Florianópolis pode ter legislação sobre uso das caixas de som nas praias

Projeto de lei segue na Câmara e, se aprovado, pode multar em até R$3.577,20 quem usar o equipamento. proposta gera polêmica entre moradores e turistas

Eduardo Garcia Florianópolis

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O som das ondas, dos risos, das conversas e dos apelos dos ambulantes pode voltar a ser o dono das praias de Florianópolis. Há algum tempo, o burburinho comum nos balneários foi tomado por músicas em volume exagerado que incomoda a todos que buscam o relaxamento à beira-mar.

Projeto de lei quer barrar uso dos aparelhos nas praias da região – Foto: Reprodução/NDTVProjeto de lei quer barrar uso dos aparelhos nas praias da região – Foto: Reprodução/NDTV

Mas o clima de civilidade deve retornar às praias da Capital caso um PL (Projeto de Lei), que foi protocolado na semana passada na Câmara de Vereadores, seja aprovado.

A proposta da vereadora Maryanne Mattos (PL) proíbe o uso de caixas de som, alto-falantes ou quaisquer outros equipamentos que causem perturbação ao sossego público nas praias e seus respectivos acessos.

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O PL prevê multa de R$ 119,24 a R$ 3.577,20 e apreensão do equipamento. Na justificativa da proposta, a parlamentar alega que “a comercialização em massa dos equipamentos portáteis de música levou ao espaço público excesso de ruído e poluição sonora, caracterizada pelas vibrações ruidosas em ambientes públicos, que afeta a saúde, a tranquilidade e o sossego dos demais usuários de nossas praias e ambientes naturais.”

A perturbação do sossego tem sido um problema recorrente em Florianópolis, conforme dados da Polícia Militar, 70% das chamadas são de reclamação de barulho.

Atualmente o Código de Posturas de Florianópolis já prevê limitações aos ruídos, mas a proposta pretende especificar essas questões nas áreas litorâneas.

Segundo o superintendente do Turismo de Florianópolis, Vinícius de Luca, as caixas de som estão cada vez mais comuns em todo o litoral brasileiro.

“O bom senso deveria imperar, mas há abuso por parte de muito usuário, que coloca em volume que incomoda os vizinhos de faixa de areia. Estamos observando o andamento do PL e nos manifestaremos em momento oportuno.”

Em Itapema, a utilização das caixas de som nas praias já é proibida desde 05/10 e até agora foram advertidas 128 pessoas, porém não houve apreensão, já que a orientação foi seguida e o som desligado.

Moradores reclamam da intranquilidade

Daniele Novaes mora nos Ingleses e relata que procura os lugares mais afastados da praia para evitar a poluição sonora. “É um desrespeito o que acontece na praia. Eu sempre busco ficar longe do centrinho porque a perturbação sonora vem de todos os lados”. Ela é presidente da Amoris (Associação de Moradores dos Ingleses e Santinho) e vê muita reclamação da comunidade nos grupos de conversa.

Lyanne Rehder é uma dessas pessoas. Para ela, a música é uma coisa pessoal e por vezes sai da praia mais estressada do que tranquila. “Eu deixo de frequentar a praia no verão porque não há um lugar tranquilo para sentar e olhar o mar em paz.”

Durante o programa Balanço Geral de ontem foi feita uma enquete perguntando o que as pessoas achavam dessa proibição e a grande maioria de quem participou disse ser a favor da proposta.

“Não poderia ser mais favorável a este projeto de lei que proíbe caixas de som nas praias da Capital. Em outras palavras, esta proibição é música para os meus ouvidos. Viva o som da natureza”, disse Alexandre Martinelli por aplicativo de mensagem.

O projeto de lei está atualmente na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). A intenção da vereadora é levar para votação até o início da temporada de verão.

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