Duas irmãs israelenses morreram nesta sexta-feira (7) em um ataque a tiros na Cisjordânia ocupada, algumas horas após os bombardeios de Israel contra a Faixa de Gaza e o sul do Líbano, em plena escalada da violência na região.
exército informou que o veículo foi atacado na passagem de Hamra, ao norte do vale do rio Jordão – Foto: AFP/NDA tensão aumentou depois da intervenção da polícia israelense na última quarta-feira (5) na mesquita de Al-Aqsa de Jerusalém, coincidindo com as festividades do Ramadã muçulmano e da Páscoa judaica.
Dezenas de foguetes foram lançados na quinta-feira contra Israel, que respondeu na madrugada de sexta-feira com bombardeios contra posições movimento palestino Hamas no Líbano e na Faixa de Gaza.
SeguirNa manhã desta sexta-feira, duas irmãs israelenses na faixa de 20 anos morreram e sua mãe foi ferida em um ataque a tiros contra o veículo da família, informou o Magen David Adom, o equivalente israelense da Cruz Vermelha.
O exército informou que o veículo foi atacado na passagem de Hamra, ao norte do vale do rio Jordão, na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel desde 1967.
“Pagar o preço”
O ataque aconteceu poucas horas depois dos bombardeios do exército de Israel em Gaza e no Líbano contra “infraestruturas terroristas do Hamas”.
Em Tiro, no sul do Líbano, correspondentes da AFP ouviram fortes explosões.
“Ao menos dois projéteis caíram perto do campo para refugiados palestinos de Rashidieh, disse o refugiado Abu Ahmad à AFP.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, havia prometido uma reação veemente do país. “Vamos atacar nossos inimigos e faremos com que paguem o preço de cada agressão”, disse.
Na última quinta-feira (6), dia da Páscoa judaica, mais de 30 foguetes foram disparados contra o território de Israel a partir do Líbano, na escalada mais intensa do conflito desde 2006 na fronteira entre os dois países, que tecnicamente continuam em guerra após vários conflitos.
Desde abril de 2022 não eram disparados foguetes do Líbano em direção a Israel, que na época também bombardeou o país vizinho. Mas o incidente de quinta-feira é considerado o mais grave desde a guerra de 2006 contra o Hezbollah.
“As ameaças e intimidações dos dirigentes sionistas não levarão a nada”, afirmou Naim Qasem, número dois do movimento xiita Hezbollah, que controla de fato o sul do Líbano.
“Todo o eixo da resistência se encontra em estado de alerta”, acrescentou.
Pedidos de moderação
O movimento palestino Hamas condenou “nos termos mais veementes possíveis a espantosa agressão israelense contra a Faixa de Gaza cercada e o Líbano”.
Hamas e Jihad Islâmica informaram nesta sexta-feira ao Egito – que habitualmente atua como mediador – que “as facções palestinas prosseguirão com os lançamentos de foguetes, caso Israel continue com as agressões e bombardeios”, afirmaram à AFP fontes dos dois grupos em Gaza.
O ministério libanês das Relações Exteriores afirmou que o país deseja preservar a calma na região sul e pediu à comunidade internacional que “pressione Israel para frear a escalada”.
O comandante da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL), general Aroldo Lázaro, conversou com autoridades dos dois países a afirmou em um comunicado que “os dois lados não querem a guerra”.
O Reino Unido pediu a “todas as partes uma desescalada”. A França reiterou seu “compromisso inabalável com a segurança de Israel e a estabilidade e soberania do Líbano”.
A Rússia pediu o “fim da violência”. O porta-voz da diplomacia do Irã, Nasser Kanani, criticou as “ações agressivas do regime sionista”.
Os ataques e bombardeios aconteceram depois da retirada violenta de fiéis palestinos da mesquita de Al-Aqsa de Jerusalém, uma operação que terminou com 350 detidos, segundo a polícia israelense, e 37 feridos, segundo o Crescente Vermelho.
O templo fica na Esplanada das Mesquitas, terceiro local sagrado do islã e localizado em Jerusalém Oriental, o setor palestino da cidade ocupado e anexado por Israel desde 1967.
O complexo foi construído no Monte do Templo, considerado o local mais sagrado pelo judaísmo.
Israel recebeu várias críticas internacionais pela operação de quarta-feira. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu “máxima moderação” a todos os envolvidos.