O ex-prefeito de Joinville Udo Döhler foi ouvido na manhã desta quarta-feira (24) pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do rio Mathias, instaurada pela Câmara de Vereadores.
Os principais questionamentos foram a respeito do processo de licitação da obra e do processo administrativo realizado pela prefeitura na gestão de Döhler que culminou na rescisão do contrato com as empresas que executavam o projeto quando 70% da obra estava pronta.
Udo Döhler foi ouvido pela CPI do rio Mathias – Foto: Mauro Artur Schlieck/NDO ex-prefeito disse por diversas vezes que o grande problema das obras do rio Mathias é que o consórcio vencedor da licitação buscou aditivos ao contrato original depois de dois anos do início da obra. Ele disse que a prefeitura sofria pressão para conceder os aditivos por causa de ameaças de paralisação de obra e retirada das máquinas do local, mas não entrou em detalhes.
SeguirAs empresas, segundo Döhler, alegavam a impossibilidade de executar o projeto para pedir os aditivos, algo que ele contestou ao afirmar que “se houvesse um mínimo sinal de que a obra fosse inexequível nós não teríamos avançado com esse projeto”.
A obra, orçada em mais de R$ 65,3 milhões, ficou com um consórcio de empreiteiras que ofereceu realizar o serviço por R$ 45,8 milhões. Isso ocorreu porque a licitação foi realizada na modalidade de menor preço.
Capacidade financeira do consórcio
Os integrantes da CPI também questionaram a capacidade financeira do consórcio vencedor da licitação. Segundo documentos obtidos pela CPI do rio Mathias, o capital social do consórcio teria sido alterado de R$ 320 mil para R$ 7 milhões três semanas antes da licitação a fim de enquadrar a empresa na exigência do edital.
Udo Döhler foi questionado sobre a capacidade financeira da empresa para executar a obra. “Eles [as empresas] realizaram; e eles não tinham capital de giro suficiente, mas executaram a obra por quê? Porque receberam em dia os pagamentos. Tanto assim que ainda alguns milhões poderiam ter sido pagos (…); mais um fôlego para que elas avançassem na obra. E não o fizeram”.
Os vereadores também perguntaram por que o contrato não foi rescindido ainda antes e Döhler afirmou que “romper o contrato anteriormente resultaria num passivo para o município”. E emendou ainda: “a empreiteira queria nos vencer pelo cansaço”.