Os ministros decanos do STF (Supremo Tribunal Federal) criticaram no início da sessão desta quinta-feira (23), a PEC 8/2021, aprovada na quarta-feira (22) no Senado, que limita decisões monocráticas (individuais) e pedidos de vista nos tribunais superiores.
Ministro do STF, Gilmar Mendes, durante sessão na Corte – Foto: Carlos Moura/SCO/STF/NDO primeiro a falar foi presidente do Supremo, ministro Luís Roberto Barroso, afirmou, em nome do Tribunal, que as propostas legislativas de alteração nas atribuições do Tribunal, “não são necessárias e não contribuem para a institucionalidade do país”.
O ministro frisou que o Senado e suas deliberações merecem toda a consideração institucional, mas as mudanças sugeridas já foram, em sua maior parte, abrangidas por alterações recentes no próprio Regimento do Supremo.
SeguirO presidente do STF lembrou que, nos últimos anos, além de funcionar como um dique de resistência contra o avanço autoritário, o Supremo enfrentou o negacionismo em relação à pandemia, e o negacionismo ambiental, o que levou a ataques verbais e até à criminosa invasão física que vandalizou as instalações da Corte.
Ministro Gilmar Mendes retrucou a aprovação da PEC no Senado – Vídeo: Reprodução/STF/ND
O ministro Gilmar Mendes também usou a sessão e foi mais duro nas críticas a votação no Senado.
“Recados da rua chegam a todos nós dando conta de que o projeto de emenda aprovado é mal menor, tendo sido endereçado a esta Casa agora como forma de impedir possíveis reformas ainda mais drásticas ao funcionamento da Corte”, disse.
Ministro pede altivez para “ameaça”
Mendes disse que é preciso altivez para rechaçar esse “tipo de ameaça” vindo do Legislativo.
“Cumpre dizê-lo com a serenidade e com o desassombro que esse tipo de investida exige de todos nós, membros desta Casa multicentenária: este Supremo Tribunal Federal não admite intimidações”, retrucou.
“Esta Casa não é composta por covardes. Esta Casa não é composta por medrosos”, afirmou.
O ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ressaltou que a discussão de ideias e o aprimoramento das instituições são instrumentos importantes da democracia, mas não quando escondem intimidações e ataques à independência do Judiciário e do STF.