“Eu quero reconstruir Joinville”, fala Darci de Matos

Candidato do PSD falou sobre suas propostas para a cidade em entrevista à NDTV Joinville e ao portal ND+

Juliane Guerreiro Joinville

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Nesta segunda-feira (26), o Grupo ND iniciou a última semana de entrevistas com os prefeituráveis de Joinville. Desta vez, foi a vez de Darci de Matos (PSD) falar sobre as suas propostas para a maior cidade de Santa Catarina.

Darci de Matos tem 57 anos, é formado em Economia pela Univille e pós-graduado em Administração e Marketing. Como servidor, teve passagens pela Fundação Municipal 25 de Julho, pela Fundamas e por escolas estaduais. Foi eleito vereador de Joinville em 2000 e 2004, onde foi presidente da Câmara por duas vezes. Em 2008 e em 2016, foi candidato à prefeitura de Joinville, chegou ao segundo turno, mas não se elegeu. Foi deputado estadual e, desde 2018, é deputado federal por Santa Catarina.

Entrevista com Darci de Matos foi conduzida pela apresentadora Sabrina Aguiar – Foto: Juliane Guerreiro/NDEntrevista com Darci de Matos foi conduzida pela apresentadora Sabrina Aguiar – Foto: Juliane Guerreiro/ND

Confira a entrevista:

Essa é a terceira vez que o senhor se candidata ao cargo de prefeito em Joinville. O que faz pensar que, dessa vez, será eleito?

Eu não poderia me acovardar, a cidade está numa situação preocupante, devastada, desde o Centro até os bairros. Pessoas morrendo na fila do SUS para uma cirurgia, 10 mil crianças fora da escola de educação infantil, empresas indo embora de Joinville.

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O que me faz estar convencido de que vamos ganhar a eleição é exatamente o desejo da mudança e a minha experiência. A minha candidatura significa o contraponto com a atual gestão, com o candidato do atual prefeito, que quer a continuidade. Nós entendemos que é hora de mudar, é hora de reconstruir, de fazer um governo diferente, com mais abertura, com mais transparência, com mais diálogo com as entidades e as pessoas. 

Eu tenho relacionamentos em Florianópolis e em Brasília, trabalhei com o presidente, ministros, deputados e senadores e vou sair do gabinete para buscar recursos para investir na maior cidade de Santa Catarina, que é Joinville.

Como devem funcionar as parcerias público-privadas para a Cidadela, o Ivan Rodrigues, a Arena Joinville e o Centreventos? Como estimular a participação de empresas nessas áreas e garantir que as PPPs saiam do papel?

É a experiência, é equipe. Nós precisamos colocar pessoas competentes que já fizeram PPP. A atual gestão até falou da PPP do teatro, mas não tocou. Essa modalidade veio do Reino Unido, entrou no Brasil por Minas Gerais, estão fazendo até cemitério, escolas. Eu fui o relator da lei estadual, conheço profundamente e gosto muito, é o pulo do gato. É uma modalidade nova.

Nós podemos fazer todos essas obras, e vamos fazer, sem gastar um tostão do caixa da prefeitura. É preciso ter atitude, ter vontade. Nós vamos fazer o teatro municipal, sem gastar nada, porque o terreno ali vale R$ 50 milhões. Vamos ter consórcios empresariais de Joinville ou de fora que vão se interessar. Vamos reconstruir a Cidadela. 

Vamos fazer o Mercado Municipal no Centro e reurbanizar toda a área central. Vamos fazer a PPP da Arena com o JEC, uma rodoviária nova porque estamos pagando R$ 140 mil de aluguel, então vamos melhorar a mobilidade daqui e ir lá pra perto da Expoville, na beira da BR-101.

Vamos fazer a PPP da iluminação pública, que em Belo Horizonte fizeram e baixaram 20% a COSIP e lá em dois anos dá pra colocar todas as lâmpadas de LED e aqui em Joinville nós temos 40% de lâmpadas de LED ainda. E vamos fazer a PPP do Ivan Rodrigues pra fazer uma areninha. Quanto vale a quadra do Ivan Rodrigues que está interditada hoje? Milhões. E vamos fazer a PPP do Cau Hansen que tem que ser na linha da Expoville.

Nós temos que copiar o que o Carlito fez com a Expoville: estava interditada, não poderia mais ser utilizada, precisava de R$ 20 milhões para reconstruir e não tinha dinheiro. Foi feita uma PPP, uma atitude liberal. Entrou a empresa, colocou R$ 20 milhões, restaurou e a cidade está fazendo seus grandes eventos lá. Isso é muito certo, a prefeitura não gastou nada e nós temos o equipamento à disposição da cidade. E é isso que vamos fazer através das parcerias público-privadas em Joinville. E vamos pensar até na hipótese de fazer um grande parque municipal através de uma parceria público-privada.

