Os diplomatas da Venezuela que estão no Paraguai foram expulsos do país após Assunção romper relações com Caracas. O presidente paraguaio, Santiago Peña, declarou apoio a Edmundo Gonzáles Urrutia, opositor de Nicolás Maduro, e afirma que ele venceu as eleições de julho, segundo informou a Presidência nesta segunda-feira (6).
Presidente paraguaio Santiago Peña exigiu a saída dos diplomatas venezuelanos nesta segunda-feira (6) – Foto: AFP/NDDiplomatas da Venezuela devem sair no Paraguai imediatamente
O governo paraguaio “exige que o embaixador Ricardo Capella e o pessoal diplomático acreditado no Paraguai abandonem o país nas próximas 48 horas”, diz o comunicado da Presidência.
Ainda, o governo de Peña afirma que “ratifica o firme e contundente apoio do Paraguai ao direito do povo venezuelano a viver em uma democracia”.
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O embaixador Ricardo Capella e demais diplomatas da Venezuela não são mais bem-vindos no Paraguai após decisão de Peña – Foto: @embaveparaguay/Instagram/NDPerseguição a opositores, expulsão de diplomatas e recompensa pela captura de rival: a conturbada eleição de Nicolás Maduro
No dia 29 de julho, após semanas conturbadas de campanha, Maduro foi proclamado vencedor das eleições para presidente da Venzuela pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral). Derrotando o opositor Edmundo Gonzáles Urrutia com 51,25% dos votos, Maduro foi reeleito pela segunda vez e declarou o resultado como ‘irreversível’. O novo mandato vai até 2030.
No mesmo dia da vitória, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, publicou em seu perfil no X uma lista de países que contestaram o resultado e, por isso, teriam seus diplomatas expulsos do país. Argentina, Chile, Costa Rica, Peru, Panamá, República Dominicana e Uruguai estavam na lista. O governo também ordenou que os diplomatas venezuelanos nesses países retornassem a Caracas.
No dia 31 de julho, Maduro pediu a prisão da líder da oposição María Corina Machado e de González Urrutia após os opositores declararem que venceram as eleições e denunciarem uma escalada da repressão que deixou pelo menos 11 civis mortos e dezenas de feridos, além de mais de mil detidos, em menos de dois dias após o resultado do pleito.
A líder da oposição Corina Machado e seu candidato González Urrutia tiveram prisão decretada após vitória de Maduro – Foto: Reprodução/XA posse de Maduro está marcada para a próxima sexta-feira (10). Pouco mais de uma semana antes da cerimônia, no último dia 2, a polícia venezuelana publicou, em suas redes sociais, uma recompensa de US$ 100 mil (mais de R$ 600 mil), para quem ajudar a prender González Urrutia.
Mesmo sem ter sido oficialmente convidado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu que não estará presente na posse por discordâncias durante as eleições venezuelanas. Na época, ele criticou a maneira como Maduro lidava com os opositores.
Governo de Santiago Peña não reconhece vitória de Maduro nas eleições venezuelanas
A decisão pela expulsão dos diplomadas da Venezuela do Paraguai acontece quatro dias antes da cerimônia de posse de Maduro. Peña reconhece a vitória de González Urrutia nas eleições e diz que os venezuelanos devem ter o direito de viver em uma democracia.
*Com informações da AFP