Onde Paulinha quer chegar?

Se está realmente preocupada em mostrar mais o seu trabalho e menos os seus atributos físicos, a estratégia de comunicação parece errada; se quer ser uma influencer...

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A roupa usada pela deputada estadual Paulinha (sem partido) para trabalhar na Assembleia Legislativa voltou a causar polêmica e provocar debate entre os seguidores nas redes sociais. Não é a primeira vez. Na posse, em 2018, a parlamentar chegou chegando e despertou o mesmo tema.

Em vídeo gravado segunda-feira (17) no plenário, Paulinha falou sobre projeções para 2022, em especial ações em curso por parte do governo estadual. A ex-líder do governo reafirmou o apoio a Carlos Moisés (sem partido).

As palavras, no entanto, chamaram menos atenção do que as vestes. Além de cantadas, há comentários preconceituosos – tanto de homens, quanto de mulheres. Há, também, mensagens de apoio.

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Paulinha em plenário – Foto: Rodolfo Espínola/Divulgação/NDPaulinha em plenário – Foto: Rodolfo Espínola/Divulgação/ND

Horas mais tarde, a deputada reclamou da abordagem feita pelo blog, que classificou como “machismo estrutural”. Disse que “a roupa não deveria ser notícia e sim as realizações”. Completou que a roupa que veste não tem a ver com o resultado do trabalho que apresenta.

Onde quer chegar?

Um levantamento no perfil da parlamentar no Instagram mostra que a postagem do vídeo teve um engajamento muito maior do que o normal, quase 22 mil visualizações. Considerando conteúdos publicados neste mês de janeiro, outros vídeos variaram entre 1,6 mil e 7,3 mil acessos.

Não são só as palavras que falam, também são os gestos e as roupas. Diagnóstico um tanto óbvio é que o traje tirou o foco da mensagem.

Se Paulinha está realmente preocupada em mostrar mais o seu trabalho e menos os seus atributos físicos, a estratégia de comunicação parece errada.

Se está mais disposta a ganhar curtidas e comentários – tal qual uma influencer de moda e beleza – está no caminho certo.

Complexo

É impossível esgotar um assunto complexo como o caso “roupa da Paulinha” em tão poucas linhas. A moda é um pilar central do que somos, do que pensamos e até de como agimos.

O vestir, ainda mais para uma mulher na política – um ambiente avesso à participação feminina -, diz tanto ou mais que as palavras. Cada ocasião pede um tipo de vestimenta.

A isso chama-se dress code. É fundamental encontrar um caminho que concilie o respeito à essência pessoal e ao ambiente frequentado.