Em seu plano de governo, você fala em prever, na próxima concorrência pública, a descarbonização da frota de ônibus. Isso quer dizer que fazer a licitação do transporte coletivo está nos seus planos?

Vou fazer aquilo que todo mundo falou e não tiveram a coragem de fazer, só enganaram a cidade. Vou licitar o transporte coletivo já no primeiro ano e, na licitação, nós vamos incluir ônibus mais confortáveis, mais linhas, um preço mais acessível ao trabalhador e um sistema moderno, com aplicativos, que facilite a vida das pessoas.

Nós precisamos motivar as pessoas a utilizar mais o transporte público e deixar o carro em casa. E nós já temos ônibus no Brasil com biodiesel, ônibus elétricos, ônibus de energia solar. Então, nós queremos que os ônibus usem energia sustentável e limpa.

Em seu plano de governo, você fala sobre a necessidade de uma reengenharia na estrutura administrativa. Na prática, quais são as suas ideias em relação a isso?

É uma reengenharia profunda. Nós vamos, de 23 secretarias, cortar 16. Vão ficar sete secretarias, somente sete. E nós vamos fazer o que as empresas modernas fazem, vamos derrubar as paredes do gabinete e deixar o prefeito, o vice-prefeito e todos os sete secretários na mesma sala para que a gente possa se comunicar melhor e dar mais celeridade às decisões. As secretarias eu vou falar já antes das eleições.

Vai ficar a Secretaria de Educação e, para dentro da educação, vai cultura e esportes, que vão ser diretorias. Vai ficar a Saúde com o Hospital São José. A infraestrutura vai absorver todas as oito subprefeituras que vão cair do status do primeiro escalão para o segundo. Nós vamos fazer a Secretaria de Cidadania, que vai unir Assistência Social, Habitação e Segurança. Vamos manter a Secretaria da Agricultura, Meio Ambiente e Sustentabilidade, que é fundamental, já que ali reside o problema do destravamento dos alvarás e licenciamentos de construção. E vamos deixar a secretaria do Desenvolvimento Econômico, Planejamento Urbano e Turismo e a Secretaria de Fazenda, Recursos Humanos e Administração.

Mas você vai acabar com as subprefeituras? Vou acabar sim. Vou acabar com cabide de emprego, mas vou dar pra elas o que elas precisam, que é patrola, retro, cimento, saibro, tubo. Isso eu vou dar. Hoje não tem, hoje tem cargo. Tem vereador que tem 40 cargos indicados na prefeitura. Isso é um abuso,, um absurdo, uma vergonha. Essa é a nossa reengenharia, além de acabar com 50% dos cargos comissionados, que de 500 vai ficar com 250. 

O senhor fala em reduzir os cargos comissionados, mas sabemos que, quando há apoios, há também as cobranças pós eleições para cargos no governo. Como agradar os aliados?

Eu tenho que agradar a cidade. Não vou colocar nenhum político, nenhum vereador nas secretarias, nada. Já disse que não tenho compromisso nenhum, meu compromisso é com a cidade e com projetos. Os partidos vieram porque perceberam que o nosso time é forte, ninguém quer perder, e porque concordaram com o nosso plano de governo.

Eu não tenho o compromisso de dar carguinho para ninguém. Essa gestão sim, o secretário da área social é presidente de um partido, o secretário da habitação é presidente de outro partido, o secretário da educação é um vereador e o diretor da área cultural é presidente de outro partido. Isso é politicagem barata, isso eu não vou fazer.

Se eu estivesse preocupado com isso, eu não teria cortado a metade dos cargos comissionados e cortado de 23 para sete secretarias. Não tenho compromisso nenhum de cargos, quem quer emprego vai nos RHs da cidade, nós queremos competência, especialistas.

A secretaria de Educação vai absorver cultura e esportes. Hoje, já temos reclamação dos profissionais pela união da cultura e do turismo em uma mesma pasta. O que fazer para que a cultura não perca espaço?

Hoje, a Secretaria de Cultura e Turismo não tem dois especialistas na área, um é um lojista e o outro é presidente de um partido, que não foram indicados pela área cultural, começou errado. Não se faz cultura com cargos, se faz com especialistas. Vou colocar um especialista na área do turismo indicado pelo trade, pelo conselho municipal e vou colocar um especialista na área cultural na diretoria indicado por todas as forças culturais da cidade.

