Os servidores públicos de Florianópolis declararam greve a partir desta terça-feira (12). Conforme o Sitrasem (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal), o ato de protesto é motivado por terceirizações realizadas pelo prefeito de Florianópolis, Topazio Neto (PSD). Se confirmada, será a nona em sete anos, mesmo com a Justiça decretando a ilegalidade das constantes paralisações.
Após terceirizações realizadas pela Prefeitura de Florianópolis, greve na Capital deve iniciar na terça-feira (12) – Foto: PMF/Divulgação/NDEm carta aberta publicada na segunda-feira (11), o sindicato explica que a prefeitura tem investido em terceirização, retirada de direitos dos trabalhadores e cortes feitos às escuras.
Por que a greve?
“Não existe fórmula mágica: quando o governo garante os direitos dos trabalhadores, investe no serviço público, abre concurso, chama os aprovados e compra novos equipamentos, quem ganha é a população”, aponta a entidade.
SeguirNo entanto, os representantes afirmam que a prefeitura prefere atacar a categoria, diminuir salários e jogar o dinheiro público na iniciativa privada. “Quem lucra é o grande empresário e a máfia das terceirizadas”, acusa o Sitrasem.
Além disso, os servidores municipais estão em período de data base para exigir o reconhecimento, valorização salarial, condições de trabalho e redução da sobrecarga.
O sindicato relata que a administração municipal não negocia e não chama novos trabalhadores dos concursos. “Se o prefeito não quer negociar, o trabalhador vai parar!”, afirma.
O que diz o prefeito?
Em suas redes sociais, o prefeito de Florianópolis, Topazio Neto publicou um vídeo nesta segunda-feira (11) comentando as possíveis motivações da greve.
Segundo Topazio, o presidente do Sintrasem, Renê Munaro, é participante de um partido que deverá lançar a candidatura de um concorrente à prefeitura da Capital. O atual prefeito acusa motivação “política” na declaração da greve.
Em seu vídeo, Topázio Neto ainda afirmou que o acontecimento da greve resultará em medidas extremas e poderá gerar multas milionárias.
“Ano eleitoral, tentativa de greve do sindicato. Não pensam nas crianças sem aula, nas pessoas sem saúde. Peço aos servidores que não aceitem mais ameaças pra paralisar”, escreveu na legenda do vídeo.
Serviços afetados
O prefeito Topázio Neto não descarta paralisações pontuais. Ele salientou, no entanto, que o município tem formas de contornar eventuais problemas. Lembrou que qualquer greve precisa manter 30% do contingente trabalhando.
No caso da saúde, num contexto de emergência para dengue, haverá reforço no Alô Saúde. Para a limpeza urbana, disse que a cidade tem extensões de contrato com uma empresa terceirizada e que outras empresas podem ser chamadas.
O caso da educação é mais delicado. Antes mesmo da reunião de ontem, uma escola do Campeche já anunciava que não haverá aula na terça-feira.
Negociações entre prefeitura e servidores
De acordo com a secretária municipal de Administração, Katherine Schreiner, o encontro de desta segunda-feira (11) serviu para que a prefeitura conheça as demandas financeiras do sindicato e as chamadas cláusulas sociais, como promoção de concurso público, convocação de concursados e manutenção das unidades de educação e saúde.
“Na próxima reunião traremos a Fazenda para apresentar o impacto financeiro de cada pedido e avaliar se o fôlego financeiro é suficiente para arcar com tudo ou com uma parte”, disse Katherine.
Segundo ela, a reunião foi cordial e, embora a data-base (período para discutir aumento salarial e outras demandas), seja em abril, para implantar na folha de maio, a prefeitura a antecipou em 20 dias, iniciando agora em março.
“Dentro da lei eleitoral existem limitações do que o poder público pode ou não fazer no ano eleitoral e o sindicato entendia que não poderíamos fazer negociação de data-base em abril por causa da eleição. Podemos, a única proibição é aumento acima da inflação a partir de 6 de abril”, disse a secretária.