Os inocentes da ONU: a valiosa oportunidade de anistiar

A ONU foi fundamental no século 20 como garantia para os direitos conquistados pela humanidade após a Segunda Guerra Mundial

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Lula disse que foi inocentado pela ONU. Vamos acrescentar: pela ONU e pelo William Bonner. Mas fiquemos com o suposto tribunal da lendária Organização das Nações Unidas. Infelizmente trata-se de uma alegoria sem a menor importância (infelizmente para a ONU, não para Lula).

A ONU foi fundamental no século 20 uma garantia para os direitos conquistados pela humanidade após a Segunda Guerra Mundial – Foto: Pixabay/Divulgação/NDA ONU foi fundamental no século 20 uma garantia para os direitos conquistados pela humanidade após a Segunda Guerra Mundial – Foto: Pixabay/Divulgação/ND

Essa que já foi uma entidade multilateral decisiva para as nações civilizadas virou um ajuntamento de comitês e subcomitês conduzidos por burocratas especializados em “papers” demagógicos, alarmistas e cheios de solidariedade cenográfica.

Basta ver a composição desses “conselhos” para radiografar a mesma casta salvacionista com verniz altruísta – a imensa maioria egressos dos setores acadêmicos mais panfletários ou partidários mesmo.

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Vivem para gerar manchetes “por um mundo melhor” – numa espécie de Rock in Rio dividido entre Genebra e Nova York. Mas nem tudo se degenerou na ONU.

Os almoços e os jantares continuam muito chiques e saborosos, assim como os congressos internacionais em localidades belíssimas, com excelente infraestrutura e muito conforto – enfim, os requisitos básicos para quem quer salvar o planeta.

Agora, note como é valiosa, para esse clube de virtudes cosméticas, a oportunidade de anistiar um Lula – símbolo da resistência popular contra a ganância dos poderosos terceiro mundistas, conforme o panfleto escrito há uns 30 anos por algum burocrata de boas maneiras empanturrado de camarão e vinho.

Pouco antes de ser preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Lula obteve uma dessas graças “da ONU” na divulgação estridente e planetária de um atentado contra o grande líder popular – um tiro na lataria de um ônibus em que Lula não estava.

A ONU foi fundamental no século 20. Uma garantia para os direitos conquistados pela humanidade após a Segunda Guerra Mundial. As ameaças de recaída totalitária tinham na ONU o fator de dissuasão, a afirmação potente da liberdade e da democracia. Quem garante a integridade desses valores nos dias de hoje? Certamente não é a ONU. Talvez ninguém.

A ofensiva chinesa com um regime ditatorial impermeável aos valores requeridos às democracias ocidentais se impôs às Nações Unidas. A potência comercial do Oriente foi aceita como força capitalista apesar da imposição de um poder central aos direitos individuais. Essa é a nova modernidade interesseira que o Ocidente resolveu sancionar.

O mundo resolveu seguir supostas diretrizes de saúde similares ao sistema de controle bruto do regime chinês sobre a população. Sendo que no Ocidente a coerção ditatorial vem disfarçada de propaganda empática. É o inacreditável “efeito Trudeau”.

E a ONU? O que faz diante disso? Faz vista grossa e inocenta o Lula. Entre outras façanhas históricas.

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