Duas pessoas morrem após novos bombardeios russos em Kiev, na Ucrânia

Negociações entre Rússia e Ucrânia devem ter nova rodada nesta terça (15) para tentar encerrar o conflito

Foto de AFP

AFP Kyiv, Ucrânia

Receba as principais notícias no WhatsApp

Ao menos duas pessoas morreram na manhã desta terça-feira (15) em ataques contra zonas residenciais de Kiev, antes da aguardada retomada das negociações iniciadas na véspera entre Rússia e Ucrânia para tentar encerrar o conflito.

Parcialmente cercadas pelas tropas russas, a capital da Ucrânia acordou com três grandes explosões. Os serviços de emergência afirmaram que zonas residenciais em vários distritos foram atacadas.

Comoção do lado de fora de um prédio destruído em Kyiv, nesta terça-feira (15), após um ataque a áreas residenciais matar pelo menos duas pessoas – Foto: Aris Messinis/AFP/NDComoção do lado de fora de um prédio destruído em Kyiv, nesta terça-feira (15), após um ataque a áreas residenciais matar pelo menos duas pessoas – Foto: Aris Messinis/AFP/ND

Em Sviatoshyn, zona Oeste de Kiev, um bombardeio atingiu um prédio de 16 andares, “onde os corpos de duas pessoas foram recuperados e 27 pessoas foram resgatadas”, informaram as autoridades locais em um comunicado.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Um ataque, que não deixou vítimas, atingiu uma casa em Osokorky (sudeste) e disparos de artilharia provocaram um incêndio rapidamente controlado em um prédio residencial de Podilsk (noroeste), onde uma pessoa foi hospitalizada.

No mesmo local, repleto de vidros e escombros, uma coluna de fumaça saía do enorme buraco provocado pelo impacto enquanto os moradores jogavam os objetos destruídos de suas casas pelas janelas quebradas.

Retomada das negociações

Os ataques aconteceram antes da retomada das negociações por videoconferência entre os dois lados. Na segunda (14), o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que o primeiro dia de conversas foi “bom”. “Mas veremos, continuarão amanhã (terça-feira)”, disse.

No papel, as posições estão muito distantes. Moscou exige que a Ucrânia se afaste da Otan e reconheça a soberania das regiões separatistas pró-Rússia do leste do país, que tiveram a independência reconhecida pelo presidente russo Vladimir Putin poucos dias antes da invasão iniciada em 24 de fevereiro.

Cessar-fogo imediato

Kiev exige um cessar-fogo imediato e a retirada das tropas russas de seu território.

Antes, os dois lados participaram em três encontros presenciais em Belarus, além de uma reunião dos ministros das Relações Exteriores na Turquia.

Os primeiros-ministros da Polônia, República Tcheca e Eslovênia viajarão nesta terça (15) a Kiev como representantes do Conselho Europeu.

Mateusz Morawiecki, Petr Fiala e Janez Jansa “viajam hoje (terça-feira) a Kiev na qualidade de representantes do Conselho Europeu para um encontro com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o primeiro-ministro Denis Shmyhal”, afirma um comunicado divulgado pelo governo polonês.

O objetivo da visita é “reafirmar o apoio inequívoco do conjunto da União Europeia à soberania e independência da Ucrânia e apresentar um conjunto de medidas de apoio ao Estado e sociedade ucranianos”, acrescenta a nota.

Brutalidade e destruição na invasão da Ucrânia pelas tropas russas – Foto: ArquivoBrutalidade e destruição na invasão da Ucrânia pelas tropas russas – Foto: Arquivo

Quase três semanas depois de Putin determinar a invasão em larga escala da ex-república soviética, as forças russas bombardeiam e cercam várias cidades ucranianas.

A capital registrou a fuga de metade de seus três milhões de habitantes e está cercada pelas entradas norte e leste. Apenas as rodovias para o sul permanecem abertas, onde as autoridades municipais instalaram pontos de controle e os moradores recebem alimentos e remédios.

Kiev é “uma cidade em estado de sítio”, disse um conselheiro de Zelensky.

A ONU afirma que 2,8 milhões de pessoas fugiram do país e 636 civis morreram no conflito, mas suspeita que o balanço real de vítimas é muito superior.