A gestão atual tem pessoas que não são da área. E vamos dar orçamento, vamos valorizar a cultura. A cultura é a economia criativa, nós vamos popularizar a cultura levando a Casa da Cultura para os bairros, nós vamos criar espaços culturais, o Complexo Cultural da Cidadela, lá no Mercado Municipal nós teremos espaços culturais também. Nós vamos ouvir o conselho municipal, vamos colocar um especialista na área cultural, vamos, com um novo teatro municipal, colocar Joinville na rota dos grandes eventos culturais do Brasil. 

Vamos valorizar o Bolshoi, o Festival de Dança, não com dinheiro público, mas colocando a pasta embaixo do braço e indo buscar patrocínio, como eu fiz com o JEC, fui lá e busquei a Red Horse de volta para o JEC. Então, o prefeito tem que ser o animador da cidade, estar junto com os presidentes dessas instituições para buscar recursos. A cultura terá uma atenção especial.

O Simdec faz dois anos que não pagam. Eu sou autor da lei do mecenato estadual, que foi aprovada e regulamentada agora. Eu sou ligado à cultura, essa lei é fundamental, é a redenção das pequenas iniciativas culturais de Santa Catarina na linha do mecenato nacional. Um pequeno grupo de teatro, de dança, um poeta, um escritor, enfim, ele vai numa empresa pede dinheiro para o patrocínio e a empresa, dentro do processo do edital, dá o dinheiro e vai deixar de recolher o ICMS para o caixa do governo do Estado. 

Essa é a lei do século para a cultura porque vai beneficiar as pequenas iniciativas. Eu sou o autor, então eu tenho dado a minha contribuição ao longo dos anos. Eu tenho preocupação com a cultura, que gera emprego, que aquece a economia. Como dizia o saudoso Luiz Henrique, “um povo sem cultura é um povo sem história e sem identidade”.

Você fala em revitalizar o centro histórico. Quais são os projetos para essa área e de onde viriam os recursos?

Não precisa de recursos, nós vamos fazer um centro novo através de uma PPP, não precisa de dinheiro. Eu vou restaurar o centro histórico como? Vamos fazer uma PPP da Cidadela Cultural, um grande centro cultural, gastronômico e comercial de graça com empresários de Joinville ou de fora, que terão interesse porque aquilo ali tem um valor histórico, turístico e cultural. 

Vamos fazer o novo teatro municipal ali no terreno da SDR e criar uma rota cultural da Cidadela, Teatro e Centro. Nós vamos tirar os ônibus do Centro, vamos fazer um centro na linha de Paris, mais calmo, sustentável e humanizado, preparado para o pedestre e para o ciclista. E os ônibus vão passar na Beira-Rio, na JK e na João Colin. E os trabalhadores vão ficar em pequenos terminais confortáveis similares aos de Curitiba

E no lugar do terminal atual vamos fazer uma PPP e fazer um grande mercado municipal na linha do de São Paulo, que é o que está sendo feito em Belo Horizonte. Esse consórcio vai fazer um mercado e nós vamos exigir no edital que ele restaure, reurbanize todo o anel central que está devastado, da Princesa Isabel até a Rua das Palmeiras e da Beira-Rio até a JK e a João Colin. Vamos ter um Centro que vai orgulhar todos nós, com comércio revitalizado para que as pessoas voltem a visitar o Centro.

O senhor fala em ampliar a oferta de programas sociais em bairros de maior vulnerabilidade social. Que tipo de programas? 

Nós vamos ter uma Secretaria da Cidadania e eu tenho relacionamentos fortes em Brasília com a presidência, com os ministros. Lá, tem muitos recursos, mas tem que ter projeto e equipe para buscar. O prefeito tem que sair do gabinete e ir atrás. Nós precisamos colocar mais CRAS e CREAS em Joinville. Nós vamos tocar o projeto da regularização fundiária, já que tem 30 mil famílias sem escritura, nós vamos dar dignidade para essas famílias.

Nós vamos tocar o saneamento básico. Joinville é uma vergonha, só 39% do esgoto é tratado. Esgoto tratado significa saúde. E nós vamos fazer pequenos parques, praças públicas com as associações de moradores para que o nosso povo possa praticar caminhada, andar de bike, fazer academia. Então, vamos dar uma atenção especial para as pessoas dos bairros e que são vulneráveis. Nós temos seis mil famílias que ainda acessam o Bolsa Família. 

Nós temos invasões em Joinville, embriões de favelinhas, lá no Paraíso, no Juquiá, no Paranaguamirim, no Lagoinha e isso é preocupante porque a prefeitura não fez a fiscalização nos finais de semana e isso tem que voltar a ser feito. Nós temos que dar atenção para quem está lá, mas temos que fiscalizar com mão de ferro para proibir que as pessoas venham pra cá e construam meia-água no fim de semana. 

