A decisão do governador Carlos Moisés de cancelar filiação no PSL não traz grandes repercussões políticas e ocorre sem nenhuma surpresa. Era esperada há mais de meses, mais de um ano.
A confirmação foi anunciada várias vezes, sobretudo, depois que Moisés se isolou logo no início da gestão e perdeu o respaldo dos deputados na Assembleia Legislativa e até apoios dos federais.
Moisés: desfiliação não é novidade – Foto: Divulgação/NDDos seis deputados estaduais que assumiram cadeira no Parlamento, cinco romperam com o governador pela total falta de diálogo. Ele ficou apenas com o voto do coronel Mocelin.
SeguirAo anunciar a saída, o governador explicou que estava optando pela administração estadual. Na realidade, estava sem clima dentro do PSL.
Uma crise que se arrasta há mais de ano, desde que suas relações se deterioraram com o presidente do Diretório Estadual, deputado federal Fábio Schiochet.
Há muito tempo que Schiochet vem articulando ações no PSL, visando as eleições de 2022, sem qualquer contato com o governador. Entre os inúmeros contatos, destaque para várias reuniões com o adversário de Carlos Moisés em 2018, o ex-deputado Gelson Merísio.
Esta oficialização da saída do PSL é outro sinal inequívoco de sua disposição de concorrer à reeleição no próximo ano. A partir de agora, Moisés passa a avaliar cenários e a definir qual a melhor sigla para realizar seu projeto.
Especulações nos bastidores é que não faltam. Cogita-se, entre as principais legendas, que estaria de olho no MDB, o mais estruturado em Santa Catarina, que realizará prévias no fim deste ano ou início de 2022. A resistência da bancada na Assembleia contra as prévias em 15 de agosto – afinal vitoriosa com o cancelamento da consulta – também pode ser um indicativo de conversações neste sentido.
O PP tem lideranças que trabalham pela filiação de Carlos Moisés, incluindo o líder na Assembleia Legislativa, deputado José Milton Scheffer e o secretário Altair Silva.
Hipóteses de que venha a preferir uma sigla de menor expressão também não se descartam. A rigor, há uma única certeza nos meios políticos: Carlos Moisés da Silva foi eleito governador em Santa Catarina pelo 17 e com a força eleitoral de Jair Bolsonaro. Mas não estará com o presidente da República nas eleições do próximo ano.