Após ser um dos alvos dos mandados de busca e apreensão da Polícia Federal por supostamente disparar mensagens golpistas em um grupo com outros empresários, Luciano Hang teve suas contas no Instagram, Tiktok e Facebook suspensos nesta terça-feira (23).
Através do perfil no Twitter, que não foi afetado, o empresário gravou um vídeo e disparou uma nota, na qual classificou como censura a suspensão das contas na internet. “Censura não! Onde está a democracia e a liberdade de pensamento e expressão?”, começou o empresário.
Empresário classifica como censura suspensão de perfis nas redes sociais – Foto: Luciano Hang/DivulgaçãoHang ainda apontou que a operação a qual ele e mais sete empresários foram alvos se trata de uma narrativa armada contra ele. “Tenho certeza de que este era o objetivo de toda esta narrativa armada contra mim: tentar me calar. Mas sigo tranquilo, pois tenho a consciência limpa e milhões de brasileiros ao meu lado”, defendeu.
SeguirLuciano teve a página no Instagram suspensa com mais 5,2 milhões de seguidores. O Facebook com quase 500 mil pessoas e o TikTok com mais de 215 mil seguidores. Os perfis no Twitter, Youtube e LinkedIn do empresário não foram afetados.
Compartilhe esse vídeo. Tive meu Instagram retirado do ar, por conta de uma matéria mentirosa, em que o próprio autor, o jornalista Guilherme Amado, admite que nunca falei sobre golpe. Juntos somos milhões. Não existe democracia sem liberdade! pic.twitter.com/tLZgklQTyI
— Luciano Hang (@LucianoHangBr) August 24, 2022
Veja a nota do empresário na íntegra
“CENSURA NÃO! Onde está a democracia e a liberdade de pensamento e expressão? Tenho certeza de que este era o objetivo de toda esta narrativa armada contra mim: tentar me calar. Mas sigo tranquilo, pois tenho a consciência limpa e milhões de brasileiros ao meu lado. Desde que me tornei ativista político luto pela liberdade do cidadão e por um Brasil melhor, mais próspero e justo. Seria muito mais cômodo para mim ficar no conforto da minha casa, mas escolhi não me calar diante das atrocidades do nosso país. Vivemos momentos sombrios, mas vamos vencer”
Luciano teve a página no Instagram censurada, com mais 5,2 milhões de seguidores. O Facebook com quase 500 mil pessoas e o TikTok com mais de 215 mil seguidores também foram censurados. Luciano Hang segue ativo agora em sua página no twitter @LucianoHangBr, Youtube Luciano Hang Oficial e Linkedin Luciano Hang.
Operação apura mensagens de apoio a Golpe de Estado
Uma operação da Polícia Federal contra empresários que teriam compartilhado mensagens com teor golpista em grupos de WhatsApp movimentou Santa Catarina nesta terça-feira (23).
Entre os alvos da operação, que cumpre oito mandados de busca e apreensão em cinco estados, estão dois empresários conhecidos em Santa Catarina: Luciano Hang, da Havan, e Marco Aurélio Raymundo, o Morongo, fundador da Mormaii.
Luciano Hang se posicionou em relação ao cumprimento de mandados em sua residência em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, e em Brusque, na sede administrativa da Havan, no Vale do Itajaí.
Por meio de nota, ele disse que foi surpreendido pela manhã, às 6h, enquanto trabalhava na sede das lojas e teve seu telefone celular recolhido pela Polícia Federal.
Oito empresários, dois deles de Santa Catarina, foram alvos da Polícia Federal – Foto: Moisés Stuker/NDTVTambém afirmou estar “tranquilo, pois estou ao lado da verdade e com a consciência limpa. Desde que me tornei ativista político prego a democracia e a liberdade de pensamento e expressão, para que tenhamos um país mais justo e livre para todos os brasileiros”.
Já Morongo, através de sua defesa, disse que “ainda desconhece o inteiro teor do inquérito, mas se colocou e segue à disposição de todas autoridades para esclarecimentos”. Um mandado foi cumprido em um endereço ligado ao empresário em Garopaba, Sul de Santa Catarina.
Além deles são investigados: José Isaac Peres (rede de shopping Multiplan), André Tissot (Grupo Serra), Ivan Wrobel (Construtora W3), José Koury (Barra World Shopping), Meyer Nirgri (Tecnisa) e Afrânio Barreira (Grupo Coco Bambu).
A operação foi deflagrada após ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e investiga se os empresários teriam defendido estratégias golpistas caso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhasse as eleições deste ano.
A ação é resultado de mensagens trocadas em grupos de WhatsApp pelos alvos, divulgadas em uma matéria do jornalista Guilherme Amado, do portal Metrópoles, em 17 de agosto, com o título: “Exclusivo. Empresários bolsonaristas defendem golpe de Estado caso Lula seja eleito; veja zaps”.
Após divulgação da reportagem, o senador Randolfe Rodregues (Rede-AP) acionou o STF e pediu que as investigações das mensagens e grupos de empresários sejam incluídos no inquérito das milícias digitais, sob a relatoria de Alexandre de Moraes.
A operação é tratada com sigilo absoluto pela Polícia Federal, que como de praxe não divulgou mais detalhes sobre a investigação policial.
O que dizem os outros empresários?
O empresário Afrânio Barreira Filho, da Coco Bambu, divulgou nota em que afirma estar “absolutamente tranquilo”. “Minha única manifestação [no grupo de WhatsApp] sobre o assunto foi um emoji [o desenho de um rapaz aplaudindo os comentários de outros integrantes do grupo] sinalizando a leitura da mensagem [anterior], sem estar endossando ou concordando com seu teor”, comentou, garantindo confiar na Justiça e ser favorável à democracia brasileira. “Nunca defendi, verbalizei, pensei ou escrevi a favor de qualquer movimento antidemocrático ou de ‘golpe’. Assim, sou a favor da liberdade, democracia e de um processo eleitoral justo.”
Em nota, a defesa de Ivan Wrobel classifica como falsa a afirmação de que o empresário defende um golpe de Estado e sustenta que ele teve sua honra e credibilidade abaladas “simplesmente por participar de um grupo de WhatsApp”. “Descendente de uma família polonesa judia, o senhor Ivan sempre soube o perigo que ditaduras podem causar. Cumpre ressaltar que, em 1968 [durante o regime militar], quando aluno do IME [Instituto Militar de Engenharia], foi convidado a se retirar da instituição por ter se manifestado contrário ao AI-5 [Ato Institucional nº 5]”, acrescenta a defesa.
Já a assessoria de Luiz André Tissot informou que, por ora, ele não se manifestará sobre o tema.
O ND+ entrou em contato com os demais empresários citados na reportagem, mas até a publicação desta reportagem não havia recebido retorno. O espaço continua aberto.