O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) publicou nesta quarta-feira (10) um vídeo em que defende a liberdade do colega e também parlamentar Chiquinho Brazão, agora sem partido, acusado de ter sido o mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, em 2018, no Rio de Janeiro.
Marielle Franco foi eleita vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL em 2016 e dois anos depois foi assassinada – Foto: ReproduçãoHá poucas horas da discussão ter início na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) da Câmara dos Deputados, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro chamou a votação de histórica e citou a Constituição.
“O deputado Brazão está sendo acusado do assassinato da vereadora Marielle Franco. Eu não posso admitir – com processo a percorrer ainda- com a possibilidade da outra defesa do contraditório e atropelando a Constituição, que fala que nós deputados só podemos ser presos em flagrante delito de crime inafiançável”.
SeguirPrisão seria isca de patriotas, diz Eduardo Bolsonaro
O parlamentar disse que a liberdade individual do colega acusado pelo assassinato é “o que menos importa na votação de hoje”. Para ele, manter Brazão preso seria uma espécie de “isca” para prender patriotas.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro defendeu a soltura de Chiquinho Brazão e citou a Constituição. – Foto: Reprodução“Porque se eu votar para prender definitivamente um deputado que não cometeu um flagrante delito…Como é que amanhã eu vou poder dizer que um patriota que foi preso, por falar? Eu tenho certeza que esse caso de agora é a isca para que, amanhã, nós estarmos sendo encarcerados”, ressaltou em vídeo.
Demais parlamentares do PL, um dos partidos que mais tem cadeiras na Câmara, cerca de 95 estão orientados a votar contra a prisão de Chiquinho Brazão.
Relembre o caso
Após a homologação da delação premiada do ex-policial militar Ronnie Lessa, Chiquinho Brazão foi expulso do União Brasil e está preso de forma preventiva desde o dia 23 de março.
Chiquinho Brazão é acusado de ter sido o mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco – Foto: ReproduçãoO parecer do relator do caso, deputado Darci de Matos (PSD-SC), é defende que Brazão siga preso. O documento diz que o parlamentar praticava atos que configurariam obstrução da justiça e, como consequência, comprometeram as operações policiais que investigavam o caso.