Interino: Paulo Rolemberg
As eleições tornaram-se um campo fértil para o crescimento do discurso de ódio, que se alimenta de preconceitos já enraizados no imaginário das pessoas. E o pleito eleitoral deste ano fizeram crescer em até 821% em comparação com o ano passado.
Professora divulgou vídeo sugerindo que nordestinos voltem para seus Estados – Foto: Reprodução/Redes sociais/NDOs crimes de xenofobia (ódio a imigrantes estrangeiros ou pessoas de outras regiões do país), intolerância religiosa e misoginia (aversão ou incitação ao ódio às mulheres) foram os três crimes de ódio cujas denúncias lideraram o aumento global de 39,3% no total de denúncias de discurso de ódio na internet.
SeguirOs dados fazem parte de um levantamento realizado pela Safernet, organização não governamental que mantém uma central nacional para denunciar crimes contra os direitos humanos na web.
Este é o terceiro ano eleitoral consecutivo (2018, 2020 e 2022) em que se detecta um crescimento constante e praticamente uniforme nos crimes de ódio denunciados em relação aos anos ímpares, em que não há eleições.
O que se observa é que as eleições são como um gatilho para o avanço do discurso de ódio.
Mais uma vez, o descontentamento com o resultado das eleições, em especial com a ampla votação de Lula no Nordeste, levou novamente a uma explosão de denúncias de xenofobia, fato que já havia sido registrado em 2014, quando Dilma Rousseff venceu Aécio Neves e em 2018 quando a região deu boa votação à Haddad em relação à Bolsonaro.
Os picos de denúncias crescem em anos eleitorais, se transformando em uma poderosa plataforma política para atrair a atenção da audiência e dar visibilidade e notoriedade aos emissores.
O melhor antídoto contra o discurso de ódio é informação e diálogo, enquanto não formos capazes de escutar e compreender a realidade de quem é diferente de nós, dificilmente vamos conseguir conviver respeitando as diferenças.