O ex-presidente Lula (PT) não deve defender revogação completa da Reforma Trabalhista, encarada por setores da esquerda como herança negativa da derrubada de Dilma Rousseff, em 2016. Foi o que apurou a Carta Capital após declarações do presidente do Solidariedade, Paulinho da Força.
Chapa Lula/Geraldo Alckmin (PSB) – Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação NDA informação de Paulinho foi confirmada por integrante da cúpula do PT.
Na última segunda-feira, 6, os partidos alinhados da chapa Lula/Geraldo Alckmin (PSB) receberam as diretrizes para um programa de governo. O documento tem 17 páginas e 90 itens, com destaque para aspectos econômicos.
Seguir“Defendemos a revogação da reforma trabalhista feita no governo Temer e a construção de uma nova legislação trabalhista”, diz o documento. Para a Carta Capital, Paulinho afirmou, porém, ter ouvido de Lula nesta sexta-feira, dia 10, que o texto final trará “o que as centrais sindicais decidiram na última Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora)”.
“E a decisão da última Conclat é de que pontos seriam revogados, não a Reforma Trabalhista”.
A afirmação de Paulinho foi confirmada à reportagem por um integrante da cúpula petista, que elogiou a sugestão das centrais e destacou a necessidade de olhar para o futuro.
O texto final da Conclat deste ano defende “implementar um marco regulatório de ampla proteção social, trabalhista e previdenciária a todas as formas de ocupação e emprego e de relação de trabalho, com especial atenção aos autônomos, conta-própria, trabalhadoras domésticas, teletrabalho e trabalhadores mediados por aplicativos e plataformas, revogando os marcos regressivos da legislação trabalhista e previdenciária, e reestabelecendo o acesso gratuito à justiça do trabalho”.
Portanto, não há, até agora, indicação de recuo quanto à defesa de revogação do Teto de Gastos, outra medida criticada por parcelas majoritárias da esquerda. Nas diretrizes para o programa de governo, ao pregar a necessidade de recolocar os pobres no Orçamento, a campanha se diz a favor de “revogar o Teto de Gastos e rever o atual regime fiscal brasileiro, que é disfuncional e perdeu totalmente sua credibilidade”, segundo informações da reportagem da Carta Capital.