao PT e em tom crítico polarização nacional.
Com a candidata do PT mais branda, o discurso de esquerda – especialmente de questões identitárias – acabou ficando exclusivo para Rosane Martins (PSOL).