Dinheiro e poder: Ronnie Lessa revela motivo do assassinato de Marielle Franco

Ex-vereadora era considerada ‘pedra no caminho’; morte foi por promessa para Ronnie Lessa chefiar milícia no Rio de Janeiro

Foto de Deny Campos

Deny Campos Florianópolis

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Loteamentos em Jacarepaguá (RJ) e comando da milícia local foram as promessas que motivaram o ex-policial militar Ronnie Lessa a assassinar a ex-vereadora Marielle Franco (PSOL), em 14 de março de 2018. O acusado confessou o crime e apontou os mandantes durante delação.

Ronnie LessaMotivo de Ronnie Lessa ter matado Marielle Franco foi promessa de comando de milícia no RJ – Foto: Internet/Reprodução/ND

Em depoimento, Lessa afirmou que os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão ofereceram a ele e a outro comparsa – o ex-PM Edilson de Oliveira, conhecido como Macalé (morto em 2021) – um loteamento clandestino como uma das formas de pagamento pelo assassinato de Marielle.

“Era muito dinheiro envolvido. Na época, ele falou em R$ 100 milhões que, realmente, as contas batem. R$ 100 milhões seria o lucro do loteamento. São 500 lotes de cada lado. Na época, daria mais de US$ 20 milhões”, disse o ex-policial durante a delação.

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Segundo Ronnie Lessa, no loteamento haveria exploração de serviços como internet pirata, venda de gás e transporte de moradores. “Foi um impacto. Ninguém recebe uma proposta de receber US$ 10 milhões simplesmente para matar uma pessoa”, afirmou.

Promessa de comandar milícia motivou Ronnie Lessa a matar Marielle

Ronnie Lessa afirmou que os irmãos Brazão prometeram que ele seria um dos donos do empreendimento da milícia em Jacarepaguá. “Na verdade, eu não fui contratado para matar a Marielle, como um assassino de aluguel. Eu fui chamado para uma sociedade”, declarou.

Segundo o acusado, ele teria se encontrado com os irmão Brazão por pelo menos três vezes em uma avenida na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, para falar sobre a motivação do assassinato de Marielle Franco.

Marielle FrancoMarielle Franco foi morta em 14 de março de 2018 – Foto: Arquivo/Agência Brasil/Divulgação/ND

“A Marielle foi colocada como uma ‘pedra no caminho’. Ela teria convocado algumas reuniões ou uma reunião com várias lideranças comunitárias, se não me engano, no bairro de Vargem Grande ou Vargem Pequena, em Jacarepaguá, justamente para falar sobre essa situação, para que não houvesse adesão a novos loteamentos da milícia”, alegou Lessa.

Ronnie Lessa destacou na delação que a ex-vereadora iria ‘atrapalhar os negócios’ dos milicianos. “Isso foi o que o Domingos passou para a gente: ‘A Marielle vai atrapalhar e nós vamos seguir isso aí. Para isso, ela tem que sair do caminho’”, acrescentou o ex-PM, se referindo a Domingos Brazão.

Defesa dos irmãos Brazão diz que ‘não há provas da narrativa’

A defesa de Domingos Brazão alegou que não existem elementos que sustentem a versão de Ronnie Lessa e que não há provas da narrativa exposta pelo ex-policial durante a delação.

Irmãos BrazãoIrmãos Brazão são acusados de mandar matar Marielle Franco – Foto: Agência Brasil/Reprodução/ND

Os advogados de Chiquinho Brazão afirmam que a delação do ex-PM é uma tentativa desesperada de buscar benefícios próprios e que “são muitas as contradições, fragilidades e inverdades” de Lessa.

Ronnie Lessa está preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, desde dezembro de 2020, mas ainda não foi condenado. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, homologou a delação premiada de Lessa em março deste ano.

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