Em reunião, Lula cobra ministros para não anunciarem políticas públicas sem aval da Casa Civil

Antes de apresentar projetos, os titulares da pasta devem se reunir com Rui Costa, ministro da Casa Civil

Foto de Plínio Aguiar, do R7

Plínio Aguiar, do R7 Brasília

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma reunião de ministérios nesta terça-feira (14) para dar um recado aos chefes das pastas e reafirmar que as propostas, independentemente da área, devem ter o aval do Palácio do Planalto.

No encontro desta terça, o presidente afirmou que nenhum dos titulares deve anunciar nenhuma política pública sem aval da Casa Civil, comandada por Rui Costa, e da Presidência da República, em uma espécie de centralização das políticas. As informações são do R7.

Lula durante reunião com ministros nesta terça (14) – Foto: Reprodução/ Youtube TV Brasil1Lula durante reunião com ministros nesta terça (14) – Foto: Reprodução/ Youtube TV Brasil1

“É importante que nenhum ministro e nenhuma ministra anuncie publicamente alguma política pública sem ter sido acordada com a Casa Civil, que é quem consegue fazer com que a proposta seja do governo. Nós não queremos propostas de ministros. Todas as propostas de ministros deverão ser transformadas em propostas do governo. E só será transformada em proposta de governo quando todo mundo souber o que vai ser decidido”, afirmou Lula.

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“Por isso que é importante que toda e qualquer posição, qualquer genialidade que alguém possa ter, é importante que, antes de anunciar, faça a reunião com a Casa Civil, para que a Casa Civil discuta com a Presidência da República, para que a gente possa chamar o autor da genialidade, e a gente então anunciar publicamente como se fosse uma coisa do governo”, completou, com ironia.

Ainda de acordo com Lula, os ministros devem conversar ainda com Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), responsáveis pela área financeira do governo, “para que a gente não prometa aquilo que não pode cumprir”.

“E se tiver que arriscar alguma coisa, a gente [vai] arriscar com viés de acerto, acima de uns 80%. Porque a gente também não pode correr o risco de anunciar coisa que não vai acontecer. A minha sugestão, para que a coisa fique correta, coesa e harmônica, é que ninguém anuncie nada, absolutamente nada que seja novo, sem passar pela Casa Civil.”

As declarações foram dadas pelo petista durante a reunião ministerial, que foi aberta para imagem inicialmente. Na sequência, antes de interromper a transmissão, Lula afirmou que ia dar início ao encontro e contar os casos específicos.

Polêmicas e anúncios

Antes mesmo da posse do petista, o novo governo acumulava intempéries. Em 21 de dezembro, Flávio Dino, ministro da Justiça, anunciou o delegado Edmar Camata para a chefia da Polícia Rodoviária Federal (PRF). No mesmo dia, no entanto, o titular voltou atrás da indicação, após a má repercussão entre aliados por causa de apoios declarados do delegado à operação Lava Jato.

Depois, quando tomou posse do cargo, Dino fez um anúncio que envolve uma decisão em nível de Executivo. Ele afirmou que vai federalizar o caso da ex-vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro em 2018. “Disse à ministra Anielle [Franco, irmã de Marielle] e sua mãe que é uma questão de honra o Estado brasileiro empreender todos os esforços possíveis e cabíveis, e a Polícia Federal assim atuará para que esse crime seja desvendado definitivamente, e nós saibamos quem matou Marielle e quem mandou matar Marielle”, afirmou na ocasião.

Outra polêmica foi a veiculação de uma possível suspensão de um benefício criado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Trata-se da modalidade do saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), disse que ia propor a Lula o fim da medida, que, em sua avaliação, reduz a reserva de dinheiro que poderia ser acessada em caso de demissão. A situação, no entanto, repercutiu mal entre o grupo petista por não ter sido negociada anteriormente.

Divergências

O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, foi contrariado publicamente por Rui Costa. Lupi, durante a cerimônia de posse no cargo, afirmou que a reforma da Previdência, aprovada em 2019, seria revista em conjunto com sindicatos. Após a repercussão negativa do mercado, Costa negou a informação e afirmou que não há nenhuma proposta do tipo em análise, no momento.

A reação dos eleitores de Bolsonaro contra a vitória de Lula nas urnas, que resultou em manifestações em frente a quartéis do Exército por todo o país, foi chamada de “legítima” pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro. A fala, que classificou ainda os atos como democráticos, gerou mal-estar entre os aliados do petista.

As divergências do novo governo geraram recuo na Bolsa e queda nas ações da Petrobras no início da semana. Na quarta-feira (4 de janeiro), houve sinalização positiva no mercado, com variação negativa do dólar frente ao real, e subida do Ibovespa.

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