Florianópolis quer revisar Plano Diretor e São José ser polo tecnológico

No dia do vereador, presidentes das Câmaras de Florianópolis e São José fazem balanço da Legislatura e revelam anseios das cidades para o futuro

Nícolas Horácio Florianópolis

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Méri Hang e Roberto Katumi têm, em comum, quatro mandatos e o partido, o PSD. Experientes, eles comandam, respectivamente, as Câmaras Municipais de São José e Florianópolis, mas as semelhanças acabam aí. As cidades vizinhas têm pontos de conexão, mas demandas bem diferentes. Neste 1º de outubro, Dia do Vereador, Méri e Katumi revelam o que as câmaras estão realizando e projetando para as cidades.

Câmara de Vereadores de FlorianópolisCâmara de Florianópolis tem 23 vereadores e vai pautar mudanças no atual Plano Diretor, que é de 2014 – Foto: Divulgação/ND

“Sou educadora e tenho muito claro, na minha vida, o poder que a educação tem de transformar. Educação tem que ser prioridade em qualquer política pública e, por isso, me lancei candidata”, lembra Méri Hang, presidente da Câmara Municipal de São José.

“Tenho 32 anos de vida pública, grande parte no Poder Executivo. Tinha uma chama comunitária muito grande e achei que poderia contribuir do outro lado, ou seja, no Legislativo”, conta Roberto Katumi, presidente da Câmara Municipal de Florianópolis.

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Florianópolis quer focar em novo Plano Diretor

Fazendo um balanço da atual Legislatura na CMF (Câmara Municipal de Florianópolis), que tem 23 vereadores, Katumi disse que o grande desafio é a pandemia. “A Câmara é a casa do povo e nos afastamos da população quanto ao tema presencial, mas conseguimos dar nossa contribuição”.

Ele destaca aprovação de projetos como a implantação das antenas 5G: se as normas não fossem alteradas, estaríamos falando de aproximadamente uma década para poder ter essas demandas atendidas na Capital”.

Também fala do auxílio emergencial para famílias carentes, do financiamento para obras da infraestrutura e da permissão às empresas para dividir, em até 120 parcelas, os débitos com o município: “são projetos que engrandecem e enaltecem a Câmara”, avalia.

Roberto Katumi, vereador em FlorianópolisRoberto Katumi, presidente da CMF: “Deixei o time dos explosivos. Agora, sou dos moderados.” – Foto: Divulgação/ND

Sobre as metas da gestão, assume o tom republicano: “uma das minhas metas é aprovar, pelo menos, um projeto de cada vereador”. Questionado se a Câmara é aliada do prefeito Gean (DEM), discorda: “a Câmara é aliada de primeira ordem do povo de Florianópolis”.

Para o futuro, a meta é a revisão do Plano Diretor. “Queremos, ainda em 2021, ter a posição dos parlamentares. Não vamos mexer em zoneamento e temas polêmicos, mas revisar as leis que, infelizmente, não foram muito bem elaboradas em 2014 e travam o desenvolvimento da cidade”, sinaliza.

Da oposição, o vereador Marquito (Psol) faz críticas e elogios a Katumi. A principal crítica é que, segundo ele, projetos protocolados pela oposição não avançaram e matérias semelhantes, do Executivo, sim.

Ele acredita que há espaço de diálogo com a presidência, porém, muitas vezes, o bloco do governo atropela. Também sente falta de debates mais aprofundados.

Marquito, vereador em FlorianópolisMarquito (Psol), mais votado nas eleições de 2020, em Florianópolis, falou em nome dos 23 vereadores da Capital na posse. – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/ND

“Nosso papel é fiscalizar e melhorar as matérias protocoladas e não simplesmente passar tudo sem debate. Isso tem que melhorar”. Por outro lado, Marquito elogiou a criação da reunião de líderes das bancadas: “construímos algumas coisas nessa reunião, por exemplo, a comissão especial da regularização fundiária”.

São José quer ser 2º polo tecnológico do Estado

Liderando a Câmara Municipal de São José, que tem 19 parlamentares, Méri Hang também lamenta que a pandemia afastou os cidadãos, mas destaca as ferramentas que facilitam o acesso digital.

“Tudo é transmitido ao vivo. A Câmara tem TV aberta, as redes sociais. Não há impeditivo para quem está interessado”, lembra a presidente do legislativo josefense.

Vereadores de São José em reunião com Casan sobre a ETE (Estação de tratamento de Esgoto) de Potecas – Foto: Leo Munhoz/NDVereadores de São José em reunião com Casan sobre a ETE (Estação de tratamento de Esgoto) de Potecas – Foto: Leo Munhoz/ND

Sobre a gestão, destaca as rodas de conversa e reuniões públicas focadas nos assuntos da cidade, como mobilidade urbana, transporte público integrado, pessoas em situação de rua e a Estação de Tratamento Esgoto de Potecas.

“E precisamos de mais policiais militares no município. É uma briga com o Governo do Estado, desde janeiro. A cidade clama por segurança pública”, pondera.

Entre os projetos aprovados menciona, primeiramente, um que privilegia mulheres vítimas de violência. “Todos os contratos de terceirização da Câmara garantem, no mínimo, 30% de vagas para as mulheres. Desses, 5% devem ser para vítimas de violência, que precisam de acolhimento para alcançar a independência econômica”.

Sobre a relação com o prefeito Orvino Coelho (PSD), Méri aponta que o Executivo é propositivo. “Todos os projetos do Executivo, que têm resposta positiva, estão sendo aprovados. Eles encaminham projetos dentro da normalidade”, pontua.

Méri Hang, presidente da Câmara Municipal de São José: “somos apenas duas aqui na Câmara e é importante que as mulheres participem da vida pública, pois somos 51% dos eleitores.” – Foto: Divulgação/NDMéri Hang, presidente da Câmara Municipal de São José: “somos apenas duas aqui na Câmara e é importante que as mulheres participem da vida pública, pois somos 51% dos eleitores.” – Foto: Divulgação/ND

Em relação ao futuro, ressalta que São José também quer ser referência em tecnologia. “A cidade vai ser o 2º polo tecnológico de Santa Catarina. Estamos viabilizando isso e a primeira mudança foi oferecer crédito a microempresários”, afirma.

Da oposição, André Guesser (PDT) disse que a transparência é um aspecto positivo desta Legislatura, mudança iniciada na anterior: “o cidadão consegue ter acesso a praticamente tudo que fizemos”.

André Guesser, vereador em São JoséAndré Guesser é o único vereador de oposição ao Executivo em São José – Foto: Divulgação/ND

Elogiou, também, a austeridade. “Economizamos, em média, R$ 10 milhões por ano.” O vereador acredita que, para melhorar, a mesa-diretora precisa colocar em discussão o novo regimento interno.

“Um novo regimento foi feito na Legislatura passada e precisa entrar em deliberação. O atual é dos anos 2000”, disse Guesser. Ele também acha que a Câmara de São José precisa atuar de forma harmônica, porém, mais independente em relação ao Executivo.