Hospital Infantil suspende cirurgias; é doloroso quando falta empatia na saúde pública

É diante de informações como estas que não soa bem aos ouvidos dos catarinenses a informação de que o Estado tem dinheiro sobrando em caixa; lucro público é bem-estar

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O cobertor da saúde pública é curto, curtíssimo. Para poder continuar fazendo cirurgias de urgência e emergência no Hospital Infantil Joana Gusmão, o cirurgião pediátrico Felippe Flausino Soares, chefe médico do Centro Cirúrgico, determinou a suspensão dos procedimentos eletivos, ou seja, aqueles previamente agendados. Segundo o médico, é iminente a falta de insumos essenciais como luvas, cateteres, sondas, agulhas, entre outros.

Criança em hospital – Foto: Banco de ImagemCriança em hospital – Foto: Banco de Imagem

“O cancelamento permanecerá até o reestabelecimento dos níveis de insumos necessários para manter a segurança dos pacientes assistidos neste hospital”, escreveu Soares em documento encaminhado à cúpula do hospital.

O médico embasou a decisão na lei federal que zela pelas “condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços”. Essa lei autoriza a suspender atividades “quando a instituição não oferecer condições adequadas para o exercício”.

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Cirurgias eletivas são marcadas com antecedência, não necessariamente urgentes. Mas, se há uma indicação para operar uma criança, boa a saúde não está. Pense no sofrimento de um pai, de uma mãe, de um paciente. Pense em alguém que pode estar há meses, ou até anos, esperando pelo procedimento. Pense que alguma dessas crianças e seu familiar possam ter saído lá do Extremo-Oeste, cruzado o Estado e batido com a cara na porta. Nem é bom pensar.

A que custo?

É diante de informações como estas que não soa bem aos ouvidos dos catarinenses a informação de que o Estado tem dinheiro sobrando em caixa. É muito bom trazer as práticas da iniciativa privada para a carcomida gestão pública. Mas, o maior lucro que um governo pode dar é no bem-estar do seu cidadão, principalmente aqueles que mais precisam sob o aspecto econômico.

Cópia do documento enviado à cúpula do Hospital Infantil Joan a de Gusmão – Foto: Reprodução/NDCópia do documento enviado à cúpula do Hospital Infantil Joan a de Gusmão – Foto: Reprodução/ND

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