Donald Trump se despede da Casa Branca

Trump termina o mandato com apenas 34% de aprovação, a mais baixa desde que os levantamentos começaram, nos anos 1940

Raphael Veleda, do Metrópoles Brasília

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Donald Trump deixa nesta terça-feira (19) a Casa Branca. O 45º presidente dos Estados Unidos foi derrotado nas urnas e nos tribunais e se nega a participar da cerimônia de transferência do cargo para o democrata Joe Biden.

donald trumpOs Estados Unidos soma 25 milhões de casos confirmados de coronavírus desde o início da pandemia – Foto: Reprodução/Redes Sociais

De acordo com o instituto de pesquisas Gallup, um dos maiores dos Estados Unidos, Trump termina o mandato com 34% de aprovação, a mais baixa desde que os levantamentos começaram, nos anos 1940.

Para comparar, o antecessor do republicano Trump, Barack Obama, democrata como Biden, deixou a Casa Branca apoiado por 59% dos americanos, apesar de não ter conseguido fazer seu sucessor.

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O país soma 25 milhões de casos confirmados de coronavírus desde o início da pandemia, um quarto de todas as infecções no mundo, e se aproxima dos 400 mil mortos.

Adotando uma postura de negação da gravidade da pandemia desde o início, Trump promoveu eventos de campanha com aglomerações e, após perder as eleições, protestos.

Um deles acabou na invasão do Capitólio, em Washington D.C., no início do mês e na aprovação do impeachment do presidente pela Câmara por incitação à insurreição.

O coronavírus em curva de crescimento é um dos principais desafios que Trump deixará para o sucessor. Para enfrentá-lo, Biden anunciou planos de vacinar 100 milhões de pessoas em seus primeiros 100 dias de governo. Até agora, pouco mais de 10 milhões foram vacinados contra o coronavírus no país.

Essa vacinação é fundamental para que Biden possa lidar com outro problema que Trump vai deixar: mais de 10 milhões de desempregados, número que dobrou ao longo da pandemia, chegando a cerca de 7% da força de trabalho.

Relações internacionais

No campo diplomático, Trump entrega a Biden uma potência que se isolou, abrindo mão de boa parte de sua influência nos fóruns globais de governança. Um reposicionamento americano no cenário internacional será fundamental para enfrentar o crescimento da China como potência dominante.

A relação norte-americana com o Brasil tende a esfriar. Como o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (sem partido) segue valorizando sua relação com Trump mesmo após a confirmação da vitória de Biden, o Brasil não deve esperar dos americanos um olhar amigo em objetivos como a entrada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o clube dos países ricos.

Porém, Trump anunciou na noite de segunda-feira (18) a suspensão da restrição de viagem para brasileiros e europeus neste mês. O porta-voz do presidente Joe Biden já reagiu nas redes dizendo que a nova administração não tem a intenção de manter essa abertura.