Hoje, a licitação e as obras do rio Mathias estão suspensas e tendem a ser um desafio para o próximo prefeito. Como pretende lidar com essa questão?

Isso foi uma grande vergonha. Uma obra mal planejada, mal feita, enterraram ali quase R$ 30 milhões, acabaram com o Centro, que já estava ruim, e faliram muitos comerciantes. Fizeram uma licitação mal feita, com empresa de fundo de quintal a, agora, a obra está inacabada e a empresa foi embora.

Assim que ganhar a prefeitura eu vou sentar com os técnicos, com os engenheiros e com a comunidade para decidir o que fazer. Eu não tenho todas as informações, portanto, não posso dizer se vou tocar ou não. Primeiro eu preciso me inteirar dessa catástrofe que significa o rio Mathias, uma obra que há dúvidas técnicas se ela vai funcionar.

Entrevista foi transmitida pelo programa Balanço Geral – Foto: Juliane Guerreiro/NDEntrevista foi transmitida pelo programa Balanço Geral – Foto: Juliane Guerreiro/ND

O senhor fala em modernizar o “Disque Saúde” e implantar o serviço de telemedicina para gerenciar melhor o atendimento aos cidadãos. Como isso funcionará exatamente? Há uma previsão de quantos atendimentos por dia?

Aqui em Joinville tem o tele saúde, que funciona de segunda a sexta. Em Florianópolis, tem o Alô Saúde, que funciona de segunda a segunda. Então, modernizar é ampliar a estrutura, fazer com que o atendimento possa ser 24 horas e nos finais de semana. A telemedicina é fundamental, a gente aprovou ela na Câmara dos Deputados, agora é lei. 

Hoje, esse tele saúde está muito tímido, muito pequeno para a maior cidade de Santa Catarina. Muitas questões podem ser resolvidas pelo tele-saúde e muitas questões podem ser encaminhadas pela telemedicina.

Você fala em implantar vários binários e duplicar algumas vias da cidade. Com que recursos fazer isso?

Eu vou dizer quais obras e como fazer para evitar incorrer no erro que a atual gestão fez com a ponte do Adhemar Garcia. Então, nós vamos fazer a duplicação da Ottokar. Nós já temos R$ 20 milhões, R$ 8 milhões das minhas emendas individuais, R$ 8 milhões das emendas do Rodrigo Coelho e R$ 4 milhões do deputado Guidi. Custa R$ 28 milhões. Para as desapropriações não tem dinheiro, vou fazer com permuta de terreno público e aí já está resolvido.

Nós vamos duplicar a Almirante Jaceguay no Costa e Silva, que custa R$ 37 milhões. Eu vou colocar R$ 7,5 milhões das minhas emendas coletivas e o Rodrigo mais R$ 7,5 milhões, já tem R$ 15 milhões. As desapropriações, que custam R$ 10 milhões, vamos fazer com permutas de terreno. Então, já chega a R$ 25 milhões, mais da metade dos recursos da obra, que vai melhorar a mobilidade daquela área. O resto eu vou buscar em Florianópolis e em Brasília.

A duplicação da Dona Francisca não posso assumir que vou fazer. Essa eu vou assumir que vou trabalhar para fazer, é diferente de dizer que vou fazer. Eu acho que consigo, vou trabalhar muito para fazer, mas não posso assumir uma obra de R$ 100 milhões. 

As três pontes da área Sul, essas eu vou fazer porque já estão no PAC, a ponte da Aubé, Nacar e Anêmonas. Por que não foram feitas ainda? Porque a prefeitura atrasou para mandar o projeto para lá, o dinheiro está garantido. E a requalificação e abertura da Urussanga também está no PAC.

Os demais binários, alguns são baratos, é só pavimentar as ruas e organizar com a engenharia de tráfego. Mas sempre que eu fizer um binário, eu vou sentar com os engenheiros e com a comunidade. Porque a atual gestão mexeu no trânsito sem falar com a comunidade.

Por que o eleitor joinvilense deve votar em você?

Porque eu sou o mais experiente, eu me preparei. Fui presidente da Câmara, deputado estadual, deputado federal. Eu tenho relacionamentos em Florianópolis e em Brasília. Porque eu quero reconstruir a cidade, eu estou indignado com o que fizeram com Joinville. Então, o eleitor joinvilense pode confiar em mim: eu sou o mais velho e o mais preparado e o que tem mais portas abertas para trazer dinheiro para Joinville. E nós estamos com muita energia, com muita vontade, muitos projetos, com um time do bem e nós vamos reconstruir a cidade com atitude, experiência, vontade e relacionamentos na esfera federal e estadual.

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