‘Quero convencer a ter emprego’, diz Topázio sobre pessoas em situação de rua em Florianópolis

Além dos fogos com ruídos, diversos temas sensíveis a Florianópolis foram abordados pelo prefeito durante entrevista ao Grupo ND

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Valeska Loureiro Florianópolis

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Em entrevista exclusiva ao Grupo ND, o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), trouxe à tona diversos assuntos que estão em pauta no dia a dia dos florianopolitanos.

Prefeito de Florianópolis fala sobre questões sensíveis à cidade em entrevista exclusiva ao NDTopázio Neto fala sobre questões de Florianópolis em entrevista exclusiva ao ND – Foto: Leo Munhoz/ND

Ele critica, por exemplo, a greve da Comcap, que deixou a Capital tomada por lixo durante dez longos dias. Além disso, aborda o caso que se tornou polêmica acerca dos custos do primeiro Multi Hospital Municipal e fala sobre a inédita sanção que proíbe o uso de fogos de artifício com ruídos em Florianópolis a partir de janeiro de 2024. Confira abaixo.

Greve da Comcap

A greve foi finalizada e um acordo foi realizado. É a primeira vez nos últimos dez anos que o sindicato vai realmente pagar uma multa, correto?

Eu acho que é a primeira vez que o sindicato vai pagar uma multa e é importante que a gente saiba que, aos poucos, a cidade vai se convencendo, e toda a estrutura do judiciário vai se convencendo, que essas greves não levam a lugar nenhum.

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Eu repeti várias vezes durante a greve: eu confio muito no setor da Comcap, é um setor valoroso, faz um bom trabalho e a cidade reconhece. Mas, infelizmente, não são todos os sindicatos. Tem muito sindicato que senta à mesa para construir uma solução, mas o sindicato dos servidores aqui na cidade tem demonstrado, pelo menos nesse período que eu sou perfeito, que muitas vezes prefere o confronto à conversa.

Eu nunca me furtei da conversa e dessa vez a tentativa dos sindicatos de prejudicar a cidade e, digo até a própria categoria, não deu certo. O judiciário penalizou o sindicato, que vai pagar uma multa, e os servidores vão ter que repor as horas paradas. A cidade voltou ao normal na sexta-feira passada, mas nós ainda estamos nos últimos acertos para a cidade totalmente limpa.

Inclusive, o senhor decidiu terceirizar a coleta no Centro da cidade. O senhor pretende avançar na terceirização?

Nós temos uma empresa que já atuava no Norte e Continente, a FG, que agora passa a fazer a coleta de lixo também na região da central da cidade. Não é custo duplicado porque eu estou deixando de contratar alguns servidores temporários que nos ajudavam a fazer essas coletas. Então nós estamos substituindo os temporários por essa empresa que já fazia em outras regiões, expandindo para o centro.

Pessoas de Florianópolis em situação de rua

Tivemos a morte de um jovem estudante por um morador de rua em pleno Centro da cidade. Como está a ação da prefeitura para a retirada destas pessoas do Centro Histórico? Está dando certo?

Primeiramente, quero me solidarizar com a família desse menino que morreu. Foi uma tragédia e quero dizer que nós estamos endurecendo essa nossa relação com os moradores de rua já faz algum tempo. Nós estamos concluindo, talvez na próxima semana, um censo fotográfico de todas as pessoas em situação de rua aqui de Florianópolis.

Nós passaremos a ter um mapeamento de todas as pessoas em situação de rua para ajudar no combate daqueles que não são pessoas que precisam da nossa ajuda. Tem pessoas em situação de rua que têm doenças mentais, viciadas em drogas, mas também tem muito bandido travestido de pessoa em situação de rua. São esses que nós vamos buscar. A Polícia Militar é parceira, nossa Guarda Municipal também, e nós vamos fazer esse enfrentamento ainda maior a partir de agora com o mapeamento.

Prefeito de Florianópolis fala sobre a greve da Comcap e sobre o Multi Hospital Municipal, entre outras questõesGreve da Comcap, Multi Hospital Municipal e pessoas em situação de rua foram algumas das questões de Florianópolis abordadas pelo prefeito – Foto: Leo Munhoz/ND

Florianópolis dispõe de uma infraestrutura que muitas cidades sequer sonham em ter. Um exemplo claro é o restaurante popular e, há um tempo atrás, o senhor comentou a intenção de implantar mais um. O senhor não acredita que isso possa atrair mais pessoas em situação de rua?

Isso é um risco que não dá para superar porque o cidadão pode se deslocar para qualquer lugar do país. Eu não posso é ver pessoas passando fome ou com dificuldade de alimentação e não ajudar de alguma forma. O nosso restaurante popular, no Centro, ofereceu no ano passado mais de 500 mil refeições. Acho que, nesse caso, a gente tem que olhar o benefício e cuidar eventualmente de alguma coisa que vem ao redor.

