A “queda de braço” digital entre o dono do X (antigo twitter), Elon Musk, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, está dando o que falar. A tensão já dura três dias.
Elon Musk está na mira do ministro do STF – Joel Saget/AFP/Reprodução/NDDepois que o bilionário ameaçou desconsiderar as decisões judiciais recebidas pela plataforma, o ministro ordenou, no último domingo (7), que ele fosse incluído como investigado no inquérito que apura a presença de milícias digitais antidemocráticas no Brasil.
Ministro Alexandre de Moraes inclui Elon Musk como investigado em inquérito que apura milícias digitais – Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilComo iniciou a “treta” entre Musk e Moraes
A situação teve início no último sábado (6), quando Musk divulgou uma série de críticas a Moraes em sua conta no X, chegando até a ameaçar o fechamento do escritório da plataforma no Brasil.
SeguirO post feito pelo ministro foi publicado no dia 11 de janeiro e parabenizava o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
Parabéns ao Ministro Ricardo Lewandowski pelo novo e honroso cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública. Magistrado exemplar, brilhante jurista, professor respeitado e, acima de tudo, uma pessoa com espírito público incomparável e preparada para esse novo desafio. Desejo…
— Alexandre de Moraes (@alexandre) January 11, 2024
O bilionário americano respondeu ao tweet do início do ano. Em tom de crítica, Musk questionou o porquê de “tanta censura no Brasil“.
Why are you demanding so much censorship in Brazil?
— Elon Musk (@elonmusk) April 6, 2024
Após a resposta ao perfil do ministro, Musk fez uma postagem marcando Alexandre de Moraes. No texto, ele afirma que “as solicitações violam a legislação brasileira”.
Coming shortly, ? will publish everything demanded by @Alexandre and how those requests violate Brazilian law.
This judge has brazenly and repeatedly betrayed the constitution and people of Brazil. He should resign or be impeached.
Shame @Alexandre, shame.
— Elon Musk (@elonmusk) April 7, 2024
Na última quarta-feira (3), o jornalista americano Michael Shellenberge revelou supostas trocas de e-mails entre funcionários do X, indicando que autoridades brasileiras estavam solicitando informações pessoais de usuários sob investigação.
TWITTER FILES – BRAZIL
Brazil is engaged in a sweeping crackdown on free speech led by a Supreme Court justice named Alexandre de Moraes.
De Moraes has thrown people in jail without trial for things they posted on social media. He has demanded the removal of users from social…
— Michael Shellenberger (@shellenberger) April 3, 2024
Após o incidente, denominado “Twitter Files Brasil”, o X emitiu um comunicado afirmando que foi “forçado por decisões judiciais a bloquear determinadas contas populares no Brasil” e que as determinações de Moraes desrespeitam o Marco Civil da Internet e a Constituição Federal.
X Corp. has been forced by court decisions to block certain popular accounts in Brazil. We have informed those accounts that we have taken this action.
We do not know the reasons these blocking orders have been issued.
We do not know which posts are alleged to violate the…
— Global Government Affairs (@GlobalAffairs) April 6, 2024
We are lifting all restrictions. This judge has applied massive fines, threatened to arrest our employees and cut off access to ? in Brazil.
As a result, we will probably lose all revenue in Brazil and have to shut down our office there.
But principles matter more than…
— Elon Musk (@elonmusk) April 6, 2024
Quais contas podem ser reativadas?
Dentre as contas atualmente suspensas e que podem ser reativadas estão perfis de diversos influenciadores e figuras destacadas do bolsonarismo.
- Luciano Hang, empresário proprietário da Havan
- Allan dos Santos, blogueiro
- Daniel Silveira, ex-deputado cassado
- Monark, youtuber
- Oswaldo Eustáquio, blogueiro
- Bernardo Kuster, jornalista
- Roberto Jefferson, ex-deputado federal
- Winston Lima, militar reformado da Marinha
- Edgar Corona, empresário proprietário da Smart Fit
Moraes determinou uma penalidade diária de R$ 100 mil para cada perfil das redes sociais que seja desbloqueado, em violação a decisão do STF ou do Tribunal Superior Eleitoral.