‘STF estaria condenando velhinhas com Bíblia na mão. Nada mais inverídico’, rebate Moraes

Ministro do STF rebateu as críticas de que o tribunal estaria condenando “velhinhas com a Bíblia na mão” pelos ataques às sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro de 2023

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Estadão Conteúdo São Paulo

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A segunda preliminar apresentada diz respeito à competência do STF e da Primeira Turma em julgar os acusados. “Essa matéria já foi pacificada em 1.494 ações. Não é assunto novo”, sustentou o relator Alexandre de Moraes. “Aproveito para desfazer narrativa completamente inverídica, de que o STF estaria condenando velhinhas com a Bíblia na mão, que estariam passeando pela Praça dos Três Poderes. Nada mais mentiroso do que isso”, sustentou.

"Aproveito para desfazer narrativa completamente inverídica, de que o STF estaria condenando velhinhas com a Bíblia na mão", sustentou Alexandre de Moraes“Aproveito para desfazer narrativa completamente inverídica, de que o STF estaria condenando velhinhas com a Bíblia na mão”, sustentou Alexandre de Moraes – Foto: Antonio Augusto/STF/Divulgação

Dino afirma que mudança regimental não contou com sua participação

O ministro Flávio Dino afirmou que não estava, em 2023, na mudança regimental para definir que as turmas do STF seriam responsáveis por julgamentos criminais e a formação dos dois grupos.

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“Nesta cadeira existia uma possibilidade de uma vaga a ser provida por qualquer outro colega da Corte. Não houve decisão casuística da minha participação”, disse.

À época, Dino era ministro da Justiça do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. “Deve-se afirmar a competência da 1ª Turma” para o julgamento do ex-presidente Bolsonaro e integrantes do governo anterior.

Fux diverge da Primeira Turma do STF

Para Fux, a questão do número de ações que já foram julgadas não impede que a questão volte a der debatida – Foto: Carlos Moura/ STF/ Reprodução/ NDPara Fux, a questão do número de ações que já foram julgadas não impede que a questão volte a der debatida – Foto: Carlos Moura/ STF/ Reprodução/ ND

“Pior do que o juiz que não sabe direito, é o juiz incoerente”, afirmou o ministro Luiz Fux, dizendo que a matéria (competência da Turma do STF) não é tão pacificada assim. O ministro relembrou que neste mês votou sobre o assunto, e foi vencido.

Para ele, a questão do número de ações que já foram julgadas, como argumentou Moraes, não impede que a questão volte a der debatida. “Peço licença para manter minha coerência que tive semana passada”, falou divergindo do relator e votando a favor da preliminar.

Já a ministra Cármen Lúcia afirmou em seu voto que o STF definiu a norma atual que permite o julgamento ocorrer pela 1ª Turma. “É o STF falando”, disse.

Zanin, o presidente da Turma, acompanhou o relator pela rejeição da preliminar, também citando os “inúmeros julgamentos” que se posicionou à favor da competência da Corte e das Turmas. O ministro pediu “desculpas” a Fux, dizendo que também teria que manter sua coerência sobre o tema.