Imagine um ambiente em que seu único adversário político é uma esquerda jurássica como a do PT, e você, por isso, pode bancar o moderado liberal e até o conservador, quando conveniente, sem qualquer risco de ter seu esquerdismo desmascarado. Não precisa imaginar. Essa era a situação do Brasil antes do advento das redes sociais.
Ex-residente Luis Inácio Lula da Silva – Foto: Divulgacão/Paulo Alceu/NDA imprensa, dominada pelo pensamento “progressista”, acusava o PSDB de ser de direita. E ficava por isso mesmo! Os tucanos são defensores da social democracia. Na economia, aceitam algum liberalismo parcial, ou seja, uma presença do mercado, certas privatizações, mas estão longe de representar o liberalismo clássico.
Nos costumes, endossam o relativismo moral, abraçam a ideologia de gênero, cotas raciais, toda cartilha de um PSOL da vida, sem muita distinção. Historicamente são mais moderados na forma, é verdade, apesar de governadores tucanos se mostrarem os mais autoritários nessa pandemia. Mas é muito mais uma diferença de estilo que de essência. No fundo, a satisfação com que FHC entregou a faixa presidencial ao “operário” Lula expõe bem as afinidades, maiores do que as desavenças.
SeguirO que tínhamos, portanto, era uma briga interna da esquerda pelo poder, sem espaço para a verdadeira direita. Como o PT abusou desse poder com os enormes escândalos de corrupção, e destruiu a economia com o nacional-desenvolvimentismo, os tucanos apoiaram o impeachment de Dilma, e acharam que o caminho icaria livre para eles. Não contavam com Bolsonaro, com uma população majoritariamente conservadora nas pautas de costumes, cansada do esquerdismo que dominou o país nas últimas décadas.
A pandemia foi o “presente da natureza” para tentarem destruir o governo, exatamente como seus equivalentes americanos, os democratas, fizeram contra Trump. A atriz Jane Fonda chegou a admitir isso, e no Brasil o ex-presidente Lula fez o mesmo. Os tucanos são mais discretos, mas não conseguem esconder: enxergam na pandemia a oportunidade para se livrar de Bolsonaro e retornar ao modelo anterior.
Em entrevista recente, o senador Tasso Jereissati, cacique tucano, avaliou: “Bolsonaro está queimado”, e o centro enfrentará Lula. Jereissati chama a esquerda mais “light” de centro, um vício do passado e uma estratégia do futuro. Ele airmou que a pandemia tirou o presidente do jogo e que o país não deve temer o petista. Claro: os tucanos não temem o PT, só Bolsonaro.
Os tucanos morrem de saudade do tempo em que eram a única “oposição” aos petistas. Hoje sabemos que, se depender do PSDB, o PT transforma o Brasil numa Venezuela. Enquanto Lula existir como ameaça concreta, o povo vai buscar uma opção robusta contra o socialismo. Os tucanos jamais serão tal opção. O “centro” não tem vez nessa polarização, pois o risco Lula é real, e o PSDB se nega a aceitar isso, por simpatia ou cumplicidade.