Operação Mensageiro: Antônio Ceron, ex-prefeito de Lages, é julgado por corrupção

Operação Mensageiro investiga irregularidades em contratos para coleta de lixo e tratamento de água e esgoto no Estado

Foto de Gabriela Ferrarez

Gabriela Ferrarez Florianópolis

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O ex-prefeito de Lages, Antônio Ceron, será julgado nesta quinta-feira (27)  em desdobramento da Operação Mensageiro. De acordo com o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), Ceron é suspeito de receber propina para favorecer a empresa Versa Engenharia na prestação de serviços de saneamento na cidade.

Foto mostra Ex-prefeito de Lages, Antonio Ceron, julgado pela Operação MensageiroEx-prefeito de Lages, Antonio Ceron – Foto: PSD/Divulgação/ND

Deflagrada em 6 de dezembro de 2022, a Operação Mensageiro investiga irregularidades em contratos para coleta de lixo e tratamento de água e esgoto no Estado. Desde então, foram presas preventivamente 42 pessoas – 17 delas prefeitos em exercício.

Ceron foi preso em 2 de fevereiro na 2ª fase da Operação Mensageiro e teve a prisão domiciliar concedida duas semanas depois. O ex-prefeito da cidade da Serra Catarinense é suspeito de integrar um esquema de fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O julgamento do ex-prefeito começou às 9h desta quinta.

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Em 21 de agosto de 2023, a maioria dos vereadores da Câmara de Lages rejeitou a denúncia feita pelo parlamentar Jair Junior (Podemos) que pedia o impeachment de Antônio Ceron.  Já em 27 de março, os vereadores rejeitaram uma proposta de emenda à lei que visava suspender o salário recebido dos então ex-prefeito ou vice-prefeito do município durante afastamento judicial.

Julgamento do ex-prefeito ocorre nesta quinta-feira (27) – Foto: Cristiano Estrela/TJSC/Divulgação/NDJulgamento do ex-prefeito ocorre nesta quinta-feira (27) – Foto: Cristiano Estrela/TJSC/Divulgação/ND

Lixo cresceu mais que população, aponta investigação da Operação Mensageiro

De acordo com documento do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) obtido pelo Grupo ND que detalha a Operação Mensageiro, a empresa teve uma sede no município na década de 1990 e possui contratos com a prefeitura desde 2005. Desde 2011, aponta a investigação, a prefeitura já pagou à Versa (antes, Serrana) ao menos R$ 93 milhões em contratos públicos.

Segundo o processo, os valores pagos de 2011 a 2022 em Lages aumentaram de forma “desproporcional”.

Enquanto em 2011 o valor pago foi de R$ 422 mil, aponta o MPSC, em 2021 os pagamentos escalaram à casa dos R$ 15 milhões. O salto no período foi de 3.559%. Além dos contratos para coleta de lixo, a Versa Engenharia também prestou serviços de iluminação pública no município.

O contrato que mais pagou à Versa Engenharia em Lages foi o de coleta de lixo. A Operação Mensageiro identificou que o volume registrado de resíduos sólidos recolhidos cresceu desproporcionalmente no município, em comparação com o crescimento populacional. No documento, o MPSC destaca:

“A variação populacional de 2015 para 2021 foi de aproximadamente 0,27%, já o incremento da tonelagem aumentou em cerca de 300 toneladas por mês, o equivalente a 10,82%.”