O pré-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT), esteve em Florianópolis nesta sexta-feira (29) onde participou de um encontro no plenário da Assembleia Legislativa com lideranças e correligionários do partido. O ex-governador do Ceará cumpriu uma agenda no estado onde passou por Joinville e Itajaí.
“Só quem tá com carro arrumado sou eu”, disse Ciro Gomes ao comparar a corrida eleitoral com a Formula 1 – Foto: Paulo Rolemberg/ NDEm seu estilo afiado nas críticas, Ciro concedeu entrevista antes de participar do evento e falou sobre a política adotada pela Petrobras tanto no preço dos combustíveis quanto na distribuição do lucro da empresa. Caso conquiste a presidência, disse que haverá mudanças bruscas na estatal.
Ciro Gomes também comentou sobre a tão famosa terceira via, e como não poderia ser diferente não poupou críticas aos seus principais adversários na corrida à presidência: Jair Bolsonaro (sem partido) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
SeguirEle ainda frisou que não ficará refém do Centrão no Congresso Nacional e analisou também a decisão do governo de furar o teto de gastos públicos.
Lucro da Petrobras e gasolina a R$ 4,20
O pedetista criticou a distribuição do lucro de R$31,8 bilhões da Petrobras. A empresa anunciou que repassará esse ganho aos acionistas minoritários. O maior acionista é a União.
“A Petrobras anunciou balancete trimestral com o lucro de R$ 31,8 bilhões. Qualquer empresa endividada se tiver um lucro muito grande usa esse lucro para abater suas dívidas ou para encampar seus investimentos. A Petrobras anunciou no mesmo passo que anunciou o balancete que vai de novo adiantar R$ 32 bilhões de lucros e dividendos empresariais para seus acionistas minoritários. Isso é um escárnio, um insulto, em uma hora em que o povo brasileiro está sofrendo”, protestou.
O pedetista esteve em SC e participou de encontro do partido – Foto: Paulo Rolemberg/NDQuestionado sobre o que caso seja eleito faria no lugar, Ciro Gomes prometeu que uma de suas primeiras medidas no cargo será publicar um edital de convocação de assembleia extraordinária do Conselho de Administração da Petrobras, e como acionista controlador, determinará que a estatal volte a praticar a política de preço que o mundo inteiro pratica, que é custo mais rentabilidade.
Ciro Gomes lembrou que a atual gestão da Petrobras abandonou o projeto de investimento para adaptar as refinarias para processar o petróleo mais pesado extraído no Pré-Sal e expandir a capacidade de refino para atender o mercado brasileiro com a ideia de nacionalizar toda produção e gerar emprego no Brasil.
Devido a esse abandono, as refinarias estão ociosa se, consequentemente, explodiu a importação de petróleo, que é comercializado em dólar. Perguntado sobre quanto deveria custar o litro da gasolina, conforme avaliação dele, Ciro respondeu: “Deus é quem sabe quanto seria. Mas quando eu pude calcular, porque eu parei, o preço da gasolina brasileira já com a rentabilidade ótima estaria ao redor de R$ 4,20”, pontuou.
Terceira via
Ciro Gomes preferiu taxar o termo terceira via como uma expressão preguiçosa criada pela grande mídia de São Paulo. “É uma coisa que reduz, e no simbólico desqualifica a dinâmica do debate”, avaliou.
Ciro Gomes falou sobre Petrobras, eleições e corrupção – Foto: Paulo Rolemberg/NDPorém fez uma análise do quadro atual dos números das últimas pesquisas eleitorais. Segundo Ciro Gomes, hoje existem 35% de eleitores que não estão nem com Lula e nem Bolsonaro, mas reconhece que também não estariam, ainda, com ele.
Pela avaliação de Ciro, sua candidatura buscará uns 5% dos 20% que votam em Bolsonaro para não voltar o Lula, e 5% a 7% que votam no petista porque não querem nem ouvir falar no atual presidente e Lula parece ser o mais viável.
“Se aparece alguém com uma boa proposta, que entende os problemas e propõe um debate inteligente sobre as soluções, as pessoas vão prestar atenção”, disse.
Ele reforçou que espera contar com o apoio departidos de centro-esquerda como PSB, PV, Rede e Cidadania e mais à direita como PSD e DEM.
Ciro comparou a disputa eleitoral com uma corrida de Formula 01. “Neste momento qualquer Chevrolet entra na pista. Milhões de especulações. Em abril, vai tirar os carros velhos, os amadores, só vai entrar agora quem vai marcar o tempo mínimo para corrida. O que é em abril, o prazo de filiação partidária”, relacionou.
“Entre abril e julho, treino livre, todo mundo que tiver filiado tem chances. Em julho, definição do grid de largada. O que é isso? As convenções partidárias que homologam as candidaturas, só aí vamos saber a verdade de quem vai participar das corridas”, analisou o pedetista, que emendou: “Só quem tá com carro arrumado sou eu”.
Teto de gastos públicos
“Existe a resposta gentil e existe a resposta bruta. Eu vou mandar a resposta bruta para o Bolsonaro e a turma dele: qual país do mundo ou qual livro de literatura econômica prevê ou existe um teto de gasto com status constitucional com vigência de 20 anos? É uma resposta muito grosseira, mas é muito contundente. É uma aberração”.
Pré-candidato à Presidência da República esteve em Santa Catarina – Foto: Paulo Rolemberg/NDJá a resposta simples, Ciro respondeu: “o objetivo aqui é a saúde das contas do governo. Se isto for verdade eu tenho que colocar todas receitas e todas as despesas. R$ 52 de cada R$ 100 do orçamento é juro para banco, rolagem e amortização de dívida. Ou seja, mais da metade do orçamento é serviço da dívida, tem que está no gasto, no teto ou não tem? Tiraram. O que prova claramente que a preocupação é mentirosa, não é o como equilíbrio das contas é engessa os gastos com os outros interesses”, finalizou.
O que fazer para não ficar refém do Centrão
O pré-candidato garantiu que não governará sob pressão dos partidos do Centrão no Congresso Nacional e diz ter uma fórmula. “Primeiro não aceitando essa mitologia que a dupla de ex-presidentes Fernando Henrique e Lula criou para o país. Essa coisa cínica de que o Brasil é ingovernável sem associação com a corrupção e com o Centrão para justificar suas próprias contradições. O Itamar Franco (ex-presidente) não fez isso, Itamar Franco não tem nenhum escândalo, não recebeu ameaça de ninguém, não loteou o governo. O Getúlio (ex-presidente Getúlio Vargas) lá atrás preferiu se matar do que se entregar a corrupção”, analisou.