A última sessão presencial da CPI dos Respiradores repercutiu o depoimento do presidente do TCE (Tribunal de Contas do Estado), Adircélio Ferreira Moraes Júnior, ao procurador-geral de Santa Catarina, Fernando Comin, em vídeo disponibilizado pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina).
CPI dos Respiradores encerrou fase presencial nesta terça-feira. Reprodução TVAL/ND – Foto: cpi 277Para os deputados, o depoimento é a prova de que o governador Carlos Moisés sabia de detalhes da compra dos 200 respiradores, como a necessidade de garantias para efetuar o pagamento antecipado.
Para melhor compreensão da importância do depoimento, o relator da CPI dos Respiradores, deputado estadual Ivan Naatz (PL), apresentou ofício de consulta ao governador Carlos Moisés ao presidente do TCE datado de 2 de abril.
SeguirNa sequência, o relator dividiu o depoimento em seis trechos que destacaram algumas informações, como as orientações para contratação de um hospital de campanha, a situação do pagamento antecipado, e os contatos de Adircélio com o secretário da Saúde, Helton Zeferino, e o governador Carlos Moisés, até a formalização da consulta junto ao TCE e a emissão do parecer técnico.
“Desse depoimento do presidente do TCE se vê indiscutivelmente que o governador faltou com a verdade com a CPI quando respondeu aos questionários que foram colocados para ele. O governador tentou dizer que não sabia quando na verdade sabia”, concluiu Naatz.
Satisfeito com o trabalho realizado, o relator apresentou um cronograma final para a CPI, com reunião fechada no próximo dia 18 de agosto para leitura do relatório preliminar, e no dia 20 de agosto a leitura do relatório conclusivo da CPI, que colheu 62 depoimentos.
Para o deputado estadual Kennedy Nunes (PSD), o depoimento também foi esclarecedor. “Pra mim está muito claro que o governador sempre soube do processo. É a pá de cal em cima dessa questão. Não precisamos saber que dia que foi, pois temos uma certeza, o governador sabia de tudo”, declarou.
Nunes chegou a pedir para inclusão no relatório final um pedido de impeachment do governador Carlos Moisés por mentido à CPI, com as respostas em questionário formulado pela comissão.
O deputado estadual também apresentou foto do whatsapp de conversa do secretário de Saúde, Helton Zeferino, com a chefe de gabinete do presidente do TCE, datado de 31 de março.
Segundo Nunes, essa seria a data do telefonema de Zeferino ao presidente do TCE para consulta sobre pagamento antecipado. “Secretário Helton mentiu para nós também. Ele disse que o governador só ficou sabendo quando ele saiu da PGE (Procuradoria Geral do Estado) no dia 15 (de abril)”, completou.
Para o deputado estadual Valdir Cobalchini (MDB), o depoimento do presidente do TCE simboliza o trabalho realizado pela CPI. “Muito dos questionamentos feitos pelo procurador geral nós fizemos aqui aos depoentes”, explicou.
“Esse depoimento de hoje foi um bom encerramento nessa fase de construção do relatório porque certamente vai acrescentar bastante coisa. Nesse ponto, pra mim, se alguém sabia ou não sabia, não faz a menor importância, por tudo que ouvimos aqui”, completou Cobalchini.