O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e o Ministério Público deflagraram nesta quinta-feira (30) a Operação Lajotas. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em dois gabinetes da Câmara de Vereadores de Joinville. Os alvos da operação são os vereadores Mauricinho Soares e Cláudio Aragão, ambos do MDB.
A investigação se iniciou a partir da Delegacia Regional de Joinville. Participam da operação 52 policiais que integram o Gaeco, com apoio externo de policiais militares e policiais civis da Comarca de Joinville.
SeguirNo total, a Operação Lajotas cumpre 28 mandados de busca e apreensão com o objetivo de apurar supostos crimes contra a administração pública, como peculato, corrupção ativa, corrupção passiva, falsidade ideológica e sonegação fiscal.
Os crimes teriam sido praticados entre os anos de 2016 e 2020, no programa de pavimentação comunitária, utilizando lajotas cimentadas, implementado em diversas ruas no município de Joinville.
Policiais e Ministério Público realizam operação na Câmara de Vereadores de Joinville – Foto: Isabela Corrêa/NDTVOperação Lajotas: detalhes da investigação
Conforme as investigações, as subprefeituras de distintas localidades de Joinville foram distribuídas para livre indicação política pelos vereadores das respectivas regiões.
Utilizando-se das estruturas das subprefeituras de Joinville, os vereadores investigados passaram a agir como facilitadores das contratações celebradas para pavimentação de ruas, indicando empreiteiros para a realização dos serviços.
Entre os parlamentares beneficiados pelo esquema, evidenciou-se a liderança de um vereador que atuou como líder do poder executivo municipal junto à Câmara de Joinville. Este, supostamente seria notoriamente conhecido como “Rei da Lajota”.
Os próprios vereadores – ou seus assessores parlamentares à época – faziam reuniões com os moradores interessados para intermediar as negociações com as empreiteiras que eram indicadas por eles. Além dos vereadores e ex-assessores, são investigados os ex-subprefeitos.
Pavimentação ilegal sem documentação
O Ministério Publico solicitou documentação das pavimentações comunitárias para todas as subprefeituras de Joinville, e as subprefeituras responderam que não tinham documentações sobre esses processos.
De acordo com o MP, cerca de 90% das pavimentações comunitárias ocorreram sem documentação. Havia indícios de que agentes públicos estavam oferecendo estes serviços de pavimentação de maneira ilegal.
Foram constatadas ruas sem o serviço completo, como, por exemplo, via com apenas uma das mãos pavimentadas.