Depoimento de Luciano Hang é marcado por discussão e confissões durante a CPI da Covid

Sessão ficou marcada por confusão entre o advogado do empresário catarinense e membros da CPI; Hang admite que mãe morreu de Covid-19 e ainda não foi vacinado

Redação ND Florianópolis

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Em uma sessão conturbada do início ao fim, o depoimento do empresário Luciano Hang à CPI da Covid nesta quarta-feira (29) durou cinco horas e foi marcado por discussões e confrontos entre os senadores e também entre o catarinense e os membros da CPI.

Luciano Hang durante o depoimento desta quarta-feira – Foto: Ag. Senado/Divulgação/NDLuciano Hang durante o depoimento desta quarta-feira – Foto: Ag. Senado/Divulgação/ND

Luciano Hang movimentou os corredores do Senado Federal desde a chegada, pouco antes das 10h da manhã. O empresário cumprimentou apoiadores, deu entrevistas e até gravou um vídeo ao lado do senador Jorginho Mello (PL-SC) dizendo que deveria estar indo a Brasília para “receber um certificado honorário pela colaboração no enfrentamento à pandemia”.

O depoimento, marcado para às 10h, teve início efetivamente apenas às 11h. Em sua fala inicial, o empresário – que foi à CPI sob a condição de investigado – destacou que não existe nenhuma prova contra ele. Hang contou sua história de vida e fez questão de destacar que “não conheço, não faço e nunca fiz parte de nenhum gabinete paralelo; Nunca financiei nenhum esquema de fake news; não sou negacionista”, além de ressaltar que “não é e nunca foi” contrário à vacina contra a Covid-19.

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Negócios e confusão

O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), abriu os questionamentos perguntando sobre os negócios de Luciano Hang. O empresário respondeu que tem “duas ou três” contas fora do Brasil e agradeceu o questionamento sobre o relacionamento com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento do Extremo Sul), respondendo que nunca pegou empréstimos do banco estatal.

Em contrapartida, a CPI apontou que documentos repassados pelo BNDES apontam 57 operações do banco de financiamento com o empresário Luciano Hang, totalizando R$ 27 milhões. Em resposta, o empresário negou qualquer favorecimento.

Na sequência, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) pediu que o empresário fosse objetivo nas respostas e se ativesse aos fatos, “sem fazer comício” e, em seguida, alegou ter sido desacatado por Breno Brandão, um dos advogados de Hang e pediu que ele fosse retirado do plenário da CPI da Covid.

A discussão tomou conta do plenário e o presidente Omar Aziz (PSD-AM) determinou a saída do advogado, o que piorou a discussão e causou a suspensão da sessão por 40 minutos. No retorno, o advogado se desculpou com o senador e a sessão foi retomada.

Morte da mãe e tratamento precoce

Um dos pontos altos da sessão foi quando Luciano Hang admitiu à CPI que a mãe, Regina Hang, morreu em decorrência da Covid-19. O caso era uma das principais questões na pauta dos membros da CPI desde que um dossiê entregue por ex-médicos da Prevent Senior teria demonstrado que o atestado de óbito de Regina Hang não apontava a Covid-19 como a causa da morte.

“Eu sou leigo, não sei o que tem que colocar no atestado de óbito. Fiquei sabendo aqui pela CPI que não estava certo. Então procurei a Prevent Sénior, e acho que vocês senadores foram levados a erro. É uma coisa fantasiosa pensar que eu pediria para retirar a Covid para reduzir a notificação. Na Comissão de Controle Hospitalar, onde ela adentrou no hospital no dia 3 de janeiro, e a entrada mostra Covid, e a saída mostra Covid. Foi sim notificada a morte de minha mãe como Covid-19”, disse Luciano Hang.

O empresário também relatou que a mãe foi tratada com o chamado “kit covid” prescrito por médicos consultados pela família antes da internação na rede Prevent Senior.

“Ela tinha problemas, era uma senhora com muitas comorbidades. Quando o Covid foi detectado, ela estava com 90% do pulmão infectado. Tratamos ela com cloroquina, ivermectina, azitromicina, como tratamento inicial. Tratamento preventivo é uma coisa e inicial é outra”, declarou.

Votos para Bolsonaro e descrédito à pandemia

Outro ponto questionado pela CPI foi o fato de Hang ser investigado pelo Ministério Público por ter, supostamente, coagido e ameaçado funcionários para votarem em Jair Bolsonaro (sem partido) nas eleições de 2018.

O empresário confirmou que é investigado, mas negou os fatos. “Nós temos 22 mil colaboradores, é só perguntar a eles. Como é que eu vou ameaçar 22 mil pessoas? Realmente sou processado pelo MPSC, mas jamais vou intimidar meus funcionários, sou inocente”, declarou.

Hang também foi questionado sobre desacreditar a pandemia, apesar dos números de infectados e mortos pela Covid-19. Em resposta, ressaltou que “sempre acreditei na doença, nos remédios para a doença e na vacina” e negou ter desacreditado o número de mortos pela doença.

Além disso, o catarinense respondeu sobre o projeto de compra de vacinas por empresas para imunizar trabalhadores. Ele disse que “comprariam qualquer vacina que aparecesse”, mas revelou que ainda não tomou a vacina contra a Covid-19 sob a justificativa de que possui um nível de “anticorpos alto” e uma espécie de “neutralizante natural”.

“‘Eu nunca vi alguém com um índice tão alto de imunidade. Você só vai se vacinar quando sua imunidade baixar’, disse o meu médico. Talvez seja porque eu ando muito na rua. Dia 7 de setembro é um bom exemplo, depois os casos baixaram”, justificou, em resposta à senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA).