“Bombas e tanques de guerra passando”. Foi esse o cenário que o jogador de futebol Victor Adame descreveu ao falar de Kharkiv, cidade onde morava com quatro colegas na Ucrânia. Em entrevista ao ND Notícias, o jovem brasileiro contou como eles fugiram do país com auxílio de uma estrategista de paz que vive em Florianópolis, a diretora do Instituto Paz & Mente no Brasil, Cerys Tramontini.
Jogador brasileiro Victor Adame e quatro colegas brasileiros estavam no país europeu durante a invasão da Rússia – Foto: Arquivo Pessoal/NDO jogador lembrou que estava em casa, quando chegou a mensagem da embaixada dizendo que um trem sairia de Kharkiv para Lviv. “A gente acabou ficando sem água, o alimento acabou ficando escasso, a gente [ficou] com sede e fome. Após isso, quando chegou na fila da fronteira, a gente passou muito frio”, contou.
O grupo cruzou a fronteira com a Eslováquia em segurança nesta segunda-feira (28). Os brasileiros descansavam durante os trajetos de trem. Em cada cidade que passaram, os jovens receberam apoio de membros da Embaixada do Brasil como parte do planejamento.
“A gente tá com duas peças de roupa aqui. Nossa mala, ficou tudo lá. A gente só veio com mala de mão mesmo. A gente tá conversando para que possa voltar para o Brasil o mais rápido possível. A gente também quer voltar a ter nossa rotina, ver nossa família. Depois de tudo que a gente passou, é bom dar um abraço nos familiares para fechar esse ciclo difícil”, desabafou Victor.
A contratação da estrategista de paz partiu da família de Victor. Cerys foi contratada para analisar, mapear e garantir a efetivação da operação de retirada dos jovens do país em conflito. Mais tranquilos com a saída do jogador da Ucrânia, os familiares agora aguardam a chegada dele ao Brasil.
“Pelo menos a gente conseguiu dormir. Eu, como tio, consegui dormir tranquilo. Mãe e pai não dorme. A gente tá num processo muito turbulento. Todo momento a gente fala nisso e aí você tá assistindo televisão, vendo as notícias e a angústia volta pelas pessoas que estão lá ainda. Agora, a gente não vê a hora de reencontrar os meninos. Acredito que até o fim de semana possa estar pintando por aí”, disse o tio de Victor, Júnior Adame.
“A gente passou por muitas coisas. Se não fosse um grupo bom que se apoiava… porque foi muito difícil a situação. Dentro do apartamento, a gente ouvindo bombas, vendo tanques de guerra passando e o sofrimento também na fronteira onde a gente passou frio e tiramos força da onde a gente não tinha. Agradecer muito a Deus por ter nos dado esse livramento”, relembrou Victor.
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