O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, disse nesta quarta-feira (3) que as mudanças climáticas entraram nas análises de risco dos bancos centrais por afetarem a política monetária e a estabilidade dos preços.
Brasília, 24/09/2020. Relatório Trimestral de Inflação. Presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Foto:Raphael Ribeiro/BCB – Foto: Raphael Rbeiro/BCB/NDCampos Neto participou, por videoconferência, de um evento do Pavilhão Brasil na COP26 (Cúpula do Clima das Nações Unidas), sobre a agenda de sustentabilidade do BC.
Campos Neto disse que cada vez mais os bancos fazem análises de como essa variável do risco climático pode impactar o sistema financeiro.
SeguirEle citou o fato de que as mudanças climáticas influenciam no aumento do preço e no debate sobre um modelo mais limpo de produção da energia elétrica, bem como a produção de alimentos.
“Vimos no Brasil, onde tivemos a primeira onda [da pandemia de covid-19] e depois tivemos uma geada que acabou afetando a produção de alimentos e também muitos eventos climatológicos mudando as cadeias de fornecimentos”, disse.
Transição para a economia verde
Na avaliação do presidente do BC, devido a esse conjunto de fatores, o cenário de pós-pandemia vai atrasar a transição do Brasil para uma economia verde e será necessário, em todo o mundo, que os bancos centrais sejam criativos no financiamento dessa transição.
“Essa transição a uma economia verde vai ser mais difícil do que se imaginava. Por isso é importante se manter a criatividade no financiamento da transição”, afirmou.
A transparência nas informações a respeito da produção verde foi um dos pontos que Campos Neto considerou necessário para ajudar nesse processo de transição.
Crédito de carbono
Segundo o presidente, o BC tem trabalhado para coletar e disponibilizar o máximo de informações para o desenvolvimento desse novo sistema financeiro, com um mercado de capitais que canalize produtos vinculados aos títulos verdes.
O presidente do BC também defendeu a precificação do crédito de carbono. “Se pudermos fazer a ponte de forma que possamos criar um ambiente sustentável através da precificação do carbono, que faça sentido, claro, poderemos seguir adiante para o próximo estágio”