Mísseis russos matam duas pessoas na Polônia, diz agência; Rússia nega

Ministério das Relações Exteriores da Polônia confirmou o ataque e as mortes

Redação ND Florianópolis

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Um projétil de fabricação russa caiu nesta terça-feira na Polônia, às 11h40 (de Brasília), e matou duas pessoas na cidade fronteiriça de Przewodow, confirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Polônia, Lukasz Jasina. A informação havia sido inicialmente divulgada pela agência AP.

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Polônia disse que convocou embaixador russo para explicar ataque – Foto: JANEK SKARZYNSKI/AFPPorta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Polônia disse que convocou embaixador russo para explicar ataque – Foto: JANEK SKARZYNSKI/AFP

“Um míssil de fabricação russa caiu, matando dois cidadãos da República da Polônia”, disse Jasina em comunicado, acrescentando que o embaixador russo em Varsóvia foi convocado para pedir “explicações detalhadas” sobre o ocorrido.

O governo da Polônia, um país da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), convocou uma reunião de emergência de seu Conselho de Segurança Nacional após a publicação de relatos sobre quedas de mísseis russos perto de sua fronteira com a Ucrânia.

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Kremlin nega ataques à Polônia e diz que relatos visam à escalada na tensão com a Otan – Foto: Divulgação/Pixabay/NDKremlin nega ataques à Polônia e diz que relatos visam à escalada na tensão com a Otan – Foto: Divulgação/Pixabay/ND

“Devido à situação de crise, o primeiro-ministro Mateusz Morawiecki (…) convocou uma reunião do escritório de Segurança Nacional”, disse o porta-voz do governo, Piotr Muller, a repórteres.

O governo da Hungria também convocou seu Conselho de Defesa após relatos de queda de mísseis russos na Polônia.

Já o Pentágono disse que não pode confirmar que os mísseis na Polônia, mas que está investigando essa informação.

“Estamos cientes de relatos da imprensa de que dois mísseis russos atingiram o interior da Polônia e a fronteira com a Ucrânia”, disse o porta-voz do Pentágono, Pat Ryder.

“Neste momento, não temos informações comprovatórias de que houve um ataque com mísseis”, disse Ryder a jornalistas, acrescentando que o Pentágono está “investigando”.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de disparar mísseis contra a Polônia e instou a aliança transatlântica a “agir” diante de uma “escalada muito significativa” do conflito.

“Mísseis russos atingiram hoje a Polônia, o território de um país aliado. Pessoas morreram. Por favor, aceitem nossas condolências”, disse Zelensky. “Disparar mísseis contra o território da Otan é um ataque russo à segurança coletiva. É uma escalada muito significativa. Devemos agir”, acrescentou.

“Estamos investigando esses relatos e em estreita coordenação com nossa aliada Polônia”, afirmou funcionário da Otan, que pediu anonimato.

Rússia descreve como ‘provocações’ relatos de queda de mísseis na Polônia

A Rússia descreveu como “provocações” os relatos de que mísseis russos haviam caído na Polônia, um país membro da Otan e vizinho da Ucrânia.

“As declarações da mídia polonesa e de autoridades oficiais sobre uma suposta queda de mísseis russos perto da cidade de Przewodow são uma provocação intencional que busca escalar a situação”, disse o Ministério da Defesa russo no Telegram.

“Não foi realizado nenhum ataque contra alvos próximos à fronteira ucraniana-polonesa”, insistiu o ministério.

As imagens de “escombros publicadas pela imprensa polonesa (…) da cidade de Przewodow não têm nenhuma relação” com os projéteis russos, acrescentou.

A Rússia bombardeou Kiev e outras cidades ucranianas nesta terça-feira.

Um ataque russo ao território da Polônia significaria uma grande escalada do conflito na Ucrânia, com risco de ampliá-lo.

O Pentágono disse que estava “investigando” relatos da mídia de que mísseis russos teriam caído “no interior da Polônia ou na fronteira com a Ucrânia”.

O governo polonês convocou uma reunião de emergência de seu Conselho de Segurança Nacional “devido à situação de crise”.

A Polônia, que é membro da Aliança Atlântica (Otan) e faz fronteira com a Ucrânia, invadida pela Rússia em 24 de fevereiro, abriga cerca de 10 mil soldados americanos.

O artigo 5 do tratado da Otan estipula que se um Estado-membro for vítima de um ataque armado, os demais países do grupo considerarão o ato como um ataque armado dirigido ao conjunto desses países. Eles poderão tomar as medidas necessárias para ajudar o país atacado.

*Com informações da AFP