O candidato do PT ao governo de Santa Catarina, Décio Lima, encerrou ontem a série de entrevistas realizada pelo comentarista e articulista Paulo Alceu, no ND Notícias, na NDTV TV Record.
Jornalista Paulo Alceu entrevistou o candidato Décio Lima (PT) – Foto: Leo Munhoz/NDO petista aproveitou o espaço para falar sobre os planos para áreas de educação, saúde e segurança pública, além de concessão de rodovias estaduais e temas polêmicos como aborto e linguagem neutra nas escolas.
Décio Lima destacou que pretende ser o governador “não das armas, mas dos livros”, garantindo que se possa efetivamente fazer uma transformação de que a educação em Santa Catarina necessita. O candidato disse que quer investir no maior patrimônio da educação: o professor.
“O maior patrimônio que nós temos são os professores e eu vou começar a educação dando condições para que este patrimônio catarinense resolva os problemas da vulnerabilidade. Hoje 64% dos nossos professores não são concursados, nós temos que resolver o problema da carreira”, disse o candidato, ao emendar que deseja corrigir “as injustiças que foram cometidas principalmente na área previdenciária”.
Décio foi questionado por Paulo Alceu se manterá o decreto do governador licenciado Carlos Moisés proibindo a linguagem neutra nas escolas da rede pública.
Décio Lima (PT) foi o último entrevistado da série com os candidatos ao governo do Estado – Foto: Leo Munhoz/NDSegundo ele, não se pode tratar a educação sem um espaço que se permita o debate cultural, plural de ideias e não fazer processos restritivos de acordo com concepções ou com dogmas.
“A educação é mais do que isso. A educação é aquela que traz a expressão dos valores que a humanidade acumulou ao longo da sua história. Nós não podemos sectarizar, nós não podemos imaginar que a melhor educação é a militar, de que a educação é aquela que proíbe. A educação tem que ser um espaço livre dentro da consciência da cultura do povo de Santa Catarina e com respeito às suas manifestações em todos os sentidos”, respondeu.
Fundo Eleitoral
Quanto ao uso de aproximadamente R$ 1,5 milhão do Fundo Eleitoral na campanha, o candidato respondeu que é preciso aperfeiçoar a democracia, mas defendeu o uso dos recursos. “O pior era antes, com a presença dos banqueiros, das empreiteiras e por isso eu acho que essa experiência do fundo não pode ainda ser criminalizada”.
SUS estadual e proteção às mulheres
Sobre o programa de governo referente à saúde, Décio Lima pontuou que não pode ser vulnerabilizada. “O que um governador tem que ter é o compromisso com a vida”, frisou.
O candidato falou sobre educação, saúde e segurança pública – Foto: Leo Munhoz/NDSegundo o candidato petista, caso eleito, criará um SUS (Sistema Único de Saúde) estadual. “Unificado com a saúde básica que hoje é produzida pelas prefeituras, com a saúde da filantropia, da grande estrutura hospitalar que nós temos, e unificar esse processo para garantir ao povo catarinense uma saúde de qualidade”, resumiu.
Em relação à polêmica de legalização do aborto, Décio respondeu ser a favor da vida e da proteção das mulheres. “Meu candidato a presidente também tem essa concepção. O aborto tem que ser tratado pelo médico. Nós não podemos vulnerabilizar a vida”, afirmou o petista.
Para Décio, esse tema precisa ser esclarecido dentro das recomendações hoje apresentadas pela ciência e pela medicina. “A Organização Mundial da Saúde estabelece as regras nos casos de prática de aborto com recomendações subscritas pelos médicos. Nós não podemos vulnerabilizar a vida nem da criança e muito menos das mulheres”, ressaltou.
Segurança pública
O candidato do PT também foi questionado por Paulo Alceu em relação às ações pretendidas na área de segurança pública. Para Décio, primeiro deve-se valorizar instituições. “Todos temos orgulho da nossa PM. Nós precisamos reestruturar a Polícia Civil e nós precisamos ter um processo organizado em Santa Catarina”, comentou.
Décio Lima criticou o retorno de investimentos da União para SC – Foto: Leo Munhoz/NDLima destacou que as forças policiais catarinenses têm dificuldades de efetivos e o Estado está longe da recomendação da ONU (Organizações das Nações Unidas), que prevê um policial para cada 300 habitantes.
“Hoje nós superamos mil habitantes por policial, mas ao mesmo tempo que nós temos que tratar a segurança com política social de inclusão, nós temos que proteger os nossos jovens e não deixar eles vulneráveis nessa situação”.
Concessão de rodovias
De acordo com o petista, é obrigação do Estado oferecer para a economia de Santa Catarina uma logística fundamental para o crescimento econômico. Ele criticou o retorno da União em investimentos para Santa Catarina.
O petista alfinetou o atual governo estadual – Foto: Leo Munhoz/ND“Lamentavelmente, de R$ 97 bilhões arrecadados em Santa Catarina apenas 7% vão voltar para SC em investimentos. No nosso governo, do Lula e da Dilma, era 60%. Isso nos permitiu duplicar a BR-101 Sul, fazer a ponte Anita Garibaldi, 30 institutos federais e com isso dar um crescimento junto com as obras do Porto Itajaí, Porto São Francisco e o Porto de Imbituba de R$ 14 bilhões no crescimento do PIB catarinense, levando Santa Catarina a ser a sexta economia do Brasil”, justificou o candidato.
Décio aproveitou para criticar o atual governo estadual. “Quero apresentar o maior plano para fazer com que Santa Catarina tenha melhores rodovias e na criação de novos modais. Como é que eu vou fazer isso? Fazendo um projeto de estado. Não um arremendo. Não uma política do toma lá dá cá. Não uma política do Pix. Mas construindo uma política junto com os empresários das cadeias produtivas”, alfinetou.
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