Eu vou falar uma coisa aqui que as pessoas, às vezes, não concordam comigo, mas quando a gente dá uma esmola para aquele cara que vem na rua te pedir, em Florianópolis, tem pessoas na sinaleira que ganham mais de R$ 250 por dia, somente de esmola. Só que essa esmola não dá futuro para ninguém, não faz a pessoa se mover para sair da rua e buscar assistência na prefeitura.

Nós estamos encaminhando o segundo restaurante no Continente, lá na região da Coloninha, uma região muito carente e que precisa muito disso.

Já tem estratégias para tirar essas pessoas do Centro, por exemplo?

Sim. Estamos criando agora, através da nossa área de assistência social, pelo secretário Leandro Lima, o Centro de Convivência Dia. Nós vamos montar um centro em que as pessoas em situação de rua passam um dia ali, tem oportunidade de se capacitar, fazer um treinamento, tomar um banho, trocar de roupa, ter a assistência social à disposição. Porque tem pessoas que, apesar de oferecermos acolhimento noturno, querem ficar na rua. Eu não posso ir lá, pegar pelo braço, amarrar e levar para a passarela. Eu quero dar um espaço grande e tentar convencer essas pessoas a arranjar emprego, uma ocupação.

Binário da Lagoa da Conceição

São duas obras importantes para a Lagoa da Conceição que envolvem a mobilidade naquela região, que é complicada. Quando teremos o binário da lagoa, prefeito?

O binário está super bem encaminhado. A pavimentação está toda pronta e agora nós estamos fazendo calçada, iluminação e ciclovia. Agora, entre final de novembro e início de dezembro, já temos o binário na parte final da avenida das Rendeiras. Quem vai para a Joaquina, já pode pegar à direita e sair direto lá na Joaquina. Isso vai facilitar muito a vida de toda aquela região.

Multi Hospital Municipal e novo Centro de Saúde no Centro

Prefeito, sobre este hospital de Florianópolis há muita polêmica. O senhor falou do projeto na internet. Está andando bem? Há dúvidas em relação aos investimentos, por exemplo. Vai haver músculo para manter essa funcionalidade?

Florianópolis vai ter o primeiro Multi Hospital Municipal. Há muitos anos que não inauguramos um equipamento de saúde tão importante quanto esse que vamos inaugurar ali no antigo aeroporto, no bairro Carianos.

Vamos ter a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Sul, policlínica, vamos ter Hospital Dia, vamos ter uma clínica oftalmológica onde você faz o exame e ganha os óculos de graça, vamos ter a casa de acolhimento para mulheres vítimas de violência, uma área para transtorno mental. É um equipamento fantástico. E outra coisa: a prefeitura vai pagar o aluguel.

Toda obra que está sendo feita lá, está sendo feita com recurso da iniciativa privada. Alguém está adaptando aquele terminal de 12 mil m² e vai alugar para a prefeitura. Nós só vamos começar a pagar quando a gente entrar efetivamente na obra, que deve ser entre final de janeiro e início de fevereiro, quando a obra ficar pronta e nós vamos poder inaugurar.

Qual vai ser a estratégia do município para manter receita para bancar esse funcionamento, que é caro?

É caro, mas a despesa que nós temos com a UPA estamos transferindo para lá. Nós estamos fazendo alguns remanejamentos porque se tem uma coisa que vai crescer e continuar crescendo é a despesa com saúde.

A pandemia fez com que muitas pessoas perdessem seus planos de saúde e utilizassem cada vez mais o SUS (Sistema Único de Saúde), que é muito bom porque a cidade e tem um ótimo atendimento. ‘Ah prefeito, poderia ser melhor’. Mas tudo na vida pode ser melhor e temos que fazer aos poucos.

Nós já reunimos recursos, também já temos muitos deputados que estão querendo colocar suas emendas parlamentares para ajudar a custear o nosso Multi Hospital Municipal e vai dar tudo certo. Vamos ser um equipamento maravilhoso.

Mirante do Morro da Cruz

Recentemente, tivemos dois acidentes no mirante. O senhor não acha que o ponto turístico merece um projeto de revitalização?

Eu sempre penso nisso por um motivo simples: eu tenho um irmão que gosta muito de caminhar toda quarta-feira. Ele pega uma turma lá embaixo, na Beira-Mar e sobe caminhando até o mirante e vai me dizendo o que precisaria melhor.

Mas nós temos um problema que é não ter estacionamento. Mas nós já pedimos, depois do último acidente, um grande relatório para o Corpo de Bombeiros para saber o que precisa melhorar na segurança. Nós vamos aumentar muito a iluminação ali para que as pessoas possam usar de dia e de noite sem risco de cair.

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