Já foram definidos os cinco integrantes da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), que vai apurar possíveis irregularidades relacionadas à pavimentação da rua José Rafael Schmitt, no bairro Santa Terezinha, em Gaspar, no Vale do Itajaí. A obra foi citada em uma polêmica que culminou com o pedido de exoneração do ex-secretário municipal da Fazenda, Jorge Prucinio Pereira.
José Hilário Melato (PP), Roberto Procópio (PDT), Zilma Sansão Benvenutti (MDB), Francisco Solano Anhaia (MDB) e Betinho Santos (MDB) foram escolhidos para integrar a comissão que irá investigar a obra citada em áudios e vídeos que tiveram grande repercussão nas redes sociais, supostamente atribuídos a falas do ex-secretário, que poderá inclusive ser interrogado pelos vereadores.
Entenda como funciona a instalação da CPI
A instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) foi aprovada na Câmara de Gaspar na sessão ordinária do dia 4 de abril. O vereador Roberto Procópio (PDT), proponente da comissão, detalhou ao ND+ a forma como os trabalhos serão conduzidos.
Seguir“Nosso requerimento teve a assinatura da maioria dos vereadores e foi aprovado. A partir da aprovação, os líderes partidários possuem cinco dias para indicar os membros da comissão. Então, nesse prazo se indicam os membros, a Câmara edita uma resolução com o objetivo de formar a CPI. A partir disso, os membros se reúnem e aí vão definir o presidente, o relator e a forma de trabalho”, pondera o vereador Procópio.
Outro tema destacado pelo parlamentar é que a CPI poderá requerer análise dos áudios e vídeos que vazaram sobre o assunto, comprovando se há ou não edições no material e as razões do vazamento. O parlamentar lembra que será investigado neste caso apenas o segundo áudio que trata sobre a obra no bairro Santa Terezinha, já que no primeiro áudio vazado não haveria indícios de irregularidade, segundo o vereador.
“Com base nesse segundo vídeo/áudio, que a gente suspeita que há várias edições, as investigações se concentram. Ali há informações sobre valores, pagamentos que estariam sendo exigidos a princípio e que podem caracterizar, no mínimo, o crime de corrupção passiva. (…) Neste segundo áudio, ele está mais completo, há mais informações e vamos fazer essa apuração junto aos órgãos competentes”, afirma.
O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) também divulgou que está acompanhando o caso, por meio de outra investigação que não possui relação com a CPI da Câmara de Vereadores. Porém, ao final da comissão com prazo de duração de 120 dias, ele deverá receber o relatório final aprovado pelos vereadores, para tomar as medidas cabíveis, segundo o parlamentar.
“Ao final da CPI, esse nosso relatório será encaminhado ao Ministério Público para que ele adote os procedimentos cabíveis relacionados a possíveis crimes ou supostos atos de improbidade administrativa praticados, já que cabe ao MP propor as medidas judiciais cabíveis”, finaliza.
Relembre o caso
No final de março, áudios atribuídos ao então secretário municipal de fazenda de Gaspar, Jorge Prucinio Pereira vazaram com frases desencontradas e termos como “ele pediu R$ 150 mil para a campanha”. O assunto foi trazido pelo ND+ através da colunista Karina Manarin.
Em seguida, o secretário pediu exoneração do cargo, alegando ameaças pessoais. Ele deixou o cargo em 28 de março, após receber uma carta com ofensas à sua família.
Posteriormente, após a repercussão do caso, a Câmara de Gaspar discutiu amplamente o tema na sessão ordinária daquela semana. O vereador Roberto Procópio de Souza (PDT) apresentou o requerimento de uma CPI.
Segundo o parlamentar, a decisão em instaurar a CPI ocorre pois, na suposta conversa, é feita menção a uma obra realizada no município. Conforme o requerimento assinado por ele, o teor do áudio vazado “dá a entender o possível recebimento de numerários em troca da realização da benfeitoria”.
De acordo com a Câmara de Gaspar, caso a CPI seja aprovada, ela deverá ser composta por cinco integrantes, respeitando a proporcionalidade dos membros da casa. Se instalada, ela terá um prazo de vigência de 120 dias, conforme o regimento interno.