As entidades empresariais do estado se manifestaram sobre a decisão do Tribunal Especial de Julgamento que absolveu nesta sexta-feira (7), o governador Carlos Moisés da Silva (PSL) do processo de impeachment. As federações da indústria, do comércio e da agricultura observaram que o momento é de recuperar a economia e retornar a normalidade institucional do Estado.
Presidente da Fiesc, Mário Cezar Aguiar – Foto: Fiesc/Divulgação/NDSegundo a Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), com a conclusão do julgamento do processo de impeachment, Santa Catarina pode retomar a normalidade institucional.
“O rito constitucional foi cumprido e agora o estado tem condições de voltar todas suas atenções ao enfrentamento da pandemia, concentrando-se na promoção da saúde da população e na redução dos impactos econômicos da crise sanitária”, disse a nota.
SeguirA Fiesc reforçou que permanece à disposição do governo e da sociedade para colaborar com propostas para o desenvolvimento de Santa Catarina.
A Fecomércio (Federação do Comércio) pontuou que o momento é do governador recuperar a economia, com propostas para fomentar o retorno das atividades.
“A recuperação da economia deve ser prioridade do governador na volta ao posto, com auxílio emergencial complementar, programa de crédito e fomento facilitado às empresas, retomada das atividades com protocolos de segurança e a sequência na agenda de infraestrutura”.
Presidente da FAESC, José Zeferino Pedrozo – Foto: MB ComunicaçãoPara o presidente da Faesc (Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina), José Zeferino Pedrozo, o importante é que foi solucionada a situação política, jurídica e institucional do estado, com a definição de quem está no comando do Executivo estadual. “Era uma situação que causava embaraço ao setor público e privado, e não estimulava investimentos”.
Repercussão da votação
O advogado Rogério Duarte, representante da Ordem dos Advogados do Brasil de Santa Catarina (OAB/SC) que acompanhou o processo de impeachment contra o governador Carlos Moisés (PSL) avaliou que devido aos votos estarem consolidados a sessão de julgamento acabou sendo mais rápida.
Para ele, mesmo com o retorno, Carlos Moisés (PSL) volta fragilizado, por ter recebido cinco votos dos desembargadores do TJSC pela sua cassação.
“Todo aquele discurso de probidade, vai ter que mudar algumas coisas”, disse o advogado, ao acreditar que a vice-governadora Daniela Reinehr (sem partido) sairá da cena política do estado. Ele reforçou que Carlos Moisés cumprirá o resto do mandato. “Não tem mais clima para outro impeachment “.
Postagem da deputada Carla Zambelli caiu muito mal no meio político catarinense – Foto: Michel Jesus/Câmara dos DeputadosDuarte avaliou ainda que, mesmo com os posicionamentos dos quatro deputados que votaram contra o impeachment estarem quase fechados antes da votação, a atitude da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) que postou nas redes sociais os telefones pessoais dos cinco parlamentares catarinenses que faziam parte do Tribunal de Julgamento do Impeachment, acabou com qualquer esperança de Daniela Reinehr continuar no comando do Estado.
“Caiu muito mal no meio político. Aquilo, simplesmente sepultou qualquer possibilidade que os quatro deputados mudassem o voto”.
Zambelli acabou excluindo a publicação dos telefones do deputado horas depois. No início da noite desta sexta, ela publicou. “Seis de dez membros do Tribunal Misto votaram para condenar Moisés à perda do cargo no escândalo dos respiradores: todos os cinco desembargadores do TJSC e o deputado Laércio Schuster. Infelizmente, eram necessários sete votos, e quatro deputados decidiram não responsabilizá-lo”, escreveu.
O deputado estadual Ivan Naatz (PL), relator da CPI do Respiradores disse acreditar que Carlos Moisés continuará tendo problemas de governabilidade. Na sua visão, apesar de tecnicamente concluído, o processo e as cobranças populares continuarão em torno do governador , sobre os demais responsáveis e a devolução dos recursos. “A história vai separar o herói do bandido , mais cedo ou mais tarde”, afirmou o deputado,
Um dos cinco advogados de acusação, Leonardo Borchardt, descartou que recorrerá da decisão em outras instâncias jurídicas. Apesar da “derrota” ele disse tranquilo com o com o resultado, por ter conseguido a totalidade dos votos dos desembargadores, e com o sentimento de missão cumprida. “O caminho é rogar que esse episódio sirva como exemplo e que nada dessa maneira se repita”, finalizou.