O depoimento em vídeo de um dos prefeitos envolvidos no esquema de propina apontado pela Operação Mensageiro detalha que contratos de serviços de coleta de lixo em seu município custariam a metade se não fosse o esquema criminoso, em que uma empresa é investigada por pagar propina em troca de favorecimento em licitações de serviços públicos.
Em depoimento, fala sobre contratos de serviços de coleta de lixo – Foto: Reprodução/ NDFalando a investigadores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), o prefeito assume que estava envolvido no esquema criminoso e detalha como tudo teria começado, quando um funcionário da Serrana Engenharia, agora chamada Versa, entrou em contato para oferecer a propina.
“Fui procurado pelo [nome de funcionário], da Serrana. E ele falou sobre a possibilidade de ampliar esse contrato ou fazer um novo contrato e a possibilidade de destinar um valor. Se ficasse em torno de R$ 30 mil, a Serrana me passaria R$ 5 mil.”
A Serrana mudou de nome em meio às investigações da Operação Mensageiro, passando a disputar contratos como Versa Engenharia.
SeguirPrefeito detalha primeiro encontro com “mensageiro”
No depoimento, o prefeito conta quando foi apresentado ao “mensageiro”, articulador do esquema que deu nome à operação do MPSC.
“O [funcionário da Versa] veio na prefeitura e disse assim, ó: ‘Nós temos um mensageiro que faz a entrega, então, assim, qual é o celular que o senhor usa?’. Pegou o meu celular e disse ‘ele vai lhe mandar uma mensagem.'”
Em seguida, ele detalha o primeiro encontro.
O mensageiro descia do veículo e geralmente colocava o envelope dentro da manga. […] Ele colocava a mão dentro do carro e soltava dentro do veículo. Eu baixava o vidro e ele soltava dentro do veículo.
O prefeito fala que a Serrana teria entregado a ele até R$ 20 mil em propina dentro de um único envelope. Então, o interrogador pede para o prefeito supor o que faria “caso fosse honesto”. O gestor municipal então responde que, caso fizesse a licitação corretamente, o valor cobrado dos cofres públicos para a gestão de resíduos sólidos cairia para metade.
“Eu acho que hoje, a metade do que é pago. O nosso [licitações que foram feitas] é R$ 30 [mil], então R$ 15 [mil] no máximo!”, completa.