“É como se eu tivesse entrado agora, estou com a motivação da primeira vez”. É assim que Maurício Peixer (PL) fala sobre o seu novo momento no Legislativo. Em seu sétimo mandato, ele, enfim, assume a presidência da Câmara de Vereadores de Joinville a partir deste ano.
Maurício Peixer (PL) foi eleito presidente da Câmara em seu sétimo mandato – Foto: André Kopsch/NDA votação foi possível com o apoio do “bloco dos onze”, como é chamado o grupo de vereadores que se uniu para assumir a Mesa Diretora. Segundo Peixer, logo que terminada a eleição, Diego Machado (PSDB) e Wilian Tonezi (Patriota) se juntaram e o procuraram para formar um grupo. “Topei porque gosto do Diego e o Tonezi tem ideias iguais às minhas”, disse o novo presidente da Câmara.
Depois, o trio foi atrás de Kiko (PSD), Pastor Ascendino (PSD), Osmar Vicente (PSD), Brandel Junior (Podemos) e Tânia Larson (PSL). “Formamos um grupo de oito para ganhar as eleições e acabou ficando oito contra oito, pois outros queriam fazer um grupo próprio. Foi quando procurei os três vereadores do Novo, conversei com eles sobre a nossa ideia de Câmara independente e eles gostaram da ideia”, relembra Peixer.
SeguirNa votação para a Mesa Diretora, o bloco dos onze mais os três vereadores do MDB foram favoráveis à chapa única que se candidatou, formada por Peixer como presidente, Tânia Larson como vice, Érico Vinícius (Novo) como primeiro secretário e Pastor Ascendino Batista como segundo secretário. “Ninguém voltou atrás apesar de outras propostas e da pressão muito forte”, destaca Peixer.
Peixer preside a Mesa Diretora da Câmara – Foto: Mauro Artur Schlieck/NDCinco vereadores se abstiveram na votação. Um deles foi Sidney Sabel (DEM), que falou em interferência do Executivo no Legislativo. Peixer acredita tenha havido um mal-entendido, já que, segundo ele, não há esse tipo de interferência. “O que aconteceu foi uma reunião com os vereadores no restaurante do Kiko, onde estava o Gilberto (secretário do governo de Adriano). Alguém deve ter falado para o Sidney”, avalia.
Outros vereadores se abstiveram por, segundo eles, não fazer sentido querer mudanças e votar em uma chapa cabeceada por um vereador no sétimo mandato. “A partir do momento que nós nos elegemos, temos o mesmo peso, a mesma função. A diferença é que para tocar a Câmara tem que ter conhecimento”, fala Peixer. Segundo ele, todos os vereadores foram procurados para compor o grupo. “Teve gente que mandei três mensagens e nem me respondeu”, conta.
Em seu primeiro discurso à frente da Mesa Diretora, Maurício Peixer falou sobre ter sido rejeitado e caluniado. “Há interesses por trás da presidência da Câmara envolvendo contratos e projetos. Como eu trabalhei sempre com muita correção e honestidade, para algumas pessoas isso não interessa”, fala Peixer.
Mudanças na Câmara
Maurício Peixer já estuda algumas mudanças em relação à Câmara. Uma delas é regulamentar as diárias novamente, já que a legislação sobre o benefício foi revogada no último dia 30. “Essa lei que o prefeito sancionou é absurda porque volta a lei anterior, que libera a diária para todos. Nós vamos acabar com as diárias e propor o ressarcimento das despesas quando for obrigatório viajar pelo Legislativo”, diz. Segundo ele, essa é uma prioridade e deve ser estudada já a partir da primeira sessão.
Peixer quer fazer investimentos na estrutura da Câmara – Foto: Carlos Jr./NDEm seu discurso de posse, ele também falou sobre os celulares pré-pagos disponibilizados aos vereadores, benefício que ele pretende extinguir. “Isso deve ficar como está porque tem contrato para cumprir que, se for rescindido agora, tem pagamento de multa” fala.
Ele ainda ressaltou o que chamou de “Câmara sucateada”, que precisa de investimentos em tecnologia da informação e em infraestrutura. “O vereador Alisson, como é um conhecedor do assunto, ficou designado para fazer um estudo de TI e apresentar em poucos dias”, destaca Peixer.
Prioridades para a gestão
Entre as prioridades para esse mandato, Maurício Peixer elenca a CPI do rio Mathias, que deve ser aberta ainda neste mês, a zeladoria da cidade e uma resolução para o aumento da quantidade de moradores em situação de rua em Joinville, um assunto que, segundo ele, “vai doer na carne”.
Um dos projetos que ele pretende propor é a abordagem aos moradores em situação de rua e, dependendo do caso, “destiná-los” às suas cidades. “Precisamos entender de onde vêm, por que estão aqui, de que maneira estão aqui e como foram mandados pra cá. Aqueles que não quiserem ser tratados e recuperados, temos que mandar para as cidades de onde são”, avalia Peixer.
A primeira sessão da Câmara neste mandato deve ocorrer no dia 18 de janeiro, já que os vereadores querem reduzir o recesso.