Maioria dos vereadores rejeita denúncia que pedia impeachment do prefeito de Lages após prisão

Antônio Ceron, prefeito da cidade foi preso durante operação que investiga suspeita de fraude em licitação, organização criminosa e lavagem de dinheiro

Redação ND Florianópolis

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Com plenário cheio, a maioria dos vereadores da Câmara de Lages rejeitou a denúncia feita pelo parlamentar Jair Junior (Podemos) que pedia o afastamento do prefeito Antônio Ceron e, com isso, a abertura de uma CPP (Comissão Parlamentar Processante). O chefe do Executivo foi preso durante investigação que apura uma série de crimes, entre eles, a suspeita de fraude em licitação, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Sessão realizada nesta segunda-feira (13) – Foto: Julia Adhara/ Câmara de Lages/Divulgação/NDSessão realizada nesta segunda-feira (13) – Foto: Julia Adhara/ Câmara de Lages/Divulgação/ND

A denúncia precisava de maioria simples para ser aprovada pela Câmara. Contudo, dos 16 vereadores, nove votaram pela rejeição. “Rejeitado por nove votos”, informou o presidente do legislativo,  Aldori Freitas – Freitinhas (MDB), na sequência da votação.

Antes da votação, os vereadores solicitaram que a votação ocorresse de forma nominal- quando os vereadores registram individualmente seus votos. O pedido foi colocado em votação do plenário e a maioria dos parlamentares também votou contra o processo de voto.

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“Os vereadores rejeitaram o meu pedido de impeachment contra o Prefeito Antônio Ceron que está preso. Com isso, assim que sair da cadeia, Antônio Ceron voltará imediatamente para o cargo de Prefeito. Eu lamento pela população de Lages”, escreveu o parlamentar Jair Junior em uma rede social.

Por volta das 20h05, a sessão precisou ser suspensa por cerca de 10 minutos, devido ao tumulto gerado pelo público que acompanhava o ato. Após a interrupção os trabalhos na casa legislativa retornaram, com outras pautas.

Operação Mensageiro

Antônio Ceron –  prefeito de Lages – foi alvo no último dia 2, da segunda fase da operação Mensageiro. O chefe do Executivo e dois secretários municipais foram presos e conduzidos para Florianópolis para prestar depoimento.

A segunda fase da operação Mensageiro cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão em municípios do Sul e da Serra catarinense. Além da prisão de Ceron, a operação prendeu o prefeito de Capivari de Baixo, Vicente Corrêa Costa.  Os dois prefeitos tiveram as prisões mantidas.

A investigação apura suspeita de fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro no setor de coleta e destinação de lixo em Santa Catarina.

A ação é coordenada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e o Geac (Grupo Especial Anticorrupção) do Ministério Público. 

Ainda na quinta-feira, o prefeito de Lages fez uma publicação em rede social, na qual destacou que dentro do processo legal irá provar a inocência.

“Infelizmente, hoje, eu e minha família estamos sofrendo muito. Tenho 77 anos de conduta ilibada, e, dentro do devido processo legal, provarei a minha inocência. Reitero meu respeito ao Poder Judiciário, Ministério Público e demais órgãos investigativos. Vou me dedicar a minha defesa, enquanto isso, as ações em Lages seguem com o Juliano. Agradeço as manifestações de solidariedade. Deus abençoe a todos!”

O vice-prefeito de Lages, Juliano Polese, que está à frente do Executivo. Segundo ele, os dois secretários alvos da operação foram exonerados.

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