Discussão entre fiscais movimenta 2º turno em colégio de Florianópolis; saiba o que aconteceu

Os relatos foram coletados pela reportagem do ND+, no Instituto Estadual de Ensino, um dos principais locais de votação da capital catarinense

Foto de Ada Bahl

Ada Bahl Florianópolis

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Uma discussão entre fiscais do PT e do PL movimentou a votação para o 2° turno das eleições, no IEE (Instituto Estadual de Educação), no Centro de Florianópolis. O desentendimento começou após uma fiscal questionar o tamanho de um dos crachás do fiscal de outro partido neste domingo (30).

Instituto Estadual de Educação é um dos principais locais de votação em Florianópolis – Foto: Ada Bahl/NDInstituto Estadual de Educação é um dos principais locais de votação em Florianópolis – Foto: Ada Bahl/ND

Próximo das 9h10, houve um princípio de confusão no corredor central do colégio. A discussão começou após uma das fiscais do PT (Partido dos Trabalhadores) reclamar do tamanho do crachá de um dos fiscais do PL (Partido Liberal), que excedia o permitido por lei.

O crachá havia sido impresso em uma gráfica, em folha A4. O fiscal não destacou a credencial, usando a folha inteira sob o pescoço. A reclamação foi levada para a auxiliar eleitoral Jamira Furlani.

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Discussão gerou tumulto

Assim que o argumento foi apresentado pela fiscal do PT, o grupo do PL retrucou o comentário, alegando que ao menos era possível verificar a autenticidade dos crachás do PL, por terem um QR code que permitia a identificação do documento.

Discussão gera debate entre fiscais de partidos durante a votação para o 2º turno, em Florianópolis – Foto: Ada Bahl/NDDiscussão gera debate entre fiscais de partidos durante a votação para o 2º turno, em Florianópolis – Foto: Ada Bahl/ND

O fiscal do PL questionou então a legalidade do crachá usado pelos fiscais do PT, que tinham anotações e assinaturas escritas à mão. A partir desse momento, o clima esquentou entre os representantes.

“Todo o nosso partido trouxe a identificação com QR code. Os fiscais do PT estão com anotações feitas a mão, sem que seja possível confirmar a veracidade. Assim, qualquer um podia usar o crachá e causar tumulto”, argumentou o PL.

A auxiliar da Justiça Eleitoral Jamira, que mediou a situação, entrou em contato com o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) e conferiu as regras oficiais. De acordo com o código, o padrão dos crachás da fiscalização do Partido dos Trabalhadores já havia sido aprovado pelo TRE, não havendo justificativas para o conflito.

“A identificação com QR code não é obrigatória. Inclusive, o padrão do crachá dos fiscais do PT foi apresentado no dia do treinamento dos auxiliares. Se ele se sentiu ofendido, tem que pegar o nome da fiscal e realizar uma denúncia diretamente para o TRE”, disse Jamira.

Porém, ela explica que a identificação tem um tamanho pré-definido, não podendo ultrapassar 11 x 15cm.

Votação no IEE

A não ser pela discussão entre os fiscais, a votação ocorreu tranquilamente nas 25 seções do Instituto Estadual de Educação. O dia quente de primavera não impediu que o eleitorado do colégio fosse exercer o direito ao voto neste domingo.

A sombra das árvores foi a salvação para o calor de alguns eleitores – Foto: Ada Bahl/NDA sombra das árvores foi a salvação para o calor de alguns eleitores – Foto: Ada Bahl/ND

O casal Eugênia Piccolo Vieira, 83 anos, e Alcídio Vieira, 85 anos, junto há mais de 60 anos, saiu da casa de praia para votar no Centro neste 2º turno. “A gente enfrentou fila para estar aqui hoje. Não abrimos mão do nosso voto”, disse Eugênia.

“Para nós importa muito, não por nós dois, mas pelas próximas gerações. A gente vota pensando neles, nessa juventude”, explica a senhora.

Casal, junto há mais de 60 anos, não abre mão do voto para as Eleições 2022 – Foto: Ada Bahl/NDCasal, junto há mais de 60 anos, não abre mão do voto para as Eleições 2022 – Foto: Ada Bahl/ND

Também pensando na geração do futuro, a mãe Gisele Santana, 40 anos, levou as duas filhas para acompanhá-la na votação deste 2º turno. “É importante elas já verem essa movimentação e entenderem a importância do voto”, disse Gisele.

As meninas, Luiza, 3 anos, e Laura, 1 ano, inclusive ajudaram a mãe a confirmar os números na urna. “Muito legal participar”, disse Luiza.

Gisele levou as filhas, Luiza e Laura, para a votação neste domingo (30) – Foto: Ada Bahl/NDGisele levou as filhas, Luiza e Laura, para a votação neste domingo (30) – Foto: Ada Bahl/ND

Manhã de sol em Florianópolis

A manhã quente motivou muitos eleitores a trazerem não só a família, como os pets para aproveitarem a saída e ir passear. Foi o caso de Luiz Carlos, de 64 anos, que levou a cadelinha Hanna para a seção.

Cadelinha Hanna acompanha seu tutor na votação neste 2º turno – Foto: Ada Bahl/NDCadelinha Hanna acompanha seu tutor na votação neste 2º turno – Foto: Ada Bahl/ND

Ele conta que Hanna é sua parceira e muito comportada, ela ficou esperando na fila e entrou na sala para votar junto com o dono. “Ela me acompanha aonde eu vou, inclusive no 1º turno”, diz.

A entrada de animais nas seções é critério do presidente da sala. O presidente permitindo, fica liberada a permanência do animal no local e durante a votação, conforme os auxiliares da Justiça Eleitoral.

Eleitorado já tirou as dúvidas

Outro detalhe percebido pelos auxiliares foi a diminuição da procura por informações e orientações. Enquanto no 1º turno a demanda por atendimentos por parte do eleitorado foi grande, o dia do 2º turno seguiu tranquilo.

Poucas filas e nenhum problema foi relatado durante a manhã deste domingo de votação – Foto: Ada Bahl/NDPoucas filas e nenhum problema foi relatado durante a manhã deste domingo de votação – Foto: Ada Bahl/ND

“Muitos já sabem onde votar e já tiraram suas dúvidas no 1º turno, raros são os eleitores que não votaram no primeiro dia. E também, como a organização e disposição das salas precisa ser a mesma, não causa confusão entre o eleitorado”, diz a auxiliar da Justiça Eleitoral Jamira Furlani.

Aos que não sabem a seção ou querem justificar e possuem o número do título, é necessário ter os dados em mãos e ligar no Disque Eleitor, através do número 0800 647-3888.

A auxiliar de sala da seção 250, Priscila Cristina Freitas, reforça que a votação no colégio segue com tranquilidade. “O 1º turno foi um pouco mais movimentado, mas, mesmo assim, calmo. Não deu nenhum problema. Essa seção é mais tranquila, não tem muitas filas, então a gente fica esperando alguém aparecer”, conta.

Priscila trabalhou no 1º turno e agora marca presença no segundo dia de votação – Foto: Ada Bahl/NDPriscila trabalhou no 1º turno e agora marca presença no segundo dia de votação – Foto: Ada Bahl/ND

Expectativa alta para o comércio

Outros que aproveitaram o dia quente e a movimentação para a votação foram os comerciantes locais. A doceira Vanessa, de 28 anos, que também esteve presente no colégio no 1º turno, conta que a expectativa para o segundo dia segue alta.

Já nas primeiras horas do dia, Vanessa foi recebida por muitos clientes – Foto: Ada Bahl/NDJá nas primeiras horas do dia, Vanessa foi recebida por muitos clientes – Foto: Ada Bahl/ND

Já no início da manhã, muitos clientes se aproximaram da barraca para comprar as delícias expostas no balcão. “O pessoal já me conhece, essa é a quinta eleição que eu trabalho assim. As vendas no primeiro dia foram muito boas, e agora, como está acirrado, o pessoal vai vir com mais força”, diz.

O dono de uma hamburgueria, Carlos, de 32 anos, concorda e espera um aumento no faturamento deste domingo. “No último turno choveu e eu precisei ir para casa, mas hoje o dia está bonito e bem quente, o que favorece as vendas de bebidas”.

Carlos decidiu fazer vendas para conseguir uma renda extraCarlos decidiu fazer vendas para conseguir uma renda extra

Ele explica que não costuma trabalhar em eleições, mas decidiu apostar no trabalho para conseguir uma renda extra para a casa.

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