Os percentuais de 72,35 por cento (80.264) de votos no primeiro turno e de 81,90 por cento (89.133) de votos no segundo turno das eleições de 2018 em Criciúma não podem ser olhados de maneira isolada da história. São números que significam uma virada no comportamento do eleitorado muito maior do que a comparação de números de eleições passadas possam expressar. A preferência bolsonarista revelada em Criciúma tem muito de antipetismo.
No segundo turno das eleições Bolsonaro venceu a eleição em Criciúma com 81,90 por cento dos votos. – Foto: DivulgaçãoUma das explicações plausíveis para se entender pode residir na força que os sindicatos de trabalhadores, sempre ligados ao PT, tiveram na cidade. Se deixaram um legado positivo aos trabalhadores, deixaram também marcas profundas nos empregadores e nos alheios a causa de um e de outro.
O jornalista Sebastião Nery, também ex-deputado, escreveu em seu blog no dia 4 de fevereiro de 2017 um pouco do que ajuda a comprovar o que se lê aqui agora. Ele contou detalhes de encontro político de 1978 em Criciúma. Teria sido, segundo ele, ali e não São Bernardo do Campo (SP) o nascimento da ideia PT, levada a cabo por Luiz Inácio Lula da Silva.
SeguirSegue-se o raciocínio desta veia esquerdista de uma boa massa da cidade com o que se sucedeu então. Sindicatos, liderados pelos mineiros, foram se fortalecendo, marcando território até se transformarem em verdadeiras “pedras nos sapatos” dos patrões.
Greves, protestos e outras manifestações cada vez mais empunhavam as bandeiras de partidos de esquerda, especialmente o PT e a figura de Lula. Foi assim que uma geração cresceu A rebeldia dos mais jovens contrapunha o que os mais conservadores mantinham viva na memória.
Seguiu-se a primeira eleição de Lula em 2002 quando o petista fez 64,3 por cento dos votos em Criciúma. Na sua reeleição em 2006 somou 51,1 por cento e ganhou na cidade mesmo que tenha perdido para Geraldo Alckmin em Santa Catarina.
A derrota de Dilma Roussef para José Serra no segundo turno das eleições de 2010 já tinha um ingrediente de mudança, ai com a influência da então recente eleição do prefeito Clésio Salvaro (2008). Este mesmo fator combinado ao que eu invoco seja um desejo à rejeição aos esquerdistas e sindicalistas, acrescido do bom desempenho, de novo, em 2012 do então prefeito Clésio Salvaro, Dilma sofreu acachapante derrota para Aécio Neves, derrotado em nível nacional mas que ganhou de goleada em Criciúma.
Assim em 2018, quando não só o movimento sindical vinha de sucessivas derrotas, a onda Bolsonaro encontrou ventos favoráveis ao desejo de mudança com ar de reprovação aos identificados com sindicatos e outros alinhados ao lulismo.