Inacreditável silêncio dos deputados federais de SC na reunião sobre alta de combustíveis

Reunião na Câmara dos Deputados com presidente da Petrobras teve mais de quatro horas de duração, discutiu a escalada absurda de preços da gasolina, diesel e gás, mas não mereceu prestígio catarinense

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Nenhum dos 16 deputados federais de Santa Catarina se manifestou durante a reunião da Câmara dos Deputados com o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna. A escalada nos preços dos combustíveis é um assunto tão importante que foi discutida no plenário da Câmara, boa parte sob o comando do presidente Arthur Lira (PP-AL), inclusive com transmissão ao vivo pelos principais canais de notícias. Mesmo assim, não despertou o interesse dos representantes eleitos pelos catarinenses.

Não foi por falta de tempo. Conforme o registro oficial da Câmara, a sessão começou às 9h40 e terminou às 14h13, sem interrupção para o almoço. Portanto, foram mais de quatro horas de reunião. Dezesseis Estados tiveram representantes aos microfones, tanto para criticar quanto para elogiar a coordenação dos trabalhos do presidente da empresa de petróleo do Brasil.

Círculos de diferentes tamanhos sinalizam Estados com mais ou menos deputados que debateram a crise dos combustíveis; SC não teve oradores – Arte: Altair MagagninCírculos de diferentes tamanhos sinalizam Estados com mais ou menos deputados que debateram a crise dos combustíveis; SC não teve oradores – Arte: Altair Magagnin

Quem participou ativamente da reunião

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  • Arthur Lira (PP-AL)
  • Adolfo Viana (PSDB-BA)
  • Alexis Fonteyne (Novo-SP)
  • Arlindo Chinaglia (PT-SP)
  • Bohn Gass (PT-RS)
  • Cacá Leão (PP-BA)
  • Celso Sabino (sem partido-PA)
  • Cleber Verde (Republicanos-MA)
  • Coronel Chrisóstomo (PSL-RO)
  • Danilo Cabral (PSB-PE)
  • Danilo Forte (PSDB-CE)
  • Diego Andrade (PSD-MG)
  • Edio Lopes (PL-RR)
  • Elmar Nascimento (DEM-BA)
  • General Girão (PSL-RN)
  • Glauber Braga (PSOL-RJ)
  • Hiran Gonçalves (PP-RR)
  • Igor Timo (Pode-MG)
  • José Nelto (Pode-GO)
  • Leda Sadala (Avante-AP)
  • Lucas Vergilio (Solidariedade-GO)
  • Osmar Terra (MDB-RS)
  • Otavio Leite (PSDB-RJ)
  • Paulo Ramos (PDT-RJ)
  • Perpétua Almeida (PCdoB-AC)

De acordo com o IBGE, a gasolina acumula alta de preço de 31,1% entre janeiro e agosto, contra uma inflação geral de 5,7%, o IPCA.

O diesel e gás de cozinha também concentram altas, de 28% e 23,8%, respectivamente. O valor dos combustíveis impacta a geração das usinas termelétricas movidas a gás natural e óleo diesel.

Parlamentares criticam mudança na política de preços

Deputados de diversos partidos cobraram a mudança na política de preços de combustíveis da Petrobras, que desde 2016 acompanha a variação do valor do barril de petróleo no mercado internacional e do dólar. É a chamada PPI (política de paridade internacional).

“Temos de ter uma política de preço capaz de não aviltar a situação das famílias do país”, disse o deputado Danilo Forte (PSDB-CE), autor do requerimento para a realização do debate. Para ele, a regra atual prejudica o país, que vive uma tripla crise: energética, econômica e sanitária. “A lógica do preço internacional é um fracasso para o Brasil”, reforçou o deputado Bohn Gass (PT-RS).

Mesmo entre governistas, houve questionamentos. O deputado Cacá Leão (PP-BA) defendeu que a companhia reveja sua posição. “Pergunto se não chegou a hora da Petrobras, uma empresa que lucrou cerca de R$ 43 bilhões [2° trimestre de 2021], fazer um encontro de contas com o povo brasileiro”, afirmou Leão.

O deputado Igor Timo (Pode-MG) propôs que a companhia divulgue a fórmula que usa para reajustar o preço dos combustíveis. “Ela não deveria ser pública?”, perguntou.

“Custo tem sido colocado com máximo de cuidado”, diz Silva e Luna

Durante o debate com os deputados, o presidente da Petrobras não chegou a fazer uma defesa direta da política de paridade internacional, mas afirmou que as regras atuais permitiram que estatal recuperasse o lucro, que foi de R$ 42,8 bilhões no 2° trimestre de 2021, contra prejuízo de R$ 2,7 bilhões registrado no mesmo período do ano passado.

Joaquim Silva e Luna também disse que a estatal não repassa para os combustíveis a volatilidade do mercado. “Todo o custo que exige de produção tem sido colocado com o máximo de cuidado na hora de fazer as mudanças [dos preços]”, declarou.

Ainda segundo Luna, a estatal responde por apenas 34% do preço do litro da gasolina na bomba. O restante é margem de lucro de postos e refinarias, tributos federais e estaduais e o custo do etanol misturado.

Aliados do governo jogam a culpa nos Estados

Deputados aliados ao governo defenderam a estatal. Eles argumentaram que o principal culpado pelo alto preço dos combustíveis é o ICMS, um imposto estadual.

“Está na hora dos governos estaduais, que foram tão ajudados pelo governo federal nesta pandemia, ter compreensão e colaborar”, afirmou Osmar Terra (MDB-RS).

Já o deputado Alexis Fonteyne (Novo-SP) manifestou-se a favor da paridade internacional de preços. “O Brasil não pode mais fazer política econômica com preços de combustível, como aconteceu no passado”, disse.

Com informações da Agência Câmara de Notícias