Eleições nos EUA: Biden critica republicanos que questionam derrota de Trump

Presidente dos Estados Unidos criticou candidatos republicanos que questionam derrota de Trump em 2020; tensão cresce a seis dias das eleições de meio de mandato

Camille CAMDESSUS e Frankie TAGGART, AFP EUA

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O presidente americano, Joe Biden, alertou nesta quarta-feira que a recusa de alguns candidatos republicanos a aceitar os resultados das eleições de meio de mandato é um “caminho para o caos”.

“Há candidatos disputando todos os níveis de cargos nos Estados Unidos que não se comprometem a aceitar os resultados das eleições das quais participam”, destaca Biden em trechos de um discurso que fará mais tarde em Washington, divulgado pela Casa Branca.

Joe Biden disse que “democracia americana está sob ataque”: – Foto: Alan Santos/PR/NDJoe Biden disse que “democracia americana está sob ataque”: – Foto: Alan Santos/PR/ND

“Esse é o caminho para o caos nos Estados Unidos. Não tem precedentes. É ilegal e antiamericano”, critica o presidente. “Como disse antes, você não pode amar seu país apenas quando vence”, acrescentou.

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Ao se pronunciar seis dias antes das eleições de meio de mandato, o presidente assinalou que este “não é um ano normal”. “Em um ano normal, não somos frequentemente confrontados com o questionamento se o voto que damos irá preservar a democracia o colocá-la em risco.”

O consenso entre os observadores das eleições é de que os democratas serão varridos do poder na Câmara dos Representantes por uma maré vermelha republicana na próxima terça-feira, enquanto o controle do partido no Senado está por um fio.

Eleições na próxima terça (8)

A seis dias das eleições de meio de mandato cruciais para Joe Biden, os democratas soam o alarme sobre supostos riscos à democracia e analisam soluções para a inflação descontrolada.

Biden “disse claramente que a democracia estava em perigo e não podemos fingir o contrário”, segundo sua porta-voz, Karine Jean-Pierre, que alertou durante sua conferência diária que “um número significativo de republicanos sugere que não aceitará o resultado” dessas eleições.

O democrata de 79 anos incluiu em sua agenda desta quarta-feira um discurso de campanha em Washington sobre os “desafios que as eleições da próxima semana representam para a democracia”.

Durante as eleições presidenciais de meio de mandato, os americanos renovam todos os 435 assentos na Câmara dos Representantes e um terço do Senado. Também são eleitos governadores e outros cargos locais.

Segundo uma pesquisa da Universidade Quinnipiac divulgada nesta quarta-feira, 36% dos americanos acreditam que a inflação é o problema mais “urgente” que o país enfrenta e estão mais preocupados com o preço do gás. Em segundo lugar, com apenas 10%, seria o direito ao aborto, em torno do qual os democratas tentaram reunir sua base.

Antes de abordar a inflação, os democratas passaram grande parte da campanha tratando do direito ao aborto, mudanças climáticas e a guerra na Ucrânia.

Na tentativa de evitar um voto punitivo, Biden está se esforçando para parecer próximo da classe média diante de uma eleição que geralmente é um referendo de fato sobre o inquilino da Casa Branca, e que geralmente beneficia a oposição.

“O presidente quer ajudar as famílias, enquanto os representantes republicanos querem aumentar o custo de vida e trabalham para as gigantes farmacêuticas e petrolíferas”, disse Karine Jean-Pierre em referência às reformas da Casa Branca sobre preços dos medicamentos e energia.

– “Ameaça” para a democracia –

A capital do Arizona, Phoenix, é a cidade do país onde os preços mais subiram: 13% em um ano.

Neste estado, todos os holofotes estão voltados para o gabinete de governador, onde a ex-jornalista Kari Lake, figura emblemática do trumpismo, lidera nas pesquisas contra sua rival democrata.

Além de atacar diariamente Joe Biden por seu manejo da inflação, a candidata republicana continua a questionar os resultados presidenciais de 2020, alegando, sem provas, que roubaram a vitória a Donald Trump.

O ex-presidente Donald Trump, que nunca admitiu sua derrota, parece estar se preparando para contestar o resultado da eleição se for desfavorável aos republicanos.

“Lá vamos nós de novo! Eleição manipulada!”, disse o magnata na terça-feira em sua rede social, Truth Social, referindo-se a supostos sinais de fraude na recente votação por correio na Pensilvânia, um estado-chave nas próximas eleições.

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