A série de entrevistas com os prefeituráveis de Joinville continua nesta semana. E nesta terça-feira (27), foi a vez de Nelson Coelho (Patriota) falar sobre suas propostas para a cidade em entrevista à NDTV Joinville e ao Portal ND+.
Nelson Coelho é tenente-coronel da reserva da Polícia Militar de Santa Catarina, instituição que serviu por 30 anos. Foi comandante do 8º Batalhão de Joinville, onde encerrou sua participação na PM-SC. É bacharel em Segurança Pública pela Academia de Polícia Militar e pós-graduado como especialista em Segurança e em Aviação. Foi eleito vice-prefeito de Joinville em 2016.
Entrevista com Nelson Coelho foi conduzida pela apresentadora Sabrina Aguiar – Foto: Juliane Guerreiro/NDConfira a entrevista:
Joinville estará, no início de 2021, ainda em cenário de pandemia. Como pretende aquecer a economia da cidade?
Na verdade, a nossa intenção é derrubar todos os decretos porque não concordamos com a forma que o problema foi atacado nem pelo governo do Estado nem pelo município. A gente tem que atacar tanto a economia quanto a saúde. Para ver a incoerência, no processo todo o mesmo vapor que se colocou no governo do Estado se trouxe pra dentro do município com o porte do Centro de Triagem que foi feito na frente na Tupy.
SeguirFoi superestimado o problema e quando você monta a estrutura, o governo, a cada melhora dos índices, vem reduzindo os leitos de Covid. Ou seja, não quer que a economia melhore. Se o problema da economia hoje é só a Covid, como falam, então por que não privilegiam os leitos para Covid? Mas a cada melhora do índice, o que eles fazem é reduzir os leitos de Covid. E nós mantemos o mesmo padrão de restrição.
E o que está provado é que quando começou a se liberar os índices de contaminação diminuíram. Então, a forma de enfrentar o problema foi equivocada, ela se acovardou do problema.
Uma das principais queixas da área cultural em Joinville é a extinção da Fundação Cultural para unir as secretarias de cultura e turismo. E entre as suas propostas, está a unificação das secretarias de esporte e cultura. Como o senhor analisa que isso pode ajudar o setor?
A questão do esporte e da cultura, eu consigo entender que é transversal. E os nossos aparelhos, hoje, que estão na mão da cultura são do esporte. Então, tem que administrado pelo esporte. Nós vamos retomar a Fundação Cultural porque entendemos que ela não foi extinta, ela existe, porque temos uma rádio, inclusive. E o nosso Plano Municipal da Cultura foi construído de forma a termos uma estrutura adequada para fazer a captação de recursos e hoje a gente não consegue fazer. A fundação está lá, nós temos que reativá-la.
E o turismo vai ter uma atenção especial porque eu vou tirá-lo da pasta da cultura porque entendo que, nesse ponto, elas são interligadas, mas são distintas, inclusive na captação eventos, na estrutura do município. Então, nós vamos ter dentro da estrutura de governo uma diretoria de turismo ligada diretamente ao prefeito do município. Isso demonstra qual é a nossa visão da cultura. E, basicamente, o que nós temos que ter é um foco, que eu acho que é a melhora da estrutura dos espaços públicos que nós temos, é resgatar o patrimônio material de Joinville que está abandonado.
O Simdec, inclusive, vai ser revisto. O Simdec não pode ser uma licitação. A cultura tem uma característica completamente diferente. Nós temos a lei Aldir Blanc que o Governo Federal baixou para ajudar o pessoal da cultura e fizeram um edital que é restritivo. O dinheiro da União veio justamente para ajudar esse setor e ele não está fazendo isso, não está atendendo o que o Governo Federal quis.
Então, eu acho que é algo muito importante, é uma das áreas mais afetadas da pandemia e que vai ter um problema sério no ano que vem na questão de eventos, porque tem vários eventos que foram contratados e vários fornecedores abandonaram o setor e não voltam mais. Então, nós vamos ter um acréscimo de custo. Como a gente vai resolver esses problemas e ajudar essas empresas? O próximo prefeito tem que ter uma postura muito mais de botar o peito na janela e ajudar a cidade a voltar.
Nós temos que voltar, muita gente perdeu o emprego. Nós temos um problema seríssimo a partir de janeiro. Em dezembro é o último pagamento do auxílio do Governo Federal. Então, o prefeito tem que ter coragem de enfrentar problemas, não pode ser um prefeito “mimimi” ou que fique com medo das coisas. Nós temos que enfrentar, encarar de frente, não podemos ter medo.
Como o senhor pretende dar continuidade ao projeto Areninha Joinville. De onde viriam os recursos?
Na verdade, em janeiro de 2018, quando houve a eleição, nós tivemos alguns deputados federais e estaduais que foram eleitos da região. Nós tivemos contato com um dos deputados federais e ele nos garantiu que conseguiria trazer entre R$ 24 milhões e R$ 28 milhões desse recurso. Nós montamos todo o projeto e a prefeitura negou, mesmo tendo a possibilidade de vir o recurso.
E o que eu fico mais triste, e que me dói, é que nós não devemos desconstruir nada do que foi construído. Esse é um projeto do Marco Tebaldi, de 2008, em que foi feita uma concorrência e uma empresa de arquitetura de Joinville ganhou, foi pago R$ 50 mil, o projeto arquitetônico é de nossa propriedade e isso tem que sair do papel porque Joinville não tem espaços públicos para a área de esporte.
Nós só temos um lugar, que é o Centreventos. E nós temos que ter mais espaços do município para atrair eventos e poder trazer eventos esportivos pra Joinville. Uma cidade como Joinville só tem uma pista de atletismo. Nós não temos mais ginásios adequados a trazer grandes eventos, não temos uma piscina olímpica em Joinville. Ou seja, nós temos que criar um ecossistema pra que a gente consiga trazer eventos para Joinville.
Você fala em criar um “Grupo de Planejamentos Superiores” com um “grupo de pessoas notáveis composto por voluntários que serão consultados em situações diversas”. Como isso deve funcionar? Quais exemplos de pessoas farão parte desse grupo?
Eu acho que nós temos três entidades que são fortes no município e que pensam, cada uma no seu setor, e nós temos que nos aproximar delas e conversar. Elas não serão deliberativas, serão consultivas e voluntárias. Nós temos que ter um diálogo tanto com a sociedade quanto com as entidades e esse diálogo tem que ser mais franco, mais claro.
Dou um exemplo da importância disso na questão da Cosip, que foi uma questão de conflito. Tivemos uma entidade que fez uma proposta e não foi acatada. E depois se viu que era mais viável. E depois, quando se tentou retomar a discussão, se voltou ao modelo anterior. Então, nós temos que dialogar com as entidades e com a sociedade civil para ajudar. Eu não vou administrar a cidade pra mim, eu vou administrar para o cidadão de Joinville.
Você fala em criar o Programa de Habitação Popular. Como ele deve funcionar?
Quando a gente fala em habitação, no nosso plano de governo, toda a nossa visão é voltada à segurança pública. Nós temos um problema sério em Joinville que é a área de invasão, principalmente na área de mangue. Nós temos alguns exemplos: Florianópolis e Rio de Janeiro têm ocupação em área de morro e nós temos uma planície, nós, permitindo a invasão com o auxílio do crime organizado, estamos gerando insegurança para o futuro de Joinville.
Não existe no município um programa para a construção de habitação popular, às vezes até subsidiada, e nem de loteamento para que as pessoas tenham acesso à possibilidade de comprar o seu terreno, construir a sua casa. E isso está parado em Joinville e nós temos que resgatar. Tudo tem um foco muito grande na família, por isso, nós vamos pegar as secretarias de Assistência Social e de Habitação, nós vamos unir numa só, que será a Secretaria de Assistência Social e da Família, justamente para focar na construção daquilo que é a base da nossa sociedade.
Você fala em ofertar, já no primeiro ano de mandato, duas mil vagas em CEIs. Como fazer isso?
Existe um planejamento já na Secretaria de Educação de construção de sete CEIs nos próximos quatro anos. Nós temos um problema sério que foi contratado um projeto de arquitetura, em que as empresas não têm a capacidade de entregar os projetos. Então, temos que resolver isso. Mas, principalmente, reorganizando e tendo mais transparência. O que falta para o nosso município é transparência.
Falta a transparência para as pessoas verem onde tem vaga, onde não tem. E falta um planejamento por parte do município para entender onde são as maiores necessidades de instalação de CEIs. E, além disso, nós temos que facilitar a contratação de empresas particulares, até porque foram muito afetadas nessa pandemia. Então, temos que ter uma ação mais forte no ano que vem porque se perdeu muitas vagas. O próximo prefeito tem que enfrentar isso para que a gente possa entregar o melhor serviço para o cidadão. Porque hoje, querendo ou não querendo, tanto a mãe como o pai são obrigados a trabalhar para manter uma qualidade de vida.
No seu plano de governo, há propostas sobre binários e pontes. Com que recursos pretende tirar essas obras do papel?
O município fez um financiamento de R$ 165 milhões pra recapeamento. Nós entendemos que nós devemos chegar na prefeitura, ver o que foi planejado, o que tem que ser executado e o que nós vamos realmente promover no desenvolvimento da cidade. Eu não posso tomar um empréstimo apenas para recapear uma cidade, eu tenho que dar um retorno financeiro para ela, que é a melhoria da mobilidade, dar condições de que a mobilidade gere lazer para o cidadão.
Dou o exemplo do Eixo Ecológico Leste, que entendo que vai ser um marco em Joinville. Você pega a ponte do Espinheiros e vai em direção ao aeroporto, ela está quase toda pronta. Eu tenho que executar duas pontes com vão de, no máximo, 25 a 30 metros, tenho que asfaltar aquilo ali, fazer ciclovia, fazer área de caminhada. Já tem áreas ali em que eu posso fazer áreas de lazer. A ideia nossa é fazer plataformas que se elevem acima da área do mangue pra Joinville aprender a contemplar a baía. Porque entendemos que não adianta só dizer que tem que preservar, eu tenho que ensinar o joinvilense a ter carinho por essa baía e por esse mangue para ele ser o processo de transformação.
Preservação é uma coisa que você trabalha com educação e com o tempo e não adianta só querer preservar, sem ter ações que realmente diminuem a agressão a essa área. Te dou o exemplo do Ulysses Guimarães: temos que urbanizar aquela área, limitar a possibilidade de invasão. E para isso, temos que tratar da questão da moradia.
As prefeituras pensam a cidade de forma vertical na questão de que as secretarias só pensam nos seus assuntos. A prefeitura tem que pensar transversalmente e quando eu tenho alguém pensando com foco na segurança pública, eu consigo colocar todas essas secretarias para acharem a melhor solução.
Você fala em um pronto atendimento animal. Onde pretende construir esse local e com quais recursos?
Não pretendemos construir. Nós temos o CBEA, que é quase um centro de zoonoses. Nós investimos naquela estrutura quase R$ 136 mil e não dá o retorno que se pretende. O que nós pretendemos é abrir uma chamada pública porque nós temos várias clínicas veterinárias que podem dar suporte e atenção.
É uma situação que não é só a questão animal, mas é uma questão de saúde pública. Se for ver nos bairros a quantidade de animais que tem é enorme e isso afeta a saúde pública. Então, eu tenho que prestar mais serviço do que ter estrutura. Quanto menos estrutura eu tiver e mais serviço eu prestar, eu vou estar ajudando em duas coisas: vou estar diminuindo o custo do município e movimentando a economia.
Então, nós temos que, junto com as entidades de bem-estar animal, sentar, conversar, achar um modelo para que a gente consiga entrar a melhor prestação de serviço para o cidadão.
A licitação e as obras do rio Mathias estão suspensas e tendem a ser um desafio para quem assumir a prefeitura. Como pretende lidar com a questão?
No dia 1º de janeiro, eu quero chamar os técnicos da Seinfra. Nós temos o contrato, a primeira coisa que nós vamos fazer é recapear toda a área afetada pela obra do rio Mathias, isso tem que ser imediato para que as empresas que foram enterradas vivas ali possam tentar se reerguer. Então, nós temos que, rapidamente, recuperar a área central.
Concomitantemente, eu quero pegar os técnicos do Seinfra, porque eles durante todo o processo pediram a suspensão do contrato alegando a incapacidade técnica da empresa porque já no edital estava errado, que não exigia a habilitação técnica da empresa contratada e se demonstrou durante todo o processo de execução da obra. O município demorou a tomar essa decisão.
Então, é preciso analisar com esses técnicos o que nós temos já de executado e o que precisa realmente fazer pra resolver o problema da obra. Ela tem que ser executada, nós já temos dinheiro ali enterrado e ela tem que ser terminada, mas com qualidade e competência.
Entrevista foi transmitida no programa Balanço Geral – Foto: Társila Elbert/NDO que pretende fazer em relação ao transporte coletivo da cidade? Quais são as propostas para diminuir a tarifa do ônibus?
No primeiro ano nós já queremos montar todo o edital para fazer a licitação do transporte público e acabar com essa mácula que existe em Joinville. Nós temos que ter uma nova licitação, isso é emergencial. E a segunda é ter um diálogo muito franco com o cidadão pra ele entender como funciona o transporte público e ter uma tabela que seja transparente. O cidadão não sabe o que ele está pagando quando está embarcando.
Então, nós temos que ter uma transparência maior para o cidadão e as entidades poderem avaliar e cobrar realmente se o valor é justo ou injusto. O que eu não posso entender é que tem candidato dizendo que vai tirar o terminal central dali. Ele não conhece o transporte público e não sabe qual é o efeito daquele terminal central da manutenção do transporte público.
O que nós temos que fazer é reestruturar a área central imediatamente, tem que ser uma decisão muito rápida para que a gente retorne a vida na área central com mais qualidade, para que as pessoas venham para o Centro aproveitar. A gente cansa de ir no bairro e as pessoas dizerem que não vem mais para o Centro.
O terminal central já foi responsável por 64% da manutenção do custo do transporte público. Então, quem fala que vai tirar o terminal central, não conhece o transporte público, está mentindo. Hoje, ele responde por 45% porque o Centro foi destruído. Era uma área de lazer e o cidadão não vem mais porque afeta também, indiretamente, a segurança.
Nós temos uma tarifa única. Então, pra quem mora na área central, essa tarifa única é cara e até o modelo adotado não facilita o uso do transporte público. Agora, aquela pessoa que mora lá no Paranaguamirim e ela quer ir lá pra Duas Mamas, ela paga uma passagem só. Se o cidadão joinvilense for até o Duas Mamas no sábado, 18 horas, tem um ônibus que passa pra lá sem ninguém, mas ele é obrigado a passar. Esse custo é diluído nesse custo da passagem. Por isso que eu digo que a gente tem que ter transparência, nós temos que mostrar para o cidadão joinvilense qual é o modelo adotado.
Por que o eleitor joinvilense deve votar em você?
Primeiro, pelo meu histórico de vida, pela minha carreira pública. Eu tenho 30 anos de serviço na Polícia Militar, desses, 24 na aviação. Me dediquei exclusivamente a cuidar de pessoas na área de segurança pública e na área de saúde. Eu vim pra vida pública porque entendia que as mudanças na área de segurança afetam diretamente a economia. Mas, infelizmente, nesses três anos eu não consegui colocar esse conceito de segurança pública no planejamento da cidade.
Eu conheci bem a estrutura do município, sobrevoei essa cidade desde 2000, conheço a cidade como ninguém por cima. Conheço a cidade por baixo como quase ninguém, conheço toda a estrutura do município, conversei muito com o servidor, conversei muito com o cidadão. Queremos dar um outro modelos para as associações, queremos conversar com essa sociedade que trabalha voluntariamente e trazer para a organização do município, queremos ter um diálogo franco com o cidadão.
Não tenho medo do embate nem de admitir que eu errei. E eu entendo hoje que, pelo meu passado, por não ser um político de carreira e pelos meus ideais, está no momento de eu contribuir e retribuir tudo o que eu recebi dessa cidade. Porque ela está largada na mão de pessoas que não querem o bem de Joinville, não querem o bem daquela pessoa simples e humildade.
Nós temos uma Joinville excludente, é um crime o que estão fazendo com Joinville. Ela tem que ser construída para o cidadão, não para uma elite que acha que é intelectual.