A reforma da Previdência dos servidores públicos estaduais de Santa Catarina foi entregue pelo governo do Estado à Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) e já está em tramitação. Ela é composta por uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) e um PLC (Projeto de Lei Complementar).
A iniciativa deve ser votada em plenário no dia 4 de agosto. O principal objetivo é definir as idades mínimas para que os servidores possam se aposentar.
PEC da reforma da Previdência já tramita na Alesc – Foto: Bruno Collaço/Agência ALPara alterar as idades mínimas da aposentaria, o governo de Santa Catarina seguiu o que foi estabelecido na reforma aprovada pelo Congresso Nacional em 2019.
SeguirA principal mudança está nas idades mínimas para aposentadoria voluntária. Para mulheres, passa a ser de 62 anos, e para homens 65 anos, observados o tempo de contribuição e os demais requisitos que são exigidos pela legislação.
A proposta retira a previsão de revisão das aposentadorias sempre que houver mudanças na remunerações de servidores em atividade. Além disso, veta a “adoção de requisitos ou critérios diferenciados para a concessão de benefícios”, assim como o recebimento de mais de uma aposentadoria pelo regime próprio de previdência dos servidores.
A PEC mantém o pagamento do abono de permanência para os servidores que mantiverem-se em atividade até a aposentadoria compulsória, mesmo com as exigências para a aposentadoria atendidas.
Déficit de R$ 4,8 bilhões
De acordo com as justificativas do governo estadual, o déficit – diferença entre arrecadação da contribuição e o que é gasto com os pagamentos – da previdência cresceu em 612,39% nos últimos dez anos.
O déficit era de R$ 784 milhões em 2009, e pulou para R$ 4,8 bilhões em 2020.
Dessa forma, o secretário de Estado da Administração, Jorge Eduardo Tasca, e o presidente do Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina, Marcelo Mendonça, julgam as alterações como “imprescindíveis para o equilíbrio fiscal e atuarial da previdência pública catarinense”.
“Além do critério do aumento da longevidade, as adequações se justificam pelo momento histórico e conjuntural, em que as transformações sociais, e não somente do ambiente econômico, resultaram ao longo das últimas décadas na ampliação de dezenas de benefícios custeados pelos recursos decorrentes das contribuições previdenciárias e do déficit corrente suportado pelo Tesouro Estadual”, justificam.
PEC abre a possibilidade do Iprev virar fundação pública
Uma alteração prevista na PEC abre a possibilidade de mudança no Iprev (Intituto de Previdência do Estado de Santa Catarina). O instituto poderá se tornar uma fundação pública.
A transformação resultaria em economia no pagamento de impostos, de acordo com as justificativas da proposta.
O artigo 159, que se refere a pensão por morte, apenas retira do texto a previsão do pagamento do benefício na totalidade do salário recebido pelo servidor, o que já foi revogado no ano de 2003. Atualmente, o cálculo da pensão é definido por lei complementar, na proposta da reforma, o governo altera a fórmula de cálculo das pensões.
Iprev pode virar fundação pública com nova PEC – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom