Protestos contra o governo Bolsonaro mobilizam capitais e outras mais de 300 cidades brasileiras no decorrer deste sábado (2). Em Florianópolis, no entanto, houve uma situação peculiar: os responsáveis decidiram adiar oficialmente o ato, visto que a previsão do tempo apontava “100% de chances de chuva” na Capital catarinense.
Porém, a tendência meteorológica não se confirmou, e manifestantes se reuniram no protesto que teve início no Largo da Alfândega por volta das 14h e se deslocaram até a ponte Hercílio Luz. De acordo com a PM (Polícia Militar), a estimativa de público é de 2 mil pessoas. A CUT contabiliza mais de 10 mil.
Manifestantes se reuniram no Largo da Alfândega, no Centro de Florianópolis – Foto: Reprodução/CUTOs protestos, que têm como foco o pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ocorre também em outros municípios catarinenses. Além de Florianópolis, atos foram marcados em Blumenau, Chapecó, Criciúma, Joinville, Lages, Penha, Timbó e Tubarão.
SeguirDentro das pautas da manifestação, a gestão do governo durante a pandemia da Covid-19 foi o principal alvo de críticas ao presidente. A disparada da inflação, fome e desemprego também motivaram a ida as ruas.
Em Florianópolis, a PM informou que realizou o monitoramento dos atos. O órgão estimou um público de 2 mil pessoas na tarde deste sábado, que transitou entre o Largo da Alfândega e a ponte Hercílio Luz.
A CUT (Central Única dos Trabalhadores), por outro lado, contabilizou mais de 10 mil pessoas no ato.
Confira as fotos e vídeos do protesto:
Manifestantes em ato contra o governo Bolsonaro neste sábado (2) em Florianópolis – Vídeo: Reprodução/CUT
Foram entoados cantos contra o presidente da República – Vídeo: Reprodução/CUT
Sob chuva, Joinville reuniu cerca de 500 protestantes
Na cidade mais populosa do Estado, a chuva também foi interferência nos atos deste sábado. Manifestantes não deixaram de ir às ruas em Joinville, no Norte catarinense, mas em menor número do que na Capital.
Cerca de 500 pessoas se reuniram na praça da Bandeira, das 10h às 12h30, depois de uma passeata. Os manifestantes carregaram faixas, bandeiras e cartazes pedindo a saída de Bolsonaro.
Além do ‘Fora Bolsonaro’, também foram levantadas bandeiras como a defesa dos serviços públicos e a mobilização contra as privatizações, a Reforma Administrativa (PEC 32) e os cortes orçamentários na educação. A luta contra o racismo, a LGBTfobia, a misoginia e toda forma de violência contra as mulheres também foram defendidas durante a manifestação.
Cerca de 500 pessoas protestaram sob chuva em Joinville – Foto: Manoel Roque/MSTEntenda o impasse sobre o adiamento em Florianópolis
Na manhã deste sábado, a Frente Fora Bolsonaro em Florianópolis decidiu, por maioria de votos, adiar o protesto para o dia 16 de outubro. A razão foi a previsão de chuva para o período da tarde na Capital.
No entanto, nem todos os partidos e entidades foram a favor da medida. “Sim, houve uma decisão da operativa da frente de adiar o ato por causa da previsão de chuva, mas as pessoas estão aqui no largo até porque não choveu. Muitas entidades foram contra o adiamento e por isso continuaram chamando o ato. Não tenho autonomia pra falar pelas outras entidades, mas a CUT votou dentro da operativa pela manutenção do ato”, explicou a assessoria de imprensa da CUT de Florianópolis.
O presidente municipal do PSB, Homero Gomes, destaca que a discordância em uma organização plural é algo natural, e salienta a autonomia do povo em protestar mesmo com o adiamento.
“É normal que haja impasse quando uma organização é coletiva, composta por diversas instituições e entidades. Está havendo [o protesto] espontaneamente nas ruas. Houve uma decisão coletiva, e essa decisão tem que ser respeitada pelas entidades, por mais que A ou B discordem. Agora, o povo tem todo o direito de se manifestar, independente de organização ou não”.
Homero Gomes ressalta que o partido foi contra o adiamento, mas por respeito à decisão, o PSB não está na manifestação.
“A decisão foi tomada com base na meteorologia. Eu sou contra, pessoalmente, mas a gente respeita, é uma questão de respeito ao coletivo. Como vai se desconsiderar uma previsão de 100% de chuva em Florianópolis? Foi uma decisão tomada neste aspecto, e eu respeito, embora discorde. Institucionalmente o PSB não estará no ato. Eu não posso impedir que as pessoas participem, mas em termos de organização, não estaremos”, finaliza.
Já a presidente do PSOL em Florianópolis, Rebecca Neto Pereira, pontua que a decisão se deu por uma questão de segurança, mas como não choveu, o partido está presente nas ruas.
“Sim, o partido participa da Frente Fora Bolsonaro, essa frente tem uma operativa, com vários representantes, de várias organizações. E perante à instabilidade do tempo, pessoal não queria expor de novo todo mundo que vai à chuva, até porque não é seguro do ponto de vista sanitário. Então havia este impasse se mantinha ou não o ato. Mas como a previsão não se confirmou as pessoas vieram, e vários setores do PSOL estão aqui sim”.
Elaine Schimidt, presidente municipal do PT, informa que o Partido dos Trabalhadores também não participa dos protestos de forma institucional.
“O PT participa da Frente Fora Bolsonaro. Hoje pela manhã a coordenação se reuniu e avaliou a previsão de chuva. O PT defendeu a manutenção do ato. A maioria da Frente decidiu pelo cancelamento. O PT acata a decisão, portanto não participará do ato. Participaremos no dia 16/10. Algumas entidades porém, resolveram manter. O PT respeita a autonomia das entidades. Esta é a posição do PT!”
Maurício Conti, presidente do PDT na Capital catarinense, por outro lado, esclarece que o partido foi um dos que apoiaram o adiamento do ato, mas acabou participando mesmo assim.
“O PDT votou pelo adiamento do ato em virtude da precisão de chuva para Florianópolis. Pois está comprovado que as máscaras molhadas tem efetividade nula na proteção contra a COVID-19. Mas já tínhamos deliberado por fazer uma panfletagem que começou as 11h da manhã, nós então liberamos aqueles que estavam na panfletagem para participar do ato, uma vez que a previsão de chuva não se concretizou”.
O PCdoB também foi favorável ao adiamento dos atos. No entanto, o secretário municipal do partido, Ronald Ferreira, pontua que não condena a participação popular nos protestos deste sábado.
“Apesar da tecnologia, a decisão de adiar para o dia 16 não chegou a uma parcela importante da militância, além de que algumas forças políticas dentro de suas leituras decidiram manter a manifestação. O PCdoB jamais irá condenar, ou interpor dificuldade ou restrição a qualquer manifestação, a praça é do povo. No entanto como avaliamos a partir de experiências anteriores de atos já remarcados pelas mesmas circunstâncias de hoje, e que resultaram na sequência em manifestações muito mais massivas e participativas, mais prudente remarcarmos ao ato Fora Bolsonaro para o dia 16 de outubro, dia internacional da alimentação”.