Eleições da Itália devem mobilizar 35 mil em Santa Catarina

Descendentes e italianos que moram aqui começaram a receber as cartas para votação em candidatos à Câmara e Senado da Itália em vagas reservadas para a América do Sul

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Redação ND Florianópolis

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Desde esta quinta-feira (08) cerca de 35 mil italianos natos e descendentes com cidadania residentes em Santa Catarina cadastrados no sistema de controle do consulado do Paraná e SC começaram a receber cédulas eleitorais para voto em candidatos à Câmara e Senado da Itália em vagas reservadas para a América do Sul.

O envelope eleitoral que será enviado ao exterior deverá ter esse conteúdo – Foto: DivulgaçãoO envelope eleitoral que será enviado ao exterior deverá ter esse conteúdo – Foto: Divulgação

Com a eleição legislativa que renovará o Parlamento, a Itália chama para o voto os cidadãos residentes no exterior inscritos nas listas eleitorais de suas respectivas circunscrições (Europa, América do Norte/América Central, América do Sul, África/Ásia/Oceania/Antártida).

Ao todo, 12 parlamentares (oito deputados e quatro senadores) são eleitos por esses colégios eleitorais. Para a América do Sul, onde têm direito a voto 1,8 milhão de eleitores, 430 mil no Brasil, estão reservadas três cadeiras: uma no Senado e duas na Câmara. Na cédula, o eleitor optará pelo candidato ao Senado e a um único candidato à Câmara.

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Segundo Attílio Colitti, cônsul honorário da Itália, em Florianópolis, o eleitor receberá dois envelopes em sua residência. Um contendo duas cédulas: uma para escolha do candidato à Câmara dos Deputados e outra para o Senado.

O segundo envelope, já com porte pago para devolução via Correios, o eleitor colocará as duas cédulas eleitorais indicando suas preferências. Em cada cédula, o eleitor deverá colocar um “X” no partido de sua preferência e escrever o nome do candidato.

O eleitor deverá postar a correspondência lacrada numa das agências dos Correios até o dia 22 de setembro, de modo que o consulado tenha tempo hábil de enviar o malote para a Itália, onde as seções eleitorais serão abertas no dia 25 de setembro. Mas a orientação, para não correr riscos, é que envie até o dia 20 deste mês.

São 14 candidatos para Senado e 24 para Câmara na América do Sul. Vale lembrar que serão apenas três vagas para a América do Sul, e o Brasil tem como principal concorrente a Argentina onde possui colônias mais organizadas do que as existentes por aqui.

Sendo que o colégio eleitoral da Argentina é bem maior: mais de 760 mil eleitores contra 430 mil no Brasil. Em 2018, com seis cadeiras sendo disputadas, o Brasil enviou ao Parlamento italiano um senador e dois deputados, o mesmo acontecendo com a Argentina.

Seis partidos na disputa

O Brasil corre sério risco de não ter representante na próxima legislatura. Os argentinos contam com associações italianas mais estruturadas que no Brasil, e já começaram a campanha, com disparos de mensagens por WhatsApp, por exemplo.

Seis partidos apresentaram candidatos para a Câmara na América do Sul: O Maie (Movimento Associativo Italiani all’Estero), a coligação de centro-direita (Lega per Salvini Premier-Forza Italia-Fratelli d’Italia), o movimento (L’Italia del Meridione), o M5S (Movimento 5 Stelle), a Usei (Unione Sudamericana Emigrati Italiani) e a coligação Partito Democratico-Italia Democratica e Progressista.

Para o Senado, além desses partidos, o Azioone-Italia Viva-Calenda, apresentou candidatos.

“As listas eleitorais estarão em todos os sites dos consulados gerais. Lá terá a parte especial, com todos os nomes dos candidatos. E aí as pessoas escolherão o que representa mais eles, em todas as questões”, comentou Attílio Colitti.

Como o voto não é obrigatório para esses italianos que moram no Brasil, portanto estão livres de multa, como acontece aqui no Brasil, a abstenção é grande no país. “Isso é um pecado, porque não acham importante”, avaliou o cônsul honorário da Itália, em Florianópolis.

“Inclusive, nessas eleições, este novo governo estará enfrentando argumentos também importantes para os residentes no exterior. Muitas pessoas nem sabem disso e acabam votando pela simpatia ou pelo nome ou por outros motivos. Nós temos que criar conscientização. Dar uma olhada nos currículos ou nos candidatos que foi que de repente já teve experiência, entre outros pontos”, concluiu.

Veja aqui a lista dos candidatos