Em Brasília, deputado federal Coronel Armando (PSL) recebeu a equipe de reportagem do Grupo ND para uma entrevista exclusiva. O parlamentar ponderou que o momento é de união entre a classe política, entidades, associações e população.
Armando também falou sobre a relação do governo Jair Bolsonaro com os catarinenses, mas evitou se comprometer publicamente com ações mais efetivas para exigir mudanças no envio de recursos federais para a infraestrutura rodoviária de Santa Catarina.
“Com certeza nós temos que ser cobrados por isso”, afirmou o deputado federal Coronel Armando (PSL), em Brasília, durante entrevista ao Grupo ND – Foto: Luiz Rodrigues/NDTV BrasíliaND: O que o deputado Coronel Armando está fazendo em prol das rodovias federais de Santa Catarina?
Coronel Armando: Nós que participamos do Fórum Parlamentar Catarinense trabalhamos quase que o tempo todo em conjunto. Os 16 deputados federais e os três senadores, hoje sob presidência da Ângela Amin, a gente tem levado as demandas para o ministro Tarcísio de Freitas da Infraestrutura.
Nós sabemos as dificuldades que o governo federal de verbas para as rodovias, mas para nós catarinenses isso não pode ser o motivo para pararmos de cobrar o governo federal. Eu sou base do governo e estive com o ministro Tarcísio, ele mesmo me disse que esta querendo ir para Santa Catarina em dezembro na BR-280.
Nós temos ali na BR-280 vários trechos começando em São Francisco do Sul e terminando em Porto União, no trecho inicial até Joinville só 13% dela está concluída, no trecho de Jaraguá do Sul está bem mais evoluído que tem dinheiro do governo do estado e depois ela segue.
Mas, quando chega perto de Porto União há também a necessidade de fazer uma terceira pista em alguns trechos principalmente em Mafra e Rio Negrinho. Sabemos da demanda, inaugurando fábricas lá, a JBS vai ter 1400 caminhões por dia saindo da JBS, então se não ampliarmos as nossas rodovias será prejuízo para a nossa economia.
Eu falo pessoalmente, porque perdi o meu pai em um acidente na BR-101 no trecho de Joinville em 1992, a rodovia ainda não era duplicada houve um acidente destes grandes, um caminhão acertou o carro do meu pai, ele entrou em coma e faleceu.
Então, sabemos o drama que é tanto para a nossa economia, mas principalmente para quem perde um parente na rodovia. E o nosso estado é pujante, somos o sexto estado que mais arrecada, mas o nosso retorno é muito pequeno.
E se recebermos recursos do governo federal poderemos ampliar mais a nossa economia e até facilitar essas obras. Nós temos trabalhado junto com os demais parlamentares levando as nossas demandas.
ND: As demandas existem e são de conhecimento da sociedade e dos parlamentares. Porque nada ou pouco acontece? Falta cobrança da bancada?
Coronel Armando: Eu não acredito que falta cobrança. Nós sempre trabalhamos em conjunto, há cobrança, lógico que é uma cobrança educada, mas firme da nossa parte e o governo, o presidente valoriza muito o nosso estado o mais bolsonarista.
Ele tem investido só que o pessoal não está vendo. Estamos fazendo o contorno rodoviário de Florianópolis, um trecho de mais de 50 quilômetros com túneis, concessionado.
E é aí a solução. Se trabalharmos com as concessões é possível sim fazer as duplicações necessárias não só na BR-280, mas também a BR-470. O trecho do aeroporto de Navegantes até a BR-101 é o primeiro trecho e já deveria estar concluído. Acho que nós deveríamos priorizar as obras por etapas.
Na BR-280 também deveria ter começado o trecho que vai a Joinville não fazendo lá na frente de Jaraguá um túnel podendo dimensionar recursos para fazer a parte de Joinville até São Francisco do Sul e vai fazendo em módulos sequenciais, e não começar uma parte em um ou outro, mas quem faz o planejamento são eles [o governo].
ND: O deputado não pode atuar e cobrar de uma forma mais efetiva para que as demandas sejam atendidas conforme a necessidade da região?
Coronel Armando: Isso nós fazemos. Falo da BR-280, da BR-282 que a solução é uma terceira via. Existe uma solução de pedagiar a BR-282 ligando com a BR-116, é uma proposta que já foi levada.
Tem no Sul a BR-285, uma conclusão que faltava R$ 30 milhões, o governo federal deve entregar. E ainda a prioridade no momento é a BR-470. Sabemos dessa dificuldade e dentro da campanha SC Não Pode Parar precisamos pensar em Santa Catarina para daqui alguns anos.
Não adianta termos uma BR-101 duplicada que não anda que você leva cinco horas para ir de Joinville a Florianópolis e no verão isso vem acontecendo sempre naquele trecho de Itajaí, Balneário Camboriú, entrada de Brusque, outro nó que nós temos.
Então nós precisamos resolver isso e o governo federal não pode ficar fora disso. O governo do estado tem também ajudado com recursos, os municípios não tem recurso para isso, mas há necessidade sim, temos atuado na bancada.
ND: De que forma o deputado pode colaborar para reverter essa questão da contemplação de recursos federais para Santa Catarina?
Coronel Armando: Nós somos parlamentares eleitos, mas as nossas associações têm muita força. Quando a Fiesc entra em um processo deste, ou a Facisc, eu participei de uma reunião trazendo os mesmos problemas, muda a associação, mas os problemas são os mesmos.
Nós atuamos em conjunto. A imprensa, as associações e os parlamentares trazendo em conjunto e mobilizando é uma forma de mostrarmos a nossa necessidade, insatisfação, e contribuir até para melhorar a renda do Brasil. Temos que trabalhar em conjunto e é isso que podemos fazer.
Gostaria que fosse de uma outra forma, chegasse e vai fazer, mas não é bem assim. Existem outras prioridades e não dá para agir desta forma como a gente gostaria para poder ter uma solução mais rápida.
Vemos também o orçamento da união o que sobra para o Ministério da Infraestrutura é pouco. O Ministério da Infraestrutura tem em torno de R$ 7 bilhões para cuidar das rodovias, ferrovias, aeroportos e portos, então é muito pouco.
Só a BR-280 é quase um bilhão para fazer a conclusão dela, quer dizer, uma parte muito significativa do orçamento estaria só em uma única rodovia de Santa Catarina, e o governo tem que atender também outras prioridades.
Nós reconhecemos isso, mas não gostaríamos de ser esquecidos pelo governo e é isso que eu acho que essa campanha fará, podemos marcar outra audiência com o ministro, cabe a nós termos uma audiência com o presidente da república, ele é nosso parceiro, sabemos disso, mas também de uma forma mobilizada.
Temos recebido informações de que o governo federal tem investido neste ano e no próximo ano mais recursos no nosso estado.
ND: Qual o compromisso que o senhor pode assumir? Cobrar mais do governo federal?
Coronel Armando: Esse cobrar é relativo, mas o presidente olha para a nossa terra. Tarcísio é mais fácil de falarmos com ele. Já conversei com ele que disse que irá na BR-280 agora em dezembro.
Eu já tinha conseguido dele, ano passado, ele participou na ACIJ em Joinville de um evento de forma online, então ele não se furta só que a resposta que temos tido não é a que gostaríamos.
ND: Reverter isso depende também dos deputados?
Coronel Armando: Com certeza nós temos que ser cobrados por isso. Não viemos aqui só para defender o governo, nós também temos que defender a população de Santa Catarina e nós estamos fazendo isso.
Vamos chegar no governo desse lado. Esperamos que tenhamos um retorno positivo. Mas, é muito importante essa campanha que está sendo feita.
CAMPANHA SC NÃO PODE PARAR
Lançada em julho, a iniciativa da Fiesc em parceria com o Grupo ND pretende sensibilizar a sociedade e as autoridades sobre a situação das rodovias federais que cortam o território catarinense.
O Grupo de Trabalho BR-101 do Futuro, coordenado pela federação, apontou a necessidade de investimentos emergenciais na ordem de R$ 2,6 bilhões somente na BR-101, a mais movimentada no estado.
Engenheiros e técnicos da Fiesc, fizeram um raio X de todas as rodovias federais apontando os principais gargalos e as possíveis soluções para as que os eixos logísticos do estado não entrem em colapso.
O movimento cobra a conclusão das obras de duplicação das BRs 470 e 280, término do contorno viário da grande Florianópolis, além da restauração, manutenção preventiva e corretiva, e construção de faixas adicionais nos pontos mais críticos das BRs 282, 163 e 285.
No fim de novembro, o movimento disponibilizou um abaixo-assinado digital para o envolvimento de toda a população nesta que é uma causa em prol de toda a sociedade catarinense. Assine, faça a sua parte. Acesse www.sosbrs